Reconocimiento Nacional a GACETA VIRTUAL

Reconocimiento Nacional a GACETA VIRTUAL
Feria del Libro Ciudad Autónoma de Buenos Aires-Año 2012

Rediseñada para ofrecer una mayor difusión de la escritura en castellano.

Dirección: Norma Segades - Manias
directoragaceta@gmail.com

Suplemento poético de Gaceta Virtual dedicado a Brasil

Imágenes: Pinturas Berenice Barreto Fernándes (Crato Ceará-Brasil)
Berenice Barreto Fernandes, conhecida como Beré ou Berenic, é natural de Crato Ceará, onde passou sua infância e parte da adolescência. Autodidata, desde o inicio definiu o seu estilo naïf de pintar. Fez sua primeira exposição em 1977, em Salvador Bahia. Reside no Rio de Janeiro desde 1981.
Suas obras fazem parte do acervo de Galerias e Museus, dentre estes o Museu Internacional de Arte Naïf e Nuseu Nacional de Belas Artes e em coleções particulares no Brasil, França, Canadá, Itália, Japão e Estados Unidos.

Música: Seleccionar al pie de la revista

PAGINA Nº 1

Berenice Barreto Fernández ©

Retalhos da vida


A vida é uma colcha de retalhos
que vamos encontrando no balaio da vida.
Dia, após dia, costuramos a nossa dor, o nosso amor.
Tecemos verdades, mentiras, fuxicos.
Cortamos, aparamos, emendamos e até mudamos a cor.
Assim vamos tecendo a nossa colcha de retalhos,
que um dia será estendida sobre a cama do cenário da vida,
estampando o nosso passado de lembranças coloridas.
Deixaremos no balaio da vida, pedaços de amor, restos
de vida, pontas de tristeza, trapos de dor.
Fiapos de esperança, emaranhado de linhas que outros irão desembaraçar.
Novelos de lã tricotarão casacos de luxo.
Meadas de linhas serão tecidas pela mão do pobre, que, tece, tece e re-tece,
mas que casaco nunca veste para cobrir a sua nudez.
Retalhos da vida, sobras de sonhos que não se realizam.

Mistérios da vida

Por sermos programados com ilusões,
é que passamos a não ser verdadeiros..
Nascemos gritando por sermos cortados
de uma vida que não era a nossa.
Vivíamos em águas tranqüilas
hoje nos afogamos.
Éramos alimentados
hoje temos que chorar por isto.
Não pensávamos em nada
hoje temos que em tudo pensar.
Vivíamos sozinhos
hoje temos que conviver com muitos.
Não enxergávamos nada
também não haviam pedras para tropeçar.
O barulho do mundo não nos incomodava.
Tínhamos um coração, mas não havia a quem amar.
Desfrutamos deste mundo por nove meses apenas
o que nos parecia ser eterno.
De repente, um grito de mulher em dor
nos acorda para a vida .
" Meu filho, te amo" !
Envolto em cordão e sangue
nos enxugam para vida
e nos cobrem a nudez
Hoje, temos o mundo
e não somos dono de nada.
Mistérios da vida.
Mãe Te amo!

A obra

Começa no sonho da alma,
no imaginário do meu inconsciente.
Quando diante da ausência de cor,
no infinito branco de uma tela,
ouço uma voz que me diz: Vai!!!!!
Mergulho então no recôndito do meu ser interior
e navego num impulso quase mágico,
sem hora marcada,
sem regra,
sem algemas,
sem pensar muito.
Apenas deixo fluir aquele sonho,
fazendo deste momento
uma realidade substancial,
onde o expectador
é o seu complemento final.

Sombras da noite

Estende um véu como cortina
Entre montanhas
Irradiando luz aos meus sonhos
Tesouros escondidos mostram
ouro e prata a resgatar
Risos perdem-se nas noites alegres
Gritos e medos entre sonhos e escuridão
O murmurar das águas movem rios profundos
Infinitas árvores beijam os céus
Abrigo em sombras mil nos dá o fruto
Entre jacarés e cobras gigantes
Tapetes flutuantes de verde cobrem as águas.
Gaivotas navegam nas asas do vento
Anjos rasgam véus entre nuvens cor-de-rosa
Pintando o arco-íres descansam a sombra do luar
Jogando estrelas no céu infinito brilho resplandece
Perdida em meus sonhos
Encontro os brancos lírios da paz

Amar

Sorrir sozinha
Olhar sem direção
Caminhar sem rumo certo
Caminhar descalça na areia da praia
Contar as estrelas
Apreciar o luar
Buscar em cada lágrima um sorriso
Em cada sorriso um motivo a mais para ser feliz
Como é bom amar
É simplesmente ser atriz
Sentir ciúmes mas confiar
Não precisa ser correspondida
Nada exige em troca
Afinal
Amar é fazer feliz o outro
Tão bom seria
Que ao menos por um dia
Pudesse o homem entender
O coração de uma mulher

Saudade

Esta ausência presente
Em tudo um pouco de você
Este infinito vazio
Me enche a alma
Esta busca constante
Onde está você
Te vejo em tudo
Mas não te encontro
Falo com você
só o silêncio responde
Ouço o seu sorriso
me derramo em lágrimas
Que saudades de você
Um grito ensurdecedor invade
minha alma
Só a voz do silêncio responde
Não ouço mais o som do seu teclado
Seu calor já não sinto
Está fria a noite
Está frio este amor
Aquece-me pôr favor
Não deixa este sonho acabar
Sem lenha o fogo apaga
E o que resta
Apenas cinzas que o vento sopra
eternizando este amor
Que não tive
Sonhei apenas

Entre cinzas

Desperta tu que dormes
Levanta-te dentre os mortos
Cristo te esclarecerá Ef. 5: 15
Ressurge das cinzas
O! Fênix
Sacode do pó
os teus desejos
Rasga em lágrimas
as tuas perdas
Cala os teus
anseios
Confia ao Senhor
As tuas obras
E os teus pensamentos
Serão estabelecidos PV. 16:3
”Deus é o nosso refúgio
E fortaleza
Socorro bem presente
Na angústia. SL 46:1

Homenagem ao dia da mulher

Você mulher
Ponte para a vida
Ninguém vem ao mundo
Sem pelo teu ventre passar
Nas batidas do teu coração
A certeza da vida
Confirma a criação
Você mulher ungida
Dotada de força beleza e sedução
Luz dá aos homens
Guia seus primeiros passos
Sustenta-o com a seiva do teu amor
Tu és o primeiro amor de todos os homens
Junto ao teu seio cobre-lhe a nudez
Embalando teus sonhos entre sorrisos
Você mulher
Mãe, filha, neta, amiga, Maria
Não importa
Você Mulher
Nação Santa
É país
É Brasil

O vento

O vento assopra onde quer,
ouves a sua voz
mas não sabes
donde vem,
nem para onde vai.
Assim é todo aquele
que é nascido do Espírito. Jo 3:8

Como Moises levantou
a serpente
no deserto,
assim importa
que o filho do homem
seja levantado. jo 3:14

Para que todo aquele
que nele crê
não pereça,
mas tenha vida eterna. Jo 3:15

Porque Deus enviou seu filho ao mundo,
não para que condenasse o mundo,
mas para que
o mundo fosse
salvo por ele. Jo 3:17

E a todos quanto o receberam
deu-lhes o poder de serem
feitos filho de Deus
aos que crêem no seu nome. Jo 1:12

Felicidade

Momentos que nos
Escapam por entre os dedos.
Vasío
Que nos preenche
A alma.
Não está
Em ser compreendido
Mas sim em compreender
Não está
Em fazer o que quero
Mas sim
O que me é licito
Ser feliz é fazer feliz
O outro
Cada momento da vida
É único
Não perca o seu
Olhando para trás

Tela em Branco

Ausência de cor nos transporta
A nuances de inimagináveis cores
Leva-nos a lugares paradisíacos
Onde somente habita a inexplicável paz
Onde o lírio não tem cor nem a rosa perfume
Mas são capazes de encantar os nossos sentidos
Onde no céu correm estrelas
Sem perder o seu brilho
Onde árvores se adornam
De beleza e riqueza
Sem medo da pesada mão do homem
Onde os animais convivem em perfeita harmonia
Sem distinção de raça ou poder
Onde o índio desfruta da terra
Que é sua por direito
Onde as águas correm livremente
Pelo mar da vida
Onde o mar é sereno e conhece o seu limite
Onde não existe limite a imaginação
Onde o poder de Deus
Preenche o vazio que existe no coração do homem
Com o dom de pintar
Serena inquietude que nos transporta
Ao mar do silêncio
De uma tela
Em branco

Recanto dos enamorados

Entre flores e espinhos
Caminham os meus sonhos a te buscar
Entre sorrisos florescem os lírios em
Busca de paz a conquistar
Entre beijos a flor se regala
Borboletas coloridas enfeitam os céus
Vestido de azul
O galhardo pavão exibe a sua exuberante
Cauda cortejando a fêmea
Pássaros gorjeiam trazendo o sol da radiante manhã
Serena inquietude invade os corações apaixonados
É dia dos enamorados
O vento sopra trazendo o teu perfume de aroma suave
Desperta um desejo ardente de beijar
Teus lábios quentes de mel
Em que peito bates
Ó insensato coração
Vem buscar a chave
Para abrir meu coração
E encher-me de emoção....

Tarde fria

A chuva se derrama em lágrimas geladas
Molham-me os pés
Somente o seu gotejar quebra o silêncio
Do meu mundo com a sua canção
O dia se perde em sombria aurora
As rosas entristecem suportando
A solidão entre os espinhos
Um manto de paz
Mostra os lírios adormecidos
As mãos geladas escondem-se do frio
Sob cobertas
Enmudeço entre
Meus sonhos de verão...
Onde sorrisos quebram a realidade
Adormecida em alegres fantasias...
Fria tarde de verão.

O amor

Surge de repente
Plantado como
Semente
Regado germina
Nasce em silêncio
O amor
Cresce cria raízes
Brotam galhos
Sopram ventos
Folhas gritam agitadas
Rosas desnudas.
Botões entre espinhos
A chorar
Galhos ao vento
Levam as borboletas
Que enfeitam os ramos
É outono
Primavera sempre haverá
Florescendo o jardim
Borboletas voltarão a bailar
Beijando flores
Aperfumar.

Equecer-te não posso

Na real esquina da vida
Uma solidão abate
M’alma .
Pintando sonhos em secreto
Ocultando um desejo ardente
De ser feliz.
Os meus olhos
De saudade choram os teus.
No silêncio
Murmuro o teu nome
Entre meus sonhos
Esquecer-te não posso.
Buscarei entre grãos de areia o teu sorriso
Alimentarei de sonhos
Este infinito amor.
Esquecer-te
Não posso

Louco amor

M’alma invade
os pensamentos ocultos
em busca dos teus
Sombrias noites
a te procurar
sem te achar
Abraçar-te apenas
em sonhos
Beijar com doçura
teus lábios
de mel
Nada posso esperar
Apenas
deixa-me te amar
Uma força
Quase louca
Nos atrai os corações
Não mais controlamos
Os pensamentos
A emoção
Perde a razão
Afinal
O amor só precisa
De um coração
O resto
É paixão

Eu e o mar

Tranqüilo em seu profundo silêncio
Parece ocultar o furor
Das suas marés
Ao molhar-me os pés
Sinto o seu humor
Ao tentar abraçar-lhe
Suas ondas arrebatam-me o coração
Como que rejeitando a minha presença
Muitas são as influências
Até a lua interfere em suas marés
Tão grandioso e bravo mar
Teus limites são traçados pelo Criador
E influenciados pela natureza
Dos amigos que te cercam
Observo o vai e vem das suas ondas
Que ao beijar a branca areia da praia
Derrama-se num espumante sorriso
Onde o brilho do sol parece aquecer-te o coração
Num murmúrio delirante ..
Busca entre grãos de areia
Acariciar-me o corpo
Que flutua entre o teu beijo
Que salga m’alma
Querido mar revolto
Quando toca-me os pés
Acaricia-me
O coração
Com a tua
Canção

Tempestade no mar da vida

Talvez hoje
O vento sopre tempestade
Ondas cobrem teu barco
Que o mar agitado
Tenta afundar
Sozinho
Abandonado pela própria sorte
Aflito grita:
Senhor acorda
Socorre-nos
Estamos perecendo Mt 8: 23

Homem de pouca fé
Diz o senhor
Não temas
Eu estou contigo
Não te assombres
Porque eu sou
Teu Deus
Eu te esforço
Te ajudo
E te sustento
Com a destra
Da minha justiça Is 41:10

Digo ao vento
Cala-te !
E ao mar
Para !
A bonança chega
Ao teu barco
Navegas ainda hoje
Em águas tranquilas
Tem bom ânimo
Jesus está no teu barco
Desperta-o
Ele satisfará
Os desejos do teu coração.

Alma aflita

Se abrires a tua alma ao faminto
E fartares a alma aflita
Então a tua luz nascerá nas trevas
E a tua escuridão será como meio dia Is 58:10

E o Senhor te guiará continuamente
E fartará a tua alma em lugares secos
E fortificará teus ossos e serás como
Um jardim regado e como um manancial
Cujas águas nunca faltam. Is 50:11

Então te deleitarás no Senhor
E te farei cavalgar sobre as alturas da terra
E te sustentarei com a herança do teu pai Jacó
Porque a boca do Senhor o disse. Is 58:14

Também virão a te, inclinando-se
Os filhos dos que te oprimiram,
E prostar-se-ão á plantas dos teus pés
Todos os que te desprezaram e
Chamar-te-ão a cidade do Senhor
A Sião do Santo de Israel. Is 60:14

Não temas

Não temas
Porque eu sou contigo
Não te assombres por que
eu sou o teu Deus
Eu te esforço te ajudo te guardo
e te sustento
com a destra da minha justiça.
Para que saibas
que eu sou o Senhor
o teu Deus
que te chama pelo teu nome. Is 41:10
Suscito um do norte
e ele há de vir
desde o nascimento do sol. Is 41:24
Para abrir os olhos dos cegos
para tirar das prisões os presos
e do cárcere os que jazem em trevas.
E guiarei os cegos por um caminho
que nunca conheceram.
Farei caminhar por veredas
que não conhecem.
Tornarei as trevas em luz perante eles
e as coisas tortas farei direitas.
Essas coisas farei
e nunca os desampararei. Is 42: 7 e 16
Abrirei rios em lugares altos e fontes
No meio dos vales
Tornarei o deserto em tanques de águas
E a terra seca em mananciais. Is 41:18

A Voz do que clama no deserto

Preparai o caminho ao Senhor.
Endireitai no ermo veredas ao nosso Deus.
Consolai, consolai o meu povo, diz o nosso Deus. Is 40:3, 1

Todo o vale será exaltado,
e todo o monte e todo outeiro será abatido
e o que está torcido se endireitará
e o que é áspero se aplainará. Is:40:4

Assim diz o Senhor, que criou os céus e os estendeu
e formou a Terra e a tudo quanto produz que dá a
respiração ao povo que nele habita
e o espírito aos que andam nela. Is 42:06

Eu o Senhor te chamei em justiça
e te tomei pela mão e te guardarei
e te darei por conserto do povo,
e para luz dos gentios. Is 42:6

Para abrir os olhos dos cegos
e para tirar da prisão os presos
e do cárcere os que jazem em trevas. Is 42:7
“Eu Sou o Senhor, este é o meu nome."

1-La liberté de papillon

Num jardim, uma linda borboleta encontrei,
ainda presa a seu casulo sem forças para voar.
Perguntei-lhe qual motivo de no casulo morar.
Não corro atrás do vento disse-me ela a chorar.
Ele sopra violência arrebatando corações,
levando amor e paixões e destruindo as emoções.
Há mais de oito anos e não consigo desvencilhar
deste maldito casulo, que me rouba a vida me fazendo definhar.
Minhas asas não abrem para que eu possa voar.
Lembranças do pesado lagarto,
envolvem-me neste casulo que nem posso carregar.
Quem é você doce menina, será que podes me ajudar?
Meu nome é sabedoria e passo pela terra procurando onde morar.
Retruca a borboleta, “então me livra deste casulo que te ajudo a procurar,
um coração grandioso onde possas habitar.
Somente você pode se ajudar diz a menina.
Esquece o passado, quebra as cordas do casulo e tenta voar.
Não posso, diz a borboleta e continua a sonhar....
“Acorda linda borboleta, o sol voltou a brilhar
e vento já não há.”
Você acordou do meu sonho menina,
Nunca posso concretizar,
sempre tem alguém para me perturbar.
Sonhos serão sempre sonhos se você não acordar,
diz a menina.
Se não posso viver, deixa-me pelo menos sonhar
e a borboleta continua a cochilar.
Levanta deste casulo e olha para suas asas e ver quantas cores brilham aos raios do sol.

Wau !!! é verdade ! diz a borboleta.
Viu quanta beleza você escondia neste casulo ?
Meu Deus, que lindo dia o Senhor preparou para mim.
Vem cá linda menina, muitas coisas poderás me ensinar.
Num impulso quase mágico, levanta voou a linda borboleta levando sobre suas asas a bela sabedoria que encontrou.

Refexão
Quanta coisa podemos aprender voando pelo mundo da sabedoria.
Quanta beleza está escondida nas cavernas do nosso inconsciente
Quanta felicidade se derrama por entre os dedos, por medo de voar
Quanto amor perdido em sonhos sem se concretizar
Quantas vidas amarradas nos laços do medo
Quanto sofrimento por não conhecer a verdade
Quanto sucesso escondido com medo do vento
Tenha um encontro com a sabedoria,
Juntas poderão alçar vôo ao infinito,
Atravessando fronteira e barreiras,
Na conquista da paz encontrando
O amor.

2 - La Liberté de papillon

E neste vôo pelo fantástico mundo em que vivemos e morremos, deslumbrada, a borboleta se enche de emoção, dúvidas e interrogação.
Olha só, linda menina, quanta beleza no mar azul destas praias, quanto verde e montanhas.
Que lugar é este?
Esta é a Cidade Maravilhosa, diz a menina (sabedoria).
Quem é este gigante de braços abertos?
É o Cristo Redentor, uma das 7 maravilhas do mundo.
O que faz ele ai parado encima deste monte?
Ele observa tudo que se passa na cidade.
Quantas formiguinhas andando de um lado para outro, olha só, muitas estão se ferrando, outras matando, roubando e chorando..
Este gigante num faz nada para ajudar estas formigas? pergunta a borboleta.
Ele de vez em quando sopra o vento e grita um trovão mandando chuva para acalmá-las. Diz a menina
Estas formiguinhas vivem correndo atrás do que?
Elas correm em busca de um valioso papel $$$ que rege o mundo, e, que, ninguém sem ele aqui pode viver.
Nossa ! e como se consegue este valioso papel ?
A maioria trabalha quase 24 horas por dia, e, outros , recebem o papel sem nada fazer.
Como assim ?
Daí que, os ricos pagam ao trabalhador um salário com parte destes papeis e o trabalhador para sobreviver, devolve tudo de volta para os ricos.
Quer dizer que o trabalhador vive das migalhas que caem da mesa dos ricos ?
Engraçado, que tolice... há, há, ha ! num seria mais fácil dar casa e comida ?
Num tem lógica borboleta, ninguém pode entender....
Quer dizer, então, que, o rico fica cada vez mais rico, e, o pobre cada vez mais pobre?
E o que faz o rico para conseguir tanto papel ?
A maioria rouba, mata, sonega, falsifica e põe o pobre para trabalhar.
E este gigante assiste a todo este espetáculo na arena da Cidade Maravilhosa sem nada fazer ?
Borboleta, este gigante é de pedra, feito pela mão do homem. O Deus verdadeiro, o Criador, não está nele, pois Deus não habita em templos feito pela mão do homem.
Deus continua vivo dentro de cada um dos seus filhos.

Nossa !
num quero neste mundo viver,
vou voltar pro meu casulo
onde posso me esconder.
Vou continuar vivendo dos meus sonhos
até Deus aparecer.

3- La Liberté de papillon

Não olhes para trás borboleta,
o casulo pode outra vez te prender.
Ora essa, menina!
E lançando um olhar aos pés do Cristo Redentor, a borboleta retrucou:
“Veja menina, que belo casarão! ”
Este casarão borboleta, é o MIAN – Museu Internacional de Arte Naïf, êle abriga oito mil obras de artistas de diversos paises, e, é o maior em acervo naïf do mundo .
Nossa, que beleza! Vamos lá, eu quero conhecê-lo.
O MIAN está fechado borboleta. Turistas de todos os continentes vêem ao Rio de Janeiro para conhecê-lo e ver de perto o maior quadro do mundo, que tem 25 metros de história do Brasil, mas que, ninguém, pode ver.
Nossa !!!! quer dizer que o turista além de ser assaltado, agredido, dá com a cara na porta de Museu?
E isto , quando não lhe roubam a própria vida.
Nossa, que cidade é esta menina ?
É a cidade maravilhosa !!!
De maravilhosa, parece ter somente o nome menina!
Maravilhosas são as obras que estão sufocadas pelo mofo e infiltrações e sofrendo toda sorte de humilhações.
Quem toma conta desta cidade menina ?
As autoridades ....
E elas não tem olhos para enxergar tudo isto ?
Não têm é sensibilidade, nem valorizam a arte que mostra o folclore e que tão bem representa no exterior, as raízes e tradições da cultura brasileira.
O que precisa para reabrir o MIAN ?
Muito pouco, apenas, a boa vontade de algumas autoridades, que, possam abrir mão de incentivos destinados á cultura.
E os empresários como poderão ajudar?
Poderão contribuir como amigos do Museu, ou como, patrocinadores dos inúmeros projetos culturais do MIAN. Seriam dignos de serem chamados, se, assim procederem, “Guardiões da Cultura Brasileira”.

Realmente menina,
os sonhos saem das mãos dos artistas,
mas , ninguém pode ver.
Como pode o artista
Nesta cidade sobreviver.
Se não mostram os seus sonhos,
Incentivo não há pra viver.
Somente o grande amor pela arte
lhes ajuda a reviver.

Cada tela em branco,
Colorimos a nossa dor
o nosso amor.
Precisamos de olhos iluminados
que possam compreender,
O grito do silêncio,
A voz do vento
O sorriso das rosas
A morte da vida
A paz dos lírios
A ausência presente
Onde está você?
“Guardião da Cultura Brasileira”

4- Crônica “ La liberte de Papillon”

Nesta manhã de primavera,
O sol voltou a brilhar.
Bom dia doce menina!
Hoje, um grande vôo,vamos alçar...
E trilhando uma rota sem rumo certo,
sobrevoam uma das cidades mais importantes do mundo.
Que lugar é este menina?
Esta é uma das maiores potências do mundo papilon .
E o que faz esta gigante mulher dentro do mar com esta tocha na mão?
Esta é a estátua da liberdade, papillon, uma das sete maravilhas do mundo.
Olha só menina, aqui também tem formiguinhas e estão aflitas correndo de
um lado, para outro, parece que de certos prédios está saindo fumaça....
São as instituições financeiras, os grandes Bancos que estão pegando fogo papilon .
Nossa .... como assim ? Será que esta gigante mulher ateou fogo sobre estes Bancos ?
Papillon! esta mulher é de pedra e seu fogo não fumega.
O que está acontecendo na verdade ?
São os papeis dos ricos que estão pegando fogo papilon.
Nossa ! num tem bombeiro nesta terra menina ?
Tem sim , mas este fogo não se apaga com água e sim com muitos papéis.
Que loucura.... na minha terra, quanto mais papel mais o fogo aumenta .
Papillon, num queira entender, aqui é tudo contrário.
Ouvi falar que aqui existe uma tal de ONU, quem é ela?
É uma das maiores instituições, que tem como objetivo a Paz Mundial..
Mas num é este o país que mais faz guerra no mundo ?
Não procura entender papilon, aqui dois mais dois, não é igual a quatro...
Nossa até a matemática é diferente ....
Pregam PAZ e fazem guerra.
Proíbem armas nucleares e tem as mais poderosas..
Proíbe a bomba atômica e arrasam países fazendo experiências com elas...
Dominam as finanças do mundo, e falta papéis para eles.
Nossa, que país é este ?
Hoje papilon, é, o que, não é ....
Num foi aqui, que, um poderoso homem jogou aviõezinhos nas janelas das gêmeas ?
Foi sim, e milhares de pessoas inocentes sucumbiram juntamente com elas.
Nossa ! êste país só vive pegando fogo, também , querem o que ?
Quem joga fogo na casa do vizinho, acaba por queimar a sua.
Vamos embora menina, nesta terra não quero pousar.
Minhas asas não suportariam o calor deste clima.
Vamos em busca da PAZ ,
Será que vamos em algum lugar encontrar ?

Só Deus sabe papillon....
Mas um dia, com certeza vamos encontrar.

PÁGINA Nº 2

Eliza Augusta Gregio Gouveia ©

Amor Eterno


O tempo passou o mundo nos separou e nossos
pensamentos unidos para sempre ficou.
Vem cuidar de mim neste mundo de sofrimento
Estou chegando desprotegida precisando de voce.
destino tão triste me encontro, neste mundo acizentado, sem amor tão só.
encontrando consolo em seu olhar procurando me abraçar.
Estou feliz em ter voce vivendo, meu sofrimento, minhas amarguras, enxugando minhas lágrimas sempre pronta a me defender, deste destino que teima a me machucar, por caminhos sem fim quando sofria e em seus braços eu corria.
O tempo passou nos crescemos
Mais uma vez o destino uma peça nos pregou
Nos separando e novo destino procuramos
Chorando e sofrendo sempre que podia em seus braços eu corria
E mais uma vez em lagrimas nos despedia.

Distância entre nós

Há uma distância entre tu e eu
Que não se mede em quilômetros
Ou horas que o carro percorreu.
Tão pouco é medida em centímetros
Ou segundos que o atleta venceu.

Entre nós a distância é de valores
Limitada por barreiras invisíveis.
Tem diferentes formas de amores
Palavras há tempos inconcebíveis
Com sons ruidosos e novas cores.

Para ti distante é o tempo futuro.
Meu presente faz parte do passado.
Entre ambos ergueste um muro,
E segues apenas de um lado
Mais veloz, porém menos seguro.

Nos auto-serviços vais com afã.
Queres bigs, fanta MAIS quarteirões.
Tua linguagem me parece anã,
Mas sigo à risca tuas orientações,
E da janela caem tortas de maçã.

Ainda com o carro em movimento
Desembrulhas tudo com facilidade.
Abocanhas pão sovado, regas condimento,
E enquanto percorremos a cidade,
Comes fritas e refri vais sorvendo.

Fascinada com tudo na verdade,
Percebo como é difícil alcançar-te,
Mas mantenho a pose típica da minha idade
E decido ainda aconselhar-te:
-Come devagar, para melhor digestibilidade.

PÁGINA Nº 3

Sandra Fayad ©

Amor virtual


Por e-mail, envias beijo salival.
Examino sua consistência
Para saber se saiu da tua boca,
Se criaste um wink original,
Ou se é ataque de virulência.

No Messenger te vejo on-line.
Exploro detalhes da tua imagem,
Dedilho o teclado, movo o mouse.
Comparo com tuas palavras.
Aproveito enquanto não me fitas
E peço que me aguardes. Pause!

Prossigo em nova checagem.
Clico no teu cartão de visitas,
Elimino hipóteses, por amostragem.
Detetive, para-normal ou guardiã,
Ainda pergunto se tens tatuagem.

Aceito ligarmos a web cam.
Agora sim! Pareces real...
Mas ainda pode ser montagem...
Comparo com fotos anteriores:
Convencem! Há semelhança.

Por fim, chamas pelo Skype.
Já sinto mais segurança.
Voz coerente com as imagens,
Com certeza do mesmo naipe.
Se é que não são dublagens...

Sonolenta, me pergunto:
Será que são miragens?

Capital natural

Para quem não sabe ou não se lembra,
Brasília só tem duas estações:
a das chuvas e a da seca.
De Outubro a Maio - que maravilha!
Nuvens escuras caminham no céu constantemente
à cata de galhos secos e terra nua
Pra semear, em cada lugar, um verde diferente.
Previsões metereológicas
Só acredite nas gerais.
Não que estejam erradas
Mas nem tente prever as locais.
É que sob o Sol escaldante -
Veja ali adiante -
Está chovendo demais.
Depois chega o clima de deserto
pra dominar o cenário,
impondo a tudo seus tons marrons.
Não tema! Prepare ao ar livre
festas de aniversário, casamentos
ou quaisquer outros eventos.
Sobretudo,aprecie a beleza que vem do horizonte
Acorde cedo - veja o espetáculo do sol nascendo
Ou - mais tarde - desaparecendo...
atrás de um pequeno monte,
numa maravilhosa mistura de cores,
como se fora uma salada
de muitos sabores.

Auto da primavera

Do Verão, és alma gêmea - a irmã preferida,
Que lhe coça as costas e massageia o ego.
Se apagas as cinzas e regas de cores a vida,
Em tua presença, a cantar no banho me pego.

Do Inverno, és meio-irmã, mas deves-lhe gratidão:
Sem ele não serias tão prestigiada, tão rainha...
À sua sombra, tomas as rédeas da coloração,
Despertando paixões do amanhecer à tardinha.

Do outono, és prima querida, afinada e generosa:
Juntas alimentam almas e levam perfume à mesa.
Se a uma agradeço por ser de frutos a dadivosa,
À outra rendo homenagens por viver tanta beleza.

Corres o Planeta, carregando no bolso a esperança,
Para presentear os “inverneiros” de plantão.
Há os que te aplaudem desde os tempos de criança,
E os que nem sabem se um dia te aplaudirão.

Mesmo assim vais injetando tons e sabores
Nos poros saudáveis da Mãe-Terra adoentada,
Para mostrar aos homens como podem as flores
Provocar, em suas vidas, a grande virada.

Mananciais

Ia eu do centro para o ponto de equilíbrio,
Referência incontestável da estabilidade,
Viga de concreto sob laje bem moldada,
Suporte para tentações pra lá de tonelada.

Do espaço ao redor fiz meu universo.
Caíam sobre mim tempestades de granito,
Vendavais arenosos próprios de deserto,
Até abalos sísmicos aconteciam por perto.

Com unhas protegidas por base calcificada,
Pés firmes plantados em solo de quartzito,
Meu olhar fixava a reprodução da alvorada,

Mas com força de chuvas torrenciais,
Percorreste caminhos secretos, tortuosos,
E encheste de desejos meus mananciais.

Luxo do amor

Ficaste esperando,
Não compareci.
Aguardaste ao telefone,
Não te chamei.
Procuraste uma mensagem,
Nada enviei.
Refizeste o último contato
Passo a passo...
Tua conclusão está errada.
Charada fácil, que logo “matei”:
Tua premissa? Furada!

Pensei melhor na tua oferta.
É pobre!
Agora estou exigente.
Descobri que sou nobre.
Fiquei gananciosa,
Não quero teu anel de cobre.
Mereço mais...
Não viste que fiquei poderosa,
Que me visto com trajes reais?

Não fui aluna destemida
Ninguém é perfeito em tudo.
Tu, sim, brilhaste mais na carreira,
Priorizaste o estudo.
Contudo,
Na universidade da vida
Subi ao pódio,
Ganhei o troféu da melhor das amantes.
Fiquei vaidosa. Especializei-me!
Acostumei-me ao luxo do amor
Com paparicos diários, gestos elegantes
Ofertados com perfume de flor,
E brilho ofuscante de solitário... Diamante!
Conheci a sutileza da conquista,
A profundidade do envolvimento,
O prazer do sexo sem perder de vista
Afagos fraternos, demorados acalentos,
Amizade, companheirismo.
Provoquei mudanças de rumos,
De família, de casa, de pista,
Só para ser, por momentos,
Vista, admirada, revista.
Quebrei vínculos, alterei sentimentos.
Fiquei assim... mal acostumada,
Poderosa, exigente, comodista.
Gostei de ferver de tesão, de felicidade,
De saudade e satisfação de dormir
Abraçada ao sol nascente,
E acordar entrelaçada, sob o luar preguiçoso...

Diferente desse amor clandestino,
Morno, pobre, insosso por demais.
Meu amor é completo, informal, dengoso,
Público, confortável, fino,
Afinado...
Se quiseres dele usufruir,
Não te nego nenhum bocado.
Vem, mas vem inteiro, integral,
Apaixonado...

Caça triunfante

Se te quero pouco,
tu me buscas ansioso.
Se te busco menos,
mais te tornas ganancioso.
Se te peço tempo,
Tu te mostras intransigente.
Se te quero muito,
me apareces vaidoso.
Se te busco mais,
mais te revelas ausente.
Se te nego tempo,
meu desejo te parece exigente.
Mas, se te procuro ofegante,
e também me caças triunfante
Se te busco contente,
e te agrada o meu anúncio publicitário
Se te espero embalada em papel de presente,
E vens como se fugisses de um aviário
Se me mostro indolente,
quando queres nosso tempo preguiçoso
Forma-se uma perfeita sintonia de desejos,
ainda que nosso amor pareça fantasioso.

Mamadeira de tequila

Meu Brasil de Norte a Sul,
Naquele domingo dourado
De verde, branco e azul,
Da metrópole ao povoado,
Cantava só para mim
Que na terra havia pousado.

Cheguei brilhante e faceira
Cheirando lança-perfume.
Ao invés de mamadeira
Tomei logo uma tequila.
Transformei-me em vaga-lume
Pra brilhar na Escola da Vila.

Vesti fraldas de cetim
Babador de paetês
Chupetinha de alecrim.
E sem perder a altivez,
Caí no samba de sapatim
Pela primeira vez.

Fevereiro, fevereiro!
Fevereiro é o meu mês
Carnaval, carnaval!
Carnaval rima com quê?
Carnaval é Fevereiro
Ah! Fevereiro é o meu mês...

Pelado de mim

Queres ser mais esperto que a esperteza?
Deixa de ser burro! Já era!
Perdeste 0 momento do riso,
Caminho que te mostraria riqueza,
Viagem que te conduziria ao paraíso.
Não me impressiona teu joguete:
Manjado! Fraquinho!
Me irritas! Dançaste, saradinho!
Bobeira foi apresentar-se
Com papo-de-anjo (bom de goela),
Contando histórias da caronchinha.
Que pena, espertinho de meia tijela!
Aqui não tens guarida.
Estou ocupada! Meu ouvido não é penico.
Vai saindo como entraste, assim...
Pobrezinho - pagando esse mico
No teu gueto - pelado de mim ...

Te amo

Te amo.
Frase curtinha, revolucionária.
Clarão em montanhas inexploradas,
Luz que ilumina barco à deriva
Em noites, com almas desamparadas.

Te amo.
Cinco letrinhas bem arrumadas,
Oração completa, intransitiva,
Sujeito oculto da cobiça alheia,
Expressão direta, na voz ativa.

Te amo.
Fácil de ler em olhares apaixonados,
Nos gestos carinhosos, na Lua Cheia,
Ao telefone, e-mails e cartões enviados,
Enredando-nos em sonhos como numa teia.

PÁGINA Nº 4

Belvedere Bruno ©

Olhares


Olhares masculinos sempre lhe traziam a pergunta: - Será ele? Por que não? Tem olhos negros como os meus e sobrancelhas grossas. Por que me olharia tanto, se não fosse? -Assim pensava na ingenuidade de sua infância . Os dias passavam e mais envolvida ficava, vislumbrando o encontro de sua vida.
Com o passar dos anos, tornou-se uma mulher sensual, atraindo todos os tipos de olhares. Lascivos, vulgares, invejosos. Contudo, ainda tentava ver neles o que sempre buscara, repelindo qualquer lampejo de impossibilidade . Encontraria o olhar, pensava, pois ali residia a razão de sua vida.
Os cabelos embranqueceram e a busca não cessara. Nos olhares ternos que lhe dirigiam em sua senectude, ainda imaginava que poderia encontrá-lo. - Sim , poderia, por que não?- dizia para si mesma.
Passeando pelo parque numa tarde de domingo, subitamente tropeçou e caiu ao chão. Um senhor, bastante idoso, veio em sua direção para ajudá-la. Erguendo-se, olhou-o fixamente e, segurando seus braços, perguntou trêmula : - É você, papai?
homem , sem proferir palavra, virou as costas e, balançando a cabeça , continuou sua caminhada.

Enclausurada

O tempo escorre pelos meus dedos enquanto, avidamente, busco o que já se foi. A vida é breve. Tal qual um sopro, um suspiro, um clímax. Para onde foram as antigas emoções? Por vezes, em sonhos, parecem me envolver. Puro devaneio de minh'alma inquieta!

Insisto nessa fuga. Entrego-me inebriada aos sons, aromas e imagens de um passado longínquo. Distancio-me da fragilidade do agora, quando sinto o peso da impermanência. Busco eternidades! Imersa no ontem, meus dias correm sem qualquer lampejo de razão que me conecte ao hoje.

Permitam-me estar, sem interferências salvacionistas, no Templo que escolhi. Dispenso sagrações!

Quem sabe, em algum paraíso cósmico, eu encontre o que me parece perdido?
Estrangeira de mim. Enclausurada na irrealidade de meus sonhos, para todo o sempre.
_Ou até que se desvende o grande mistério ao qual chamamos Vida._

O homem e as flores

Rosane não escondia sua insatisfação. Marcos sempre fora um homem de metáforas. Enquanto ela continha diques, enfrentava tsunamis e erupções vulcânicas, ele mastigava pétalas de rosas . Ela era ação. Ele, meditação. Puro antagonismo. Nunca se soube porque um dia decidiram que, ficar juntos, seria o melhor para equilibrar as diferenças . O tempo apenas as fortaleceu.
Rosane dizia : - Cansei de viver com um sonhador. Sou pé no chão, gosto de tudo às claras. Odeio subterfúgios ! Marcos respondia calmamente : - Retire as rosas pálidas do buquê e deixe apenas os botões .Aguarde o florescer.
- Rosane se inquietava, vociferando : - Raios! Você com essa eterna mania de poesia! Estamos falando sobre a vida, o dia-a-dia, o desgaste de nosso relacionamento e você só raciocina em forma de versos ? - Mas Marcos nunca abandonou o lirismo, avesso que era às coisas densas da vida. A poesia era o seu porto seguro. Morreria assim, mesmo se chegasse aos cem anos, dizia.
Crucial o viver daqueles dois amantes. Rosane era exuberante em sua clareza. Marcos se encolhia no constante degustar de flores.
Um dia, sem justificar o ato, Rosane destruiu o jardim da casa. No lugar das flores, surgiu uma piscina térmica sofisticadíssima. Marcos, engolindo suas lágrimas, deu adeus às rosas, tulipas, gérberas, palmas, samambaias e avencas.
Anos depois, num canto da casa, escreveria, em versos, a história de sua vida, alheio a tudo e a todos. Acompanhava-o um copo de suco de flores, com dois cubos de gelo .
Dos seus olhos, pingavam lágrimas perfumadas.


PÁGINA Nº 5

Ivone Boechat ©

Mulher


Um aroma suave
exalou das mãos do Criador,
quando seus olhos contemplaram
a solidão do homem no Jardim!

Foi assim:
o Senhor desenhou
o ser gracioso, meigo e forte,
que Sua imaginação perfeita produziu.
Um novo milagre:
fez-se carne,
fez-se bela,
fez-se amor,
fez-se na verdade como Ele quer!
O homem colheu a flor,
beijou-a, com ternura,
chamando-a, simplesmente,
Mulher!

Mulher madura

Esse ar puro oxigenado de maturidade
me dá o aspecto de que já vi tudo na vida,
disposta a rever a própria vida.

Este sentimento de mulher humana
me dá o direito de viver feliz,
inspirando segurança,
como se já tivesse tudo o que quis.

Esse jeito felino ou de criança
me dá a certeza de ser forte como nunca,
agarrada nos braços da esperança.

Essa determinação de chegar faceira,
sem ter que explicar nada
nem dizer porque,
me dá a sensação
de estar no auge da vida,
a vida inteira.

Sou mulher

Sou mulher,
com as aflições e a inspiração do poeta,
o esplendor e a serenidade... das mães!

Sou uma canção de ninar!
Experimentadora dos sabores do tempo...
Estrela da constelação familiar.

Sou letra e música da canção
do mais puro sentimento,
que a mulher é capaz de cultivar.

Sou feita com a síntese
do segredo de amar!
Tenho duas fases: minguante e cheia,
assim como o luar!

Opção

Quero ser amada
do meu jeito:
assim como se amam
as flores!
Amor contemplativo,
pensado,
refletido,
terrivelmente evoluído.
Quero ser amada
do meu jeito:
sem pretensões
de posse,
possuidor,
possuído.

Traição

Hoje,
que as memórias se esvaem,
e os amigos fogem de mim,
só tenho minhas poesias
como amigas
confidentes,
mesmo assim,
impertinentes,
sem rima e vazias
não inspiram a menor confiança:
elas também me traem.

Que mulher é essa?

Que mulher é essa
que não se cansa nunca,
que não reclama nada,
que disfarça a dor?
Que mulher é essa
que contribui com tudo,
que distribui afeto,
tira espinhos do amor!
Que mulher é essa
de palavras leves,
coração aberto,
pronta a perdoar?
Que mulher é essa?
que sai do palco,
ao terminar a peça,
sem chorar!
Essa mulher existe,
sua doçura resiste,
às dores da ingratidão.
Resiste à saudade imensa,
resiste ao trabalho forçado,
resiste aos caminhos do não!
Essa mulher é MÃE,
linda, como todas são.

PÁGINA Nº 6

Nancilia Pereira ©

Canto de Mulher


Descreve do jeito que quiser
O meu modo de ser,
Meu jeito de existir.
Descreve do jeito que quiser,
Descreve sem omitir
Que também sei sonhar,
Que luto para amar,
Pois meu nome é mulher.

Descreve meu jeito suave
Nas palavras seguras,
O sorriso no olhar tristonho.
Descreve as agruras,
Explica meus sonhos.
Descreve sem omitir
Que também sei sonhar,
Que luto para amar.
Pois meu nome é mulher!

Descreve meu amor materno,
Meu sentimento fraterno,
A ânsia de ajudar
O outro a crescer.
Descreve sem omitir,
Que também sei sonhar,
Que luto para amar,
Pois meu nome é mulher!

Descreve do jeito que entender
Minha angústia, meu medo
Que ainda menina, bem cedo
Embalou meu ser.
Descreve minha alma de poeta
Que qualquer coisa afeta,
Inspira e faz sofrer.
Descreve como quiser
Que também sei sonhar,
Que luto para amar,
Pois meu nome é mulher!

Descreve a mulher descontente
Que abrigo no peito
Pelo mundo em guerra
Que assola a terra.
Descreve o sonho que levo na mente
De ser feliz um dia,
Alma repleta de poesia!
Descreve minhas dores,
Minhas lutas, meus amores!
Descreve como bem quiser,
Mas não esqueça de falar
Que também sei sonhar,
Que luto para amar,
Que meu nome é...Mulher!

Amor de Motel

Será que é amor
Esse sentimento
Que se alimenta
De beijo,
Sexo,
Desejo,
Que vive o sabor
Do momento?

Amor sem futuro,
De quarto de motel,
De tempo roubado
De um porto seguro
Que está sendo lesado
De modo cruel.

Amor de presente,
Não possui passado,
Não ousa sonhar
Pois pressente
No sonho sonhado
Se decepcionar.

Amor de motel,
Espelho no teto,
Imagem,
Miragem.
Luz de néon.
Cor, som.
Tão pouco
Para tanto afeto
Que se doa
Em prece,
Se oferece
Sem nada esperar,
Mas se magoa
Por não poder sonhar
Com “lua de mel’,
Passeio a dois
Na multidão,
Sorvete na esquina,
Porque a sina
Dessa relação
É um “quarto de motel”

Buquê de... beijos

Sabendo que vago pelas noites a lhe procurar,
Pegou o endereço certo do meu coração
E enviou um buquê de beijos para me consolar
Com a clara e firme prescrição:

“Deite-se com os olhos cerrados,
Com a alma de sonhos, repleta,
Desfaça o buquê, tire os amarrados,
Os beijos vá espalhando irrequieta
Pelo corpo ávido de prazer
Que só no meu corpo se aquieta
E constata a razão do viver”.

Obediente, um a um os beijos vou pegando
E, prazerosamente, no corpo espalhando.

As pernas, o ventre, o rosto, os seios,
Cada parte de mim vai recebendo como pétalas de flor
Um beijo carinhoso, em suaves devaneios
Na certeza que são beijos de amor.

Depois deste ímpar ritual, prazeroso e quente,
Me sinto mais feminina, mais gente.
Estou pronta para dormir tranqüila, feliz,
Não sentirei angústia, medo ou frio
Pois você afastou meu amanhecer sombrio
Com o buquê de beijos que sempre...quis.

Ausência é falta

Minto quando escrevo
Que ausência não é falta.
É falta sim.
Falta dolorida,
Sentida.
Só hoje me atrevo
A dizer que é falta
Que me toca a entranha,
Me esgarça de maneira estranha.

Tua ausência é falta.
É querer sorrir
E não ver nos teus olhos
Este sorriso refletido.
É querer dar carinho
E não ter este carinho retribuído.
É querer falar
E só o eco escutar.

Ausência só não é falta
Quando existe a possibilidade,
Quando não é prolongada
E tem, iminente, a chegada.

Na tua ausência, na tua falta
Tento enganar minha mente
Com tuas lembranças,
Com falsas esperanças,
Mas meu corpo sente
E reclama
Tua presença na cama.

Tua ausência é falta sim.
Preciso do teu corpo dentro de mim.

O instante vivido

Ninguém poderá me tirar
O instante vivido,
O prazer de ter sido tua
E plenamente te possuído.

Ainda que me acorrentem
Eu te preservarei
Inteiro, vivo.
No meu interior
Eu te cultivarei
Ainda que me atormentem.

Podem quedar o meu corpo,
Maltratar minha mente,
Anular-me como mulher
E até mesmo como gente,
Mas nunca, nunca conseguirão roubar
O teu gosto na minha boca,
O teu toque na minha pele,
A tua palavra,
O teu sorriso,
A tua entrega.
Isto ninguém,
Ninguém poderá me furtar.

Estes detalhes
São partes integrantes de mim.
Estas coisas pequenas e infinitas
São minhas, são benditas,
Eu as conquistei através do amor,
Através da dor.
Delas não abro mão,
Não faço opção.

Daí a certeza intensa e forte
De seres meu eternamente.
Mesmo dentro da impossibilidade
E até depois da morte
Continuarei te amando intensamente
Nos mistérios da eternidade,
Porque...o instante vivido
Pode já não ser,
Mas sempre terá...sido.

PÁGINA Nº 7

Jussára C Godinho ©

Vivo a Poesia!


Vivo a Poesia, contida no meu dia-a-dia
Respiro Poesia na dor e na alegria

Sonho a Poesia, escondida nos meus devaneios
Necessito da Poesia para os meus anseios

Abraço a Poesia, que me conduz
Vejo a Poesia tão cheia de luz

Canto a Poesia com o beija-flor
Sinto a Poesia no teu calor

Degusto Poesia com gosto de vinho
Percebo a Poesia no teu carinho

Acredito na Poesia, jorrando magia
Vivo a Poesia, contida no meu dia-a-dia

Vivo a Poesia!
Viva a Poesia!

Poema triste

Na rua o menino
Tão pequenino
Pedindo pão

Meu Deus, que susto!
Que mundo injusto
Que gente tão grande
E sem coração

Que sofrimento
Não tem cabimento
Pobre criança ao desalento
Sem ter solução

Hoje criança nessa situação
Amanhã um adulto
De arma na mão!

Solidão

O dia azul
aguardava o sol
Todos acordavam felizes
e EU, só
Tão só!

O sol quente
dourava a pele
Todos andavam felizes
e EU, só
Tão só!

A água morna
acariciava a pele
Todos mergulhavam felizes
e EU, só
Tão só!

A noite serena
acalentava o sono
Todos sonhavam felizes
e EU, só
Tão só!

A madrugada calma
aguardava a aurora
Todos se amavam felizes
e EU, só
Tão só!

E novamente EU só...Tão só...

Amor a Caxias do Sul

Minha terra tem parreiras
E o bom vinho vem de lá
As uvas que lá semeiam
Nem se comparam com as de cá!

Minha terra tem frio,
chuva, neve e muito vento
e gente que enfrenta desafio
com bravura e sentimento!

Terra forte, do quente chimarrão,
do pala, da bota, do quentão
e de muito amor no coração!

A esse chão d’onde brota a emoção
manifesto toda minha paixão:
te amo com loucura, meu rincão!

Nova estação

Revoada de pássaros,
cheiro de flor,
raios de Sol,
promessas de calor!

Rostos alegres,
gente de bom humor,
ilusões e sonhos,
É tempo de Amor!

Tempos de frio, de chuva
e de muita espera,
mas agora...Tudo azul!
Já é Primavera!

Reflexo da vida

A vida é muito exigente
Nada sente, nada espera
trata da gente exatamente
como a gente trata dela
E é tão preeminete
que se a gente não sorrir pra ela
ela fica de mal com a gente
Então, dialogue com ela
de agora em diante, aja diferente
pense e plante nela
diariamente do sorriso a semente
Nunca desista dela
e ela será sempre complacente
e muito condescendente
trazendo alegria corrente
Lute por ela
e ela jamais será resistente
Seja insistente
creia nela
e ela será sempre surpreendente!

Novo Ano de verdade

Vem nascendo um Novo Ano!
Despontando com liberdade!
Pensemos em tantos desenganos,
rasguemos as páginas da deslealdade
e comecemos com verdade.
O mundo tem fome de justiça,
tem sede de igualdade.
Iniciemos com as premissas
de Paz e Honestidade,
risquemos do mundo a corrupção,
o consumismo, o materialismo,
a discriminação e a falta de união.
Ativemos nosso coração-criança,
enchendo-nos de esperança
e com coragem e confiança
arrisquemos uma mudança,
uma inédita transformação!
Façamos um mundo de Paz,
trocando a violência pela boa convivência,
a intolerância pela paciência,
a dor pelo verdadeiro e fraterno amor,
a desavença pela fé e pela crença,
a falta de entendimento pelo discernimento,
a alienação pela desacomodação
Juntemos todos nossas mãos
e comecemos já essa construção!

O Amor está no ar

O Amor está no ar
A nos embriagar...

Vem logo aproveitar
Com muito suspirar

Um gostoso jantar
Flores a perfumar
Velas a iluminar

O Amor está no ar
A mão a acariciar
Pescoço a arrepiar

Os corpos a suar
Mentes a navegar
Até o dia chegar

O Amor está no ar
A nos embriagar...

Vem logo aproveitar
Como é gostoso Amar!

Ser afetivo

Ser afetivo é querer bem
Mas, antes de tudo, desejar o bem

É disciplina exigir
Mas, sobretudo, apontar o porvir

É, sim, limites impor
Mas, principalmente, mostrar caminhos

É entender e respeitar
Saber ouvir, o diferente não negar

Jamais confrontar
Dar sem muito esperar

É Aprender e... Ensinar

É ajuda oferecer
E nunca ninguém desmerecer

É no outro se perceber

É não desistir
E continuar a sorrir

É amar o semelhante
É, acima de tudo, ser GENTE!

Amanhã...

Tão perto
Tão longe

Perto do tempo
Distante de nós

Incerto
Ainda deserto

O Amanhã...

O que será?
Será que virá?
O que trará?

Amanhã...

Tão perto (?)
Tão certo (?)

Natureza

Natureza, minha irmã!
Debulha beleza
Tanta nobreza
Esnoba realeza

O homem
Tão inconsciente
Às vezes, até inocente
Destrói sem piedade
Matas, rios, fauna e flora
Deixando tudo na saudade

E agora,
O que será do futuro?

Um mundo vazio e escuro
Sem verde e sem ar puro
Completamente inseguro
Feito de pedra e de muro

Das águas só o murmúrio
Dos rios só o lamento
E o homem tão desatento
Deixa tudo ao relento

Esqueça tanta bobagem
E trace sua meta
Põe a mão na consciência
E comece a cuidar do Planeta!

Vamos cuidar do Planeta!

Natal diferente

Que este Natal seja diferente
Indistintamente a toda gente!

Que os já cansados e batidos votos de paz
sejam, desta vez, um a um concretizados
e que o desejo, tantas vezes almejado, seja capaz
de buscar e encontrar no fundo da alma toda a alegria contida!
Que ela venha de mãos dadas com a felicidade
e para a vida estendam os braços
e esses tão sonhados laços
amarrem-se para sempre em muitos abraços!

Que nesta noite de amor
sejam de luz todos os passos!

Que neste tão especial momento
Até mesmo o mais pequenino pensamento
eleve-se ao firmamento
num solene e eterno agradecimento!

PAGINA Nº 8

Juçara Valverde ©

Dilacerar


Vou fragmentar corpo e alma,
Parvati, esquecer a essência.
Despedir-me de Friga, aceitar insistências.
Como Freya ofertar-me a lascívia.
Abrir entranhas messalínicas.
Preciso abrandar o cerne de Eros
nos perdidos braços de Vênus e o ilusório do momento.
Ser Afrodite no fugaz desespero da paixão.
Alma bífida compartilhar desejos ou querências?
Hermafrodito amor de convenções e incontáveis esperas.
Liberta, sumo e sopro ao cosmos.
Realidade:
- Busque a próxima Messalina.

Possibilidades

Vôo arrisca para a linha do horizonte.
Pedra de seixo rolado
aprendo em cada impacto.
Mutação contínua.
Vivo nos contrastes dos amarelos
aos lilases ao fim do dia.
Sou flor que desabrocha e perfuma
nem que seja apenas por uma noite.
Traduções incorretas
distorcem desejos.
Venço difíceis trajetórias.
Insisto.
Não desisto.
Meu Panteon cheio de teias
ainda esconde
um deus não visitado.

Reflexos

Passamos pela rua e encontramos nossos espelhos.
Espelhos das vitrines que mostram as sombras que não percebemos que somos.
Espelhos dos seus olhos que se revelam apenas em pequenas frestas.
Espelho do blindex que impede caminhos.
Espelhos d'água onde confrontamo-nos com nossas faces desconhecidas.
Somos espelhos das pessoas que passam, os outros.
Miríade de sentimentos nossos espalhados em cada um.
Angustias contidas, esperanças acalentadas.
Fragmentos de felicidade guardados como tesouros.
Sigo pelo hoje sabendo que estou feliz.
momento-tempo apenas nosso.
Não deixando tombar o machado dos sonhos perfeitos
ou escutando a vigilante voz do correto e permitido.
Apenas, oferecendo minha boca para outro beijo.
Reflexo do outro que levo comigo.

Tempo

Haverá um tempo pra mim?
Andarei sem lenço ou documento, mas de mão dadas?
Passarei pelo túnel do tempo
sem a preocupação da hora do retorno?
Não sei onde o vento faz curva,
mas me curvo aos dias vazios.
Embriago-me em solitários poemas e música
A lareira não aquece meu abraço.
O coberto não me esquenta.
Minha boca não umedece a que desejo.
O tempo passa nessa Babilônia.
Será que a porta se abriu e eu não vi?

Amante

Amante,
amor,
amiga?
Fugir do marasmo permitido.
Tarada?
Beijo fantasia do desejo.
Ser,
ainda que fugaz,
mulher, fêmea, maga.
Na espera das sombras,
onde momentos felicitam o desejo
permitir no hoje.
Emoções desfrutando no agora.
Esquecer as desistências do ontem.
Entregar o corpo
no descompasso taquicárdico.
Emoções roubadas da vida à força.
Lutar por ter,
sendo apenas instante.

Beijo na boca

Bocas em tensão,
por tesão ou por amor.
Troca de calores.
Ir as nuvens.
Perder o rumo.
Libertar o vazio.
Encher a alma de prazer
Esquecer de tudo,
por um instante.
Ser sem conter.
Ter,
apenas,
beijo na boca.

Desejos

Quero você hoje, agora, tenho pressa.
Apressa a des-culpa
Vem, me abraça!

Quero você hoje, agora, tenho pressa.
Encontra meu olhar.
Sorri pra mim.

Quero você hoje, agora, tenho pressa.
Pensamentos preencheram meu dia
na certeza do tê-lo por perto.

Quero você hoje, agora, tenho pressa.
Tenho medo.
Sem partida ou despedida, mesmo que vestida.

Preâmbulo

Nas horas cheias me faço princesa
Arranjo os cabelos
Perfumo o corpo
Reforço os encantos
Sou carinho

Nas horas vazias não sou rainha
Avalio sentimentos
Refaço poemas
Retardo desafios
Não estou completa.

Nas horas cheias sou mulher
Navego entre anseios
Cubro-me de enfeites
Procuro
Sou desejo

Nas horas vazias me percebo senhora
Revejo preconceitos
Destruo julgamentos
Passa o vento-tempo
Não vou a luta

Nas horas cheias quando sou fêmea
Assanho as brasas
Acalento a fogueira
Atiço a cobiça
Sou chama

Nas horas vazias encontro o espelho
Momentos voláteis
Esqueço a procuro
Retardo a partida
Não tenho reflexo

Nas horas cheias sou Vênus
Almejo o preâmbulo
Disputo o espaço
Ocupo pensamentos
Sou volúpia

Sensações

Nos porões da esperança
brinco como criança
na busca de meus tesouros;
memórias esquecidas.

Entre sombras e baús,
meus fantasmas imaginários
rodopiam seus mágicos bailados,
desengonçados.

Participo da festa.
Deixo a espera vadia,
entraves e outros porquês
do lado de fora.

Recolho pó, teias e cacos.
Limpo, organizo,
desentulho...
Libero espaços.

Desbravo o sombrio.
Rompo,
abro janelas.
Feixes de luz bem-vindos.

Espaço readequado,
conquistado.
Aurora.
liberto a alma.

Sentimentos

Dispo-me aos olhos teus de palavras não ditas.
Nessa fantasia enlouquecida de vida na vitrine,
onde prazeres fugazes suplantam amores.

No sabor da minha pele
tenho a memória da vida
dos dias por onde passo, passo-a-passo

Registrado no meu corpo.
trago o cheiro das manhãs,
das busca diárias e das noites de espera.

Já os meus sons seguem a brisa da vida,
a rota do tempo
e o calor das fogueiras internas.

Meus desejos entre o outono e a primavera
são brasas vivas alimentando a ilusão
da chegado do verão.


PÁGINA Nº 9

Sônia C. Prazeres ©

Apelo


Para que os sinos toquem nos templos interiores
Para que se perceba os delírios e as dores;
Para que a fome seja somente opção... jejum,
Para que se converta a palavra oca
Em olhares, em versos mudos de atenção.
Para fazer emergir da miséria um grande homem;
Para que mudemos na raiz, em espírito!
Para que não erijam mais palanques
No centro das praças gritantes,
Enquanto ronda a miséria pelas esquinas.
Para que não ponham preço de coca nos nossos infantes
Para que não se vendam mais tenras meninas,
Nosso grito incessante, entoado, levado,
Lavado de amor eterno com ou sem poesias
Cheio de esperança nas rimas amenas...
Para fazer crescer as almas pequenas.

Pejo

Estou presa por demais à humanidade
E vaga o meu olhar pela cidade
Pelas calçadas, pelas esquinas marcadas
Dos sofrimentos que exalam

Sou pranto que fica mudo
Que espanta o verso enfeitado
Que vê o pedinte jogado
No frio que me gela as cobertas

Sou navalha cortando as arestas
Das roupas das empregadas
Das mãos todas recortadas
De tanto trabalho sem troco

Meu vôo fica pequeno
Os céus me jogam de volta
Quando vejo essas favelas
E o mundo que lhes revolta

Ah me perdoe!
Esta que escolheste por parceira
Vai te arrancar de vôos lindos
E trazer cheiro de lixo

Não posso deixar de ver isso
Quando o belo me atordoa
E neste canto, sinto que fico devendo;
O encanto me descorçoa

São gente, essas pelas ruas
Almas minhas e são tuas
E andam tão desvalidas...

Nem sei por onde começo
Se sigo ou se só tropeço
Nesse ensaio de tantas vidas.

AVE !

Os que vão morrer te saúdam
E te erguem as paredes
Da casa de luxo
Do teto que nunca terão.
Os que vão para o esquecimento
Sem nunca terem sido notados
Só sabem trabalho e migalhas de pão.
Os que vão morrer te saúdam
E limpam o chão onde passas
E lavam as roupas que vestes
E catam o lixo da porta
Que tua fartura arranjou.
Os que vão morrer te saúdam
E rezarão respeitosos
Na cova onde pousarás
E velarão os teus restos
Com o mesmo desdém
Com que os vistes também
Agora, e na hora de tua morte...
Amém.

Melodia

Certas músicas embalam
Danço contigo
Como se as estivesses ouvindo.
Suporto quase no limite
A minha mão vazia
O meu corpo apartado.
Certas músicas parecem ter nascido
Para trazer
Um pouco mais de morte.
Então, levanto e sorrio
Por te encontrar meu par
Dançando amorosamente
Mãos dadas, rosto colado...
Mergulho inteira nessa melodia
Nesse espaço...
Vazio imenso que sem ti,
Se abriu por todo lado.

Vinhas

Preferia as cores dos cachos
Das uvas das vinhas, da cor do riacho
Que a gente não tinha.
Preferia teus cachos roçando meu dedos,
Aquecendo esta alma
Que cruzava o infinito...
Acaso, advento, razão, paixão e argumento;
E teus cachos na palma da alma.
Preferia as horas do gosto das uvas,
Que vinham das vinhas
E quando não vinhas,
A esperança era certa,
Como os dedos guardados nas luvas.
Teus olhos adornando estes contornos,
Tua voz amansando a alma,
Teu sorriso iluminando em torno.
Ah como era bom quando vinhas!
Sempre vinhas...
E os vasos sanguíneos floriam,
E as uvas eram delícias de sumo e de vinho,
E os cachos certeza macia entre os dedos
E tudo era exuberante... eternamente carinho.

Canção da saudade

Canta a canção das horas que não vejo
Das veias que dilatam
Dos urros que esbravejo
Segue o contorno desses dias ancorados
A um presente que resiste
Por força do passado.

Canta a canção das horas que eram tuas
Alegria do som da tua voz – a minha cura
Ainda ronda os sentidos, ainda te procura.
Horas debruçada nos limites do teu rosto,
E plena de teu mundo, de teu gosto,
Retinha teu carinho em desmesura.

Canta a canção e acorda a que tão bem conheces
Que sonha, que sabe de delírios
E algumas alegrias porque não te esquece;
Acotovelada à janela da eternidade
Anda mouca para os sons que antes ouvia
Enquanto teu cantar não acontece.

Sonho de seda

Senta à sombra
Dessa saudade que sobra
Que te sente e se
Desdobra
Incontinente e faceira.
Senta ao pé da nossa cama
Olha em volta
E se esparrama
No tanto que tudo ainda é teu.
Se achegue mais um pouquinho
Leva um sopro desse carinho
Que nunca mudou de endereço
Depois parte sem que eu perceba
Entrega-me ao sono
Que o sonho é de seda
Macio teu abraço
E eterno de meu.

Queixume

Expresso a minha queixa nesses versos
Reclamo essa indolência e o momento
Que as horas apressadas, sem apelos
Retalham, tiram cores e argumento.

Nas faces nascem rugas mal sabidas
Passando pelos dias que se perdem
A vida entra em contenda descabida
Crio poesias e elas não me servem.

Fui deixando um encanto em cada esquina
A vida se atirou, seguiu-me a sina:
Felicidade se espalhou desmesurada

Persisto nos delírios que te trazem
Sondo ruas, busco aquelas alegrias
Só em sonhos tenho a luz da tua estada.

Teu silêncio

O teu silêncio é o barco moroso
encostando no trapiche;
É o olhar, pra um mundo de paz
que nunca seria alcançado,
se você não existisse.
Teu silêncio é olhar de longe
E ver a casa amarela
escondida em meio a mata;
é seguir a trilha de areia
e afugentar bicharada.
Teu silêncio dói...aumenta
quando olhando pra varanda
vejo dois velhos que espiam
a trilha vazia por onde não chegas.
Cresce no som da buzina do barco,
que avisa que vem chegando
e a gente sabendo que agora
sempre vem você...faltando.
Teu silêncio, anjo querido
são asas pelo meu quarto
e as coisas tão desfalcadas...
Olho em volta, me procuro;
quase não tem murmúrio:
silêncio... esta alma segue a toada.

Alisa

Essa aridez
Esse pano de fundo que não vira
Essa mesmice empedernida
Atávica ...prurida

A barba de longe é lisa
Mas de perto...a pele recém barbeada
é lisa...alisa!...

O asfalto visto do alto é liso
Mas de perto, se caio, se rolo,
Me ralo... é ralo!

A pele que avisto lisa
Se esbarro, é chama e poro
Me queimo...me valho!

A dor vista de longe é pouca
Mas na pele que rola no asfalto
Se rala
E na pele que queima, arde
É dor...
Desconhece atalho.

PÁGINA Nº 10

Linney Jeanne Palma ©

Quero


Quero nova forma
de chamar teu nome.
Como semente que brota
na minha boca
purificada de esperança,
quero chamar teu nome
em todas as madrugadas,
quando corpos quentes
ondulam-se de amor.

Quero chamar teu nome
nas calçadas furtivas
onde derramam-se os amores.

Quero chamar teu nome,
sorrir teu nome
nos meus lábios,
sem mistérios.

Quero guardar teu nome
na minha pele...

Dor secreta

A minha dor é quieta...
secreta.
É um livro fechado,
um brinco guardado
em alguma gaveta,
uma flor amarelecida
escondida
numa página qualquer.

É cena vivida
numa foto antiga;
é brinquedo quebrado
esquecido
em alguma prateleira da infância.

A minha dor faz ninho
e aconchega o pensamento.
É um sofrimento solitário,
rosas vermelhas
de pétalas caídas,
é sudário...
A minha dor
é secreta.

Inquietude

Não te seguirão
meus pés descalços
que pisam
pedras tortas.

Não dormirás
na minha inquietude,
ficarei só.

Escreverei
a minha melancolia
nas madrugadas,
mansamente,
incansável.
Deixarei tua ausência
chegar silenciosa
até que eu adormeça.

PÁGINA Nº 11

Eda Carneiro da Rocha ©

1- Amor, simplesmente amor!


Amor não é idade marcada .
Ah! O Amor acontece,sem com isso se importar.
O Amor é Simplesmente Amor!..

O que sinto, agora, neste momento,
esta vontade de te ler a alma,
de cair, em teus braços,
de te dar um beijo,
te possuir, sem mais delongas,
sem me importar com o que dizem,
com o que pensam de mim...

Não me importa minha idade,
amarei até morrer, pois sem amor, não posso viver!..
Que tenha cinqüenta, sessenta ou mais, como tenho.
O importante é o sentir, pois estou firme, vigorosa,
cheia de seiva benfazeja que me preenche,
transborda de vida, quando atinjo meu clímax.

Isso tudo é Amor, Simplesmente Amor,
que quero deixar, como herança aos que amam,
aos que sentem, como eu, a maravilha de viver,
pois sem ti, Amor, sinto-me morrer!..

2- Sensualidade

Despojando-me de minhas vestes,
te espero, quase nua,
sentindo em meu ser,
esta paixão não escolhida
luz do meu viver!..

Espero-te, nesta sensualidade latente...
Mexe com meus nervos e sentidos
que não vê a hora de se entregar
nesta espera total, abusiva e avassaladora!..

Tremo, como um pássaro, em tua mão!
Este momento é tão desejado
que fecho meus olhos, abro meu corpo,
me entrego ,nesta orgia de um amor acalentado,
selvagem e doce que me leva a um paroxismo fremente,
a uma angústia total ,em que serei tua
serás meu, nesta sensualidade à flor da pele,
que chego a ficar quase demente!..

Sou tua, toma-me, possui-me,
mostra-me teu amor,
amado,
querido,
meu,
teu,
nosso,
até o orgasmo total!..

3- Cartas de amor

Relendo-as, eu te vi...
olhos nos olhos, boca na minha,
alma , na tua.
Coração com coração...
Finalmente, esta canção!

Para nós ,uma Carta de Amor que aquecerá
nossos corações...
Distância, sim! Saudade, não!..
Sairei correndo, carta na mão,
para te embalar em meus braços ,só teus...

Cingirei teu corpo amado,
não te deixarei sequer falar.
Cobrir-te-ei de beijos leves e ousados...
Esperarei teu olhar súplice ,me pedindo amor.

Eu o farei ! Ah! Se o farei...
Enquanto aqui estivermos,
beijos de amor, cartas de amor, em minha mão,
mas perto de ti, para as ler com suavidade,
leveza na alma, pés no Infinito ,
bailando sempre nossa canção,
com tuas cartas na mão!..

4- Se eu morrer amanhã

Se eu morrer amanhã
quero te ter hoje,
te conhecer
e te amar.

Quero levar de ti,
os beijos que não troquei,
as carícias que não tive,
os abraços
que não dei.

As madrugadas que não vivi,
a cama vazia em que acordei,
sentindo-te contra mim,
me procurando sem te achar,
pois não estavas ali.

Estava a te procurar tanto
que passei pela vida e não te vi.
As lágrimas que verti,
os olhos cansados
olhando o infinito,
e vendo só a ti.

Se eu morrer amanhã,
quero a certeza
que te tive um dia,
para poder contar
aonde for
que foste meu
uma vez,
um minuto,
que não deu nem para um beijo,
pois estava tão perdida
que me perdi neste minuto.

Amando-te desta maneira,
passei pela vida
e nada vi,
pois só via a ti.
Nada mais procurava,
nem a ti achava...
Na minha loucura de te amar,
perdi a noção do tempo.
Te perdi
dentro de mim,
pois nunca o tive.

E, continuando essa busca,
se eu morrer amanhã,
serei feliz!
Te procurei,
não te encontrei
mas só te amei!

5- Balada de um louco!

Só!
Caminho!
Não queria contar ...
Perdi o meu amor!

Fugiu de mim!
Rápido, como se fosse o zéfiro.
Frio, passou por mim!
Enregelou-me a alma e o coração,
tudo parou de bater!
E do eterno tic-tac,
nada mais ouvi!..

Parei,
amei,
olhei:
Prados,
borboletas,
flores esparsas,
pássaros me olhavam,
pensavam:" Está Louco"!

Coitado, disseram
todos os meus companheiros!
Louco ficou!
Ficou louco de Amor!

Onde andará Ele?
Esse Amor que carrego,
dia à dia,
noite após noite,
sorvendo minha taça de fel!

Não! Nao agüento mais!
Peço:
" Volta"!
Vem pra mim!
Não posso viver assim :
Abandonada,
dilacerada,
perdida,
nesta floresta mágica,
encantada!

Agora, o vento uiva.
Uiva, como eu,
que estou com a alma a gemer,
e o corpo como migalhas
de ilusão, espalhadas pelo chão!

E, nessa Balada de Louco,
só te peço:
"Volta!
Beija-me!
Toma-me!
Acorda,
pois sou só tua!
Sem ti, não consigo mais viver!..

Confesso:
"Sou Louco!..
Volta pra Mim!..

6- Apartei-me de ti!

Hoje, depois de muito pensar,
apartei-me de ti!
Pensei,
supliquei,
roguei!
As lágrimas lentamente,
desciam,
pelo meu rosto,
como água,
salgada do mar
levando tudo
que me fazia te amar!

Era tanta a saudade
que resolvi, num lampejo de coragem,
apartar-me de ti!

Triste fiquei,
ave sem ninho,
não mais águia planando,
pássaro pequeno te esperando,
para receber um roçar de penas,
para não sentir o quão longe estavas!

E, agora, nesta solidão resolvi
que não quero,
não posso,
não devo,
nunca mais
apartar-me de ti!

Pois és a minha vida,
a minha lágrima triste ou não
que tenho para chorar ou rir,
para me aproximar de ti!..

7- No fundo de teus olhos

Teus olhos, eu os amo, tenho necessidade deles...
Que tudo passe, mas não viverei sem eles.
Como um farol, eles me iluminam em toda parte.
Eles me dão vida,
eles me dão sempre Amor!..

No fundo de teus olhos eu sinto a doçura,
eu sinto O Senhor que nos ama
que tudo compreende, tudo perdoa!

No fundo de tua alma, eu me encontro,
eu te digo , eu te amo. Ah! Como te amo...
Minha vida te pertence, e sou apenas tua!..

Faço uma prece e peço a Deus
todo o Amor desta vida para nós...
Que nossos dias sejam mais belos,
cheios de Felicidade e de Traqüilidade...

Que possamos encontrar a Paz
a Saúde e o Amor, sempre o Amor,
enquanto vivermos neste mundo,
terei meu coração ,
" No Fundo de Teus Olhos"!..

Francês tradução
Au fond de tes yeux !

Tes Yeux, je les aime, j'en ai besoin...
Que tout passe, mais je ne vivrai pas sans eux.
Comme un phare ils m'allument partout.
Ils me donnent de la vie,
ils me donnent toujours de l'Amour!..

Au fond de tes yeux, je sens la douceur,
je sens le Seigneur qui nous aime
qui tout comprend, qui tout pardonne!..

Au fond de ton âme , je me rencontre,
je te dis, je t'aime . Ah! Que je t'aime...
Ma vie t'appartient et je ne suis qu'à toi!..

Je fais une prière et je demande à Dieu
tout l 'Amour de cette vie pour nous...
Que nos jours soient plus beaux,
pleins de Bonheur et de Tranquillité...

Que nous puissions trouver la Paix,
la Santé et l'Amour, toujours l'Amour,
tandis que nous vivons, dans ce monde,
j' aurai mon coeur
Au Fond de tes Yeux !..

8- És para mim!

És para mim,
Meu suave cantar,
Minha alegria enaltecida
Dos meus dias a orar,
Uma suave canção à luz do luar!..

És para mim, a presença de Deus
que me acolhe neste amor
que vive a te exaltar!..

És para mim todas as flores do campo
que fico a imaginar...
O Sol que me aquece, quando sinto frio,
A luz que me irradia ,meu doce raio de luar!..

És para mim tudo o que desejo
neste amor tão belo e singelo
com teu carinho, teus beijos,
nestas noites frias ,
em que preciso de me aquecer
com o teu calor, fonte do meu viver!..

És para mim ,tudo o que desejo.
Vem, pra mim, não me faças morrer
sem o teu amor, juntinho de mim,
pois se esperar mais um pouco,
sei que vou enlouquecer!..

Vem!
Vem pra mim,
Não me faças mais sofrer.
Vem!
Te espero hoje, sob as estrelas.
E, quando vieres ,traze todo o teu calor
Para fazer de mim teu mundo multicor!..

9- A conexão de nossas almas

A conexão de nossas almas é algo que só nós podemos
explicar. O que faz com que tenhamos tanto carinho e sentir
no espaço essa conexão misteriosa, que nos faz permanecer
juntos?
Onde quer que estejamos, há um elo, algo que nos prende
a esse ser em forma de comunhão de almas, sintonia fina
nos nossos dias. E, não há como saber o porquê. São ondas
que nos levam à presença deste sentimento, em forma de todo o carinho do mundo.
E, só desejamos que esse ser esteja bem, esteja conectado
com esse Deus maravilhoso que nos protege tanto...
Através dessa telinha, eu o vejo, com os olhos do amor,
desejando-lhe o melhor de mim mesmo. É o encantamento
presente em nossas vidas, que nos faz aqui voltar, com tanta
assiduidade, para saber, se ele está feliz, se passou bem o dia, se precisa de um abraço ou um beijo ou de um como vai você,
no dia de hoje, para não se sentir tão isolado na imensidão deste mundo.
E, cada dia, estamos aqui, irmanados com você, para lhe dizer que você é muito amado, sim. Que você é importante, que sua vida é necessária a todos nós nesta telinha da Internet e na vida real.
Estimo e quero que você receba hoje todo o meu carinho em forma de uma grandiosa conexão de espírito e um abraço bem forte no seu coração.
Fique em paz e sobretudo ame e se ame.

10- Meu sapatinho de Natal!

Em cima da janela
meu sapatinho espera por você, Noël!
Desejo que você o preencha com Carinho,
Paz e Amor!

Não quero presentes materiais;
Quero presentes que vou compartilhar
com meus amigos:
A Alegria, A Saúde, A Amizade, a Paz e
o Amor!

Quero escrever muitos poemas
que possam falar da Paz,
essa visionária Paz,
tão procurada e nunca encontrada...

Orando e pedindo ao Pai Noël
muitas bênçãos , nesse Natal,
vou colocar meus sapatinhos
que ficarão sempre à espera,
nessa Noite de Natal!..


PÁGINA Nº 12

Sandra Almeida ©

Ausência de mim


Namoro a Lua, com olhar ausente,
nesses momentos uma transeunte,
passeando pela vida, despindo-me.
Amores acariciam minha epiderme

Meu mundo nu denuncia as renúncias.
E uma válvula muda busca minúcias,
como louca atenta para meus egos,
fundindo-os!Ficam meus arroubos!

Fico crua e choro, busco em mim,
desbotada: Era vermelho carmim!
Revoo como ave de rapina e tento,
num afago, comedir esse tormento.

Refreio desejos, como se viajassem,
Quem sabe, para o infinito?Ou jazem?
Calada angustio-me a devaneios loucos,
que calados se fartam e se fingem poucos!

Eternidade

Quando eu partir para a eternidade,
quero ir devagarzinho, sem medos,
de estar indo e deixando saudade,
quero ir leve, deixando meus segredos.

Nessa viagem deixarei meu abraço,
num gesto secreto de minhas mãos,
em seu corpo, num sublime entrelaço.
Minhas lágrimas ocultas secarão.

Quero ir sorrindo pra vida nova .
Sei que te encontrarei repentinamente,
pois a cada dia nosso amor renova.
E no infinito há sempre uma semente!

Nosso encontro será um grito mudo,
meticulosamente executado pelos anjos.
Os ventos do verão ao ouvido dirão tudo,
numa fração de segundos... arranjos!

Magia da poesia

A poesia é enigma da alma
não tem fala.
Tem magia natural
são partículas sonoras.
Amplitude singular da alma!

Nunca queiras entender um poeta,
pois ele é indescritível e harmônico,
a poesia sussurra.
É um mundo incomunicável,
apenas sons, que a poucos convém.

O poeta dá voltas ao mundo,
num pedaço, de papel,
não tente segui-lo.
Pois se perderá nesse reino,
que transcende inquietude,
correndo o risco, de não mais voltar!

Intuição

durmo com fantasmas
loucos, sonhadores e
sutis que revertem dor
e embebidos de carícias
vagueiam noite afora
na busca de sabotar
pensamentos embutidos
no meu inconsciente
pra transformá-los
num poema de amor
melancólico, impregnado
de versos tristes e que
imite a arte de amar
sem ser amado.
acordo e afasto-os!

PÁGINA Nº 13

Iolanda Brazão ©

Amo-te


Vou ficar esperando
Contando as horas
Os minutos, segundos,
Que me separam de você.
Vou olhar para o céu,
Contar as estrelas
E assim ver o tempo passar.
Vou ficar aqui esperando
Por este amor.
Vou ficar aguardando
O tempo virar.
O vento mudar de direção.
A maré subir.
O girassol se abrir.
Não me importo qual estação.
Espero-te com coração
Abarrotado de amor.
Não vou chorar.
Vou rir de alegria.
Você é minha magia.
Presente maior encantado,
Minha jóia.
Meu tesouro.
Razão de todo meu amor.
E quando o sol surgir...
Abrirei portas e janelas
E o deixarei para sempre
Entrar na minha vida.
Curar minhas feridas
E ensinar-me como amar.
Não adianta meu amor
Vou ficar aqui a te esperar
Passe o tempo que passar
Estarei aqui
Neste mesmo lugar
Pronta para te amar
Não vou deixar ninguém
Ocupar o seu lugar
Pois meu amor é só seu
E você o amor meu
Amo-te...

Amor de esperança.

Pela manhã acordo e chamo por ti.
E não te vejo.
Mas sinto tua presença junto a mim.
Mesmo sem te ver posso te sentir.
Pois vives comigo.
Habitas em um lugar que é só teu.
Nele és soberano.
Mesmo na ausência...
Não há tristezas.
Tenho a certeza deste amor.
Não há dias escuros,
Nem nublados.
Quando o coração transborda de amor.
Nele existe a esperança sorrindo,
a cada amanhecer.
A alegria se faz presente,
em cada pensamento.
Em cada lembrança.
Quando à noite caí.
Deito em minha cama,
para sonhar com teu amor.
Então te tenho tão só meu.
Confiante adormeço e sonho.
Amanhã é um novo dia.
Quem sabe podes chegar ao raiar do sol.

Eu era feliz e não sabia

Antes tudo era calmo, tranqüilo!
Todos se conheciam e reconheciam-se.
Havia amizade, cumplicidade!.
E automaticamente diante disso a felicidade.
A inocência era conseqüência.
Hoje em dia só violência.
E tudo não existe mais.
O progresso chegou destruindo tudo.
Os valores de ontem já não são os mesmos hoje.
A televisão ta aí pra excitar...
Pra distorcer e ensinar.
O capitalismo lucra com a destruição da família.
Pra poder fazer mais um lar.
E assim mais a ganhar.
E o que vemos na rua é assustador.
Assalto, tiroteio,arrastão.
Na verdade muita confusão.
Hoje ninguém conhece ninguém.
Todos se fazem refém.
Vivendo diante de tanta ameaça e insegurança.
Eu era feliz e não sabia.
Mas o tempo não volta atrás.
Quem viveu viveu.
Resta agora relembrar.
Quem não viveu, ficará na saudade.
E ainda assim não terá lembranças.
E se ainda rezar muito, terá esperança.
De viver em um mundo igual ao de outrora.
Já eu e você que vivemos esta gloria.
Ficamos com todas as lembranças.
Pra podermos conta nossa história..

Mulher

Mulher.
Olhando assim frágeis.
Indefesas.
Gatas manhosas.
Princesas
Ah mulher...
Chegaste para despertar.
Seduzir.
Encantar.
Criar polêmicas.
Ironizar.
Com o passar dos anos.
Demarcastes teu lugar.
Agora podes ir onde bem entender.
O fogão já não é tua distração.
Flutuas graciosa pelo salão.
Indo do baile a reunião.
Conquistastes com garra tua emancipação.
És graciosa, faceira!
Às vezes até feiticeira.
Fada encantada.
Não mais gata borralheira.
És especial.
Menina, mulher!
És gloriosa.
Doce.
Formosa.
És tudo que desejares ser.
Mas cuidado...
Prestem bastante atenção.
Em um picar de olhos,
podes virar um dragão.
Para isso basta em ti tocarem a mão.
Então ninguém te conhece mais...
De gatinha manhosa viras serpente.
É só te sentires ameaçada.
Injustiçada.
Trapasseada.
Ah mulheres.
Melhor contigo viver em paz.
Pois não sabem de fato,
do que és capaz.
Por vezes nem precisas falar.
Lanças tua mensagem no olhar.
És privilegiada.
Por Deus fostes abençoada.
Pois dentro de ti,
a semente que provê a vida.
De teu íntimo brota a força amorosa.
Que nutre, regenera e ressuscita.
És soberana
Senhora
Rainha
És mulher e ponto.

PAZ & AMOR.

O mundo pede PAZ.
Esta palavra lançada aos quatro cantos,
que nos enche de esperança, sonho, encanto.
É de uma complexidade sem fim.
Pronunciada assim parece simples.
Mas não é tão simples não.
Não adianta encher os pulmões,
clamar em alto e bom som pela PAZ.
Temos antes de tudo ter equilíbrio.
Esta capacidade de controlar emoções,
Comandada pelo coração,
que pode desencadear revoluções
desentendimentos, guerras.
Temos de nos vestir de amor.
Este sentimento sublime.
Que tudo pode mudar, revolucionar,
transformar as pessoas e o mundo.
É preciso ter generosidade, solidariedade.
determinação, perseverança.
Muito amor no coração.
Para só então lutar pela PAZ.
Quando isso de fato acontecer.
Dentro de cada um de nos,
este sentimento pulsar.
Aí então podemos gritar.
Eu quero a PAZ.
O mundo precisa de PAZ.
PAZ & AMOR.

Palco

A magia sempre me encantou.
A música me alucina
A dança me leva a loucura
Daí minha procura
Por todas essas coisas, em uma só!
Foi então que encontrei um certo lugar.
Onde todas essas coisas moram lá.
Lá onde não há o preconceito
de sexo,cor, nem idade!
Lugar feito de mentiras que viram verdades.
De verdades que passam a ser mentiras.
Onde as cores são de um brilho mais intenso.
E a leveza, a beleza se fazem presente!
No ato de representar.
É neste lugar que me realizo.
Transformo-me, assumo outras identidades.
Brinco com a multidão,
que não reclama, aplaude, pede bis!
É neste lugar, que consigo ser feliz.

Recado de amor

Voa pensamento,voa.
Leva toda a tua magia.
Junto leva a minha alegria
Por ainda poder pensar.
Voa,vai ao encontro dele.
Diz-lhe que
só nele vivo a pensar.
Que a amo profundamente.
E que por ele suporto esperar.
Que penso nele,
Muito ...Tanto ...Tanto.
A todo o momento,
em qualquer lugar.
Que não consigo um só segundo,
nele deixar de pensar.
E pensando,eu sonho.
Idealizo:
Olhos nos olhos.
O abraço apertado
Sentir o calor do seu corpo.
O sabor do seu beijo.
Vai,voa ...
Diz-lhe isso a ele.
Para marcar um lugar.
Onde nos possamos encontrar.
- Para fazer o que?
Não brinques,não ironizes.
Aqui não posso falar.
Direi exclusivamente a ele.
Na hora que a encontrar.
Enquanto isso:
Para de bisbilhotar.
Dá o recado...
e volta para o teu lugar.
Que eu agora vou,
com ele voltar a sonhar ...

Você é o meu amor

Caminhando pela vida, em primeiro lugar, ao amor procurei...
E nesta busca, por entre os muitos espinhos que achei,
Pétalas de flores também encontrei:
Das mais variadas cores, tamanhos, perfumes...

E destes poucos e belos amores vividos,
Poucos tinham atravessado o meu peito,
fazendo nele alguma pequena morada.
Até que um dia eu encontrei... você!
Um amor maior, maduro, arrebatador...
Encantada, contigo quis compartilhar minha vida,
meus sonhos, minha realidade, minhas fantasias.

Não foi nada fácil, confesso!
Pra ter você tive que enfrentar uma luta insana.
Nadar em rios de serpentes,
Viver intrigas, vencer invejas, apagar chamas.
Mas... Tudo fiz! Tudo enfrentei
Porque o meu coração, transbordando de paixão,
Dizia pra mim que você seria minha maior realização...
Meu tudo, minha vida, meu tesão.

Por você, se preciso fosse, eu começaria do zero.
Enfrentaria as mesmas batalhas,
Combateria as mesmas gentalhas,
Para chegar novamente aonde chegamos...
Lá onde só quem realmente ama,
Consegue fazer do dia a dia da vida,
realização, cumplicidade, poesia, fogo, chama.

Volto para te amar.

Vou romper todos os elos,
Que me separam de você.
Vou fechar as cortinas,
apagar as luzes e sair de cena..
Vou em busca de mim.
Para poder chegar até você.
Antes disso não quero especulações.
Vou silenciar.
Quando eu puder de fato voar,
Livre de amarras eu volto.
Enquanto isso:
Farei um acordo com a saudade,
inventando ilusões.
Mergulharei na realidade.
Exorcizo os falsos amores.
Deleto este passado frio.
Zero o contador.
E volto para ser feliz.

Zerando tudo

Houve um tempo de minha vida,
que tudo era você.
Eu respirava você.
Necessitava de você.
Queria só você
Cheguei até escrever minha primeira poesia,
dedicada a você .
Veio então o encanto.
Depois a alegria.
A realização maior.
Logo depois a desconfiança,
destruindo seu perfil .
Ainda assim, queria você!
Mesmo sem saber por quê.
No entanto as fantasias
pouco a pouco ,
destruíam minha realidade.
Sentia saudade do que não tinha.
Passei a ser infeliz.
Comecei a emitir sinais...
Esperneava, gritava, esbravejava!
Fazia loucuras, precisava chamar atenção.
Ainda assim, você não me via.
Nem tão pouco me ouvia.
Só percebia o tempo passar.
Contudo não conseguia alcançar.
Comecei a falar mentiras.
Vi você aplaudir.
Resolvi falar a verdade .
Fui torturada humilhada.
O carrasco passou a me chicotear,
negar-me um pão e a me expulsar.
Sofri, chorei .com estes fatos.
Que falta de humanidade.
Eu ali, sem ninguém por mim.
Só, indefesa na toca dos leões,
Cercados ainda de aves de rapina.
Odiei...
Amaldiçoei você .
Precisava cortar os laços.
Libertar-me.
Pra não ver meu próprio fim.
Estava a um passo da loucura ,
Devido às guerras de nervos, torturas.
Nada tinha solução .
Só confusão, confusão, confusão!
Agressões verbais, corporais.
Peguei o pouco que me restava.
Assim partir, procurei meu caminho.
Só Deus sabe quantas muralhas,
tive que atravessar.
Com a ajuda de Deus, pude me estruturar.
Mesmo fragilizada,
com o coração estraçalhado,
sacudi a poeira, dei a volta por cima.
Mas procurei esquecer seu nome,
para não lembrar tanta maldade,
tanta infelicidade .
Mas o tempo é sábio.
Só ele cura tudo .
Depois de tanto absurdo.
Finalmente a compreensão .
O amor o perdão.
Tudo passou...
Ficaram as marcas,
que não podem ser apagadas.
Pois que são vidas.
E vida é pra ser celebrada.
As coisas ruins devem ser deletadas.
Contudo uma grande amizade,
deve ser preservada .
Pra todo sempre cultivada.
No caso a nossa...
Pra ser fotografada,
Com autógrafos no rodapé
e virar peça de museu .
Afinal de contas...
Não é todo dia,
que se tem a alegria,
de ver pessoas especiais,
feito eu e você.
Que atravessaram tempestades, Vendavais
e continuam de pé.
A sabedoria prevaleceu .
O bom senso tudo venceu.
Agora é hora de reflexão .
Chega de confusão .
Vamos celebrar a paz,
a compreensão, a vitória .
Vamos brindar !
Zerar o contador e seguir em frente.

PÁGINA Nº 14

Lùcia Laborda ©

Dorme poeta!


Porque diante das superficialidades grotescas
da humanidade,
os seus doces poemas, parecem até surreais.
Dorme poeta!
Sonha com o mundo cheio de cor, pois assim,
seus belos sonhos, traduzem beleza e amor, em
tons naturais.
Dorme poeta!
Porque enquanto seu canto encontra guarida,
nos corações apaixonados;
a criança sorri, o homem se encanta, a mulher
tem esperança!
Dorme poeta!
Porque nos gestos cortês, de pequenos atos, é
que se mantêm vivos:
a flor e o amor. E essa mensagem, o mundo
alcança.
Dorme poeta!
Divague na emoção, mesmo acordado; embale
os sonhos
dos apaixonados e leve um sonho, a esse
mundo tão desencantado!...
Dorme poeta!
Traz a luz do sol, o encanto, a magia da lua e o
cintilar das estrelas,
mostre em sua poesia, que assim, tudo será
transformado.
Dorme poeta!
Descanse os olhos, que em lágrimas escrevem;
as dores do mundo,
o canto das fadas, que trazem esperança de ver
tudo mudado...
Dorme poeta!
Porque os seus sonhos, não só escrevem, mas
transformam em letras,
histórias de amores profundos.
Dorme poeta!
Pois sem os sonhos, o que há de ser da vida,
escrevendo apenas;
o caos, o desencanto e a frieza da razão?
Dorme poeta!
Sonhe, ainda que acordado, viaje em seus
devaneios
alce vôos intermináveis, siga a intuição...
por que ser poeta?... é viver no limite da
emoção!

Amor

Porque a vida, me fez pra você!
Porque tudo que sou, me da a certeza que Deus,
me fez, exatamente, a sua medida.
Porque o mundo não existe sem você.
Porque essa luz, que ilumina meus passos,
emana de seus olhos, me trazendo paz, me fazendo
sorrir.
Porque quando estou a seu lado,
nada mais existe e eu vivo um momento único.
Porque em seus carinhos, consigo vencer os percalços,
esquecer os problemas e apenas, estar pra você.
Porque quando estamos juntos,
sinto, que por mais que tente dissimular,
é só meu e em plenitude, vejo a paz tomar conta de
seu coração.
Porque quando canta, lindas canções para mim,
é a sua alma querendo me dizer,
o quanto sou importante.
Porque em nossos momentos, a vida nos sorri.
Porque sinto em seu corpo, a mais pura emoção.
Porque percebo, quando me beija, que não só o corpo
deseja,
mas quanto sua alma me quer.
Porque é mais que sublime ser sua mulher.
Porque mais que a linguagem possa dizer, sinto, estou
em seu coração.
Porque amo, muito mais que possa supor,
muito mais que qualquer imaginação.
Porque esse amor que venceu a barreira do tempo,
as intempéries da vida, a dor da saudade,
me fez transformar em versos os meus sonhos,
na minha mais doce emoção.

No silêncio da noite

No silêncio da noite
luzes se apagam,
desejos afloram,
amores se animam,
paixões se declaram

No silêncio da noite
bocas se buscam,
corpos anseiam,
olhos procuram,
mãos que tateiam

No silêncio da noite
se fazendo menina,
a lua mulher
revela desejos,
como quem nada quer...

No silêncio da noite,
sob as estrelas do céu,
pensamento distante
procura seu rosto,
nesse horizonte.

No silêncio da noite
saudade que dói.
Lágrimas escorrem,
nos olhos de mel,
esperanças que morrem.

Boa noite meu amor

Boa noite meu amor!
Nessa hora, em que a saudade se faz dor
sinta o pousar dos meus lábios nos teus.
Contigo é sublime o adormecer,
tão sublime quanto sentir tuas carícias,
que me fazem estremecer.

Tão profundo é o meu sentir!
Tão imenso, que fica difícil exprimir.
E nos meus doces sonhos
encontro teus olhos castanhos,
a tua voz, suave feito canção,
me desnuda, me faz só emoção.

No encanto do teu sorriso
faço do teu corpo um paraíso.
No teu suave toque, enlouqueço,
em teus afagos, entonteço...
No sonho de uma noite encantada,
no calor dos teus braços, fico extasiada.

No deleite desse meu sonho,
fecho os olhos e me exponho,
em teus braços, nem quero acordar...
Mas, chega a hora, não tem jeito,
abro os olhos, apenas te sinto em meu peito,
já não consigo mais te abraçar.

O sol e a lua

Era uma lua menina,
que o doce sol encantou.
Cujo perfume do luar,
em desejos transformou.

Era uma lua prateada,
a quem o sol se declarou
espalhando o seu aroma,
quando seus lábios beijou.

Era um lindo sol dourado,
que essa lua aqueceu,
encheu-se então de vida,
pelo amor que lhe deu.

Eram nuvens de algodão,
um mar cheio de ilusões,
um sonho de quimera,
onde viveram emoções.

Um dia o sol se foi
e a lua tão triste chorou;
se escondeu por trás da terra,
pela saudade que ficou.

Mas por obra do destino,
o sol reencontrou a lua,
que de tão embevecida,
lhe mostrou sua alma nua.

Então o sol envaidecido
Sorriu e sua face beijou,
despertando aquele sonho,
em esperança transformou.

Nesses sonhos e desejos,
enquanto a lua, o sol beijar,
entre tantos desencontros,
esse amor teima em ficar.

Chora o encanto da lua
aquece os raios do sol;
que de tão grande amor
vagueiam pelo arrebol.
Doce sedução

Nesse céu estrelado,
na luz da lua cintilante
dancei em seus braços
e em seus lindos olhos
me vi, toda brilhante.

Na brisa da noite calma,
no frio que me arrepiou,
estremeci o meu corpo,
em seus doces lábios
quando me beijou.

Nas gotas de chuva,
numa doce sedução
caminhei sobre nuvens,
lhe escrevi um poema
fiz uma linda canção.

No corpo em que lhe abrigo,
nesse habitar de emoção,
onde fiz o seu ninho
guardei sua linda alma,
lhe entreguei meu coração.

Sem ti eu não existo!

Fechei os olhos
andei em silêncio
na minha emoção.
Em tudo que sinto,
em tudo que sente,
este meu coração.

Olhei minha vida
decodifiquei a alma
fui em minha razão:
em tudo que penso,
em todo momento,
na minha ilusão.

Procurei na memória,
em todo meu ser...
nada mais encontrei.
Rebusquei no passado
vi um futuro esboçado,
de mim, nada guardei.

Descobri sentimentos,
lágrimas e sorrisos
no meu íntimo mundo,
quando vi tua imagem;
sorrindo feito miragem,
deste amor tão fecundo!

Hoje sem ti,
não me vejo,
sem teu calor,
não me acho;
sem teu carinho,
de mim desisto.

Se por dentro,
em todo espaço,
só tu vives,
meu denguinho...
é porque sem ti,
eu não existo!

A arte

A arte é um meio de vida,
uma forma de expressão.
A arte é um vaso de barro,
Um instrumento tocado,
um pincel na mão.
A arte é um sapateado,
uma dança de rosto colado,
uma busca da perfeição.
A arte é um eterno canto,
que traz sempre um encanto,
em cada composição.
A arte que traz no interpretar,
a arte de saber viver
e a arte de fazer sorrir,
também faz compor...
Que traduz em uma tela,
um desenho sedutor;
o belo, surreal, o impressionismo
e em suas crônicas
um mundo em desamor.
A arte que compõe, dança,
pinta, rabisca, canta,
modela, interpreta, vive e se encanta,
é a mesma, que em suas prosas,
traz a luz da razão
a mais pura emoção,
em todos as suas formas.


PÁGINA Nº 15

Tere Penhabe ©

Desencontros


Que bom seria a todos se pudéssemos,
Simplesmente escolher a quem amar.
Se em nosso coração, todos tivéssemos,
Preservado, o direito de optar...

Se por amor, o que nos propuséssemos,
Fosse a alegria, a paz e o bem-estar,
E nenhum mal, em tempo algum, fizéssemos,
A quem quisesse, nossa alma abraçar.

Que bom seria! Mas nunca é assim.
A vida toda, amei, amei demais...
Gastei meus sonhos nos meus tristes ais!

E nem por isso, amei menos a mim.
Mas houve um dia, que a dor foi tão forte!
Eu não pude evitar de amar a morte...

Destino

Essa estranha engrenagem que comanda,
Os nossos passos dados pela vida,
Que ora é linha reta ora ciranda,
Dão nome de destino à referida...

Nem sempre competente, pois desanda,
Por intempéries, danos e guarida,
Que falta ao sonho e torna-se nefanda,
Fazendo da esperança uma perdida.

Então deixa de ser tão impoluta,
A sina, irmã gêmea do destino,
E passa a ser a reles prostituta...

Muito dorida em pleno desatino...
Minha sina viveu... porém, com luta,
Hoje brinca feliz como um menino.

No nevoeiro

Perdida na neblina, forte e densa...
Porém, não se perdeu meu pensamento.
Pois quanto mais distante, mais se pensa,
Alguém que não se esquece um só momento!

Ousei sonhar... (que estava tão propensa!).
Dormindo e acordada, um sonho lento,
Nostalgia a me envolver, suave e imensa,
Levou-me para as nuvens, como o vento.

Procurei uma ilusão no nevoeiro,
Como se eu fosse, a tão doce menina,
Que se perdeu no ar, em algum lugar...

Após o que viveu, não quer se achar...
Amar é ver de novo o sol nascer,
Em meio à espessa névoa, sem querer!

Para você, que era meu sol...

Você era como o sol na minha vida...
Brilhava sempre tão intensamente!
Era o passado, o agora, o de repente,
A melhor forma dela ser vivida...

E sendo o sonho e a fé que o revalida,
Não exigia empenho, simplesmente.
Pois mesmo sendo assim, tão displicente,
Em tempo algum deixou-me ressentida.

Hoje que tantos anos se passaram...
Vejo que o amor não sabe contar tempo,
Que nada mais passou do que um momento...

E os seus sorrisos sempre me embalaram,
Na rede preguiçosa da saudade,
Que de tão velha já não conta a idade.

Taça vazia

Tenho a taça vazia entre meus dedos
E penso cabisbaixo em meus segredos.
Os finos vinhos tanto a transbordaram,
Minha alma e coração se embriagaram...

Enganos me trouxeram muitos medos,
Por isso fiz da vida só folguedos...
Um dia li os jornais que publicaram,
A notícia com a qual me abalaram...

Morrera abandonado no seu ninho,
Aquele que me amara por inteiro,
Dentre todos, talvez, o verdadeiro!

Mais triste, segui em frente o meu caminho,
A banhar os meus risos no luar,
Dedicando meu amor só para o mar!

História de um palhaço

Quando um sorriso pousa em faces róseas,
Dessas crianças vivas, buliçosas,
Por cambalhota que um palhaço deu...
Ninguém percebe o mundo gira em volta...
É paga a um coração que sem revolta,
Aceitou as linhas que a sina escreveu.

Porque detrás do riso de um palhaço,
Sempre se esconde um grande pedaço,
Da frustração que a vida lhe ofertou.
Jamais alguém consegue fazer rir,
Se não tiver um pranto a digerir,
Do sonho lindo que alguém lhe roubou.

Certo dia perguntei para um palhaço,
Qual razão destinava àquele traço,
No seu destino que era ser doutor.
Ele me disse: - Queres escutar?
- Senta-te e espera que vou lhe contar,
A minha história sem nenhum louvor.

Nesse momento seu riso morreu,
Homem de fé tornou-se mero ateu,
Nos bastidores do seu coração...
Eu poderia até jurar que vi,
Pranto que não correu mas eu senti.
Porém pode ter sido só impressão...

De cabeça baixa, ele foi murmurando...

"Eu tenho uma alegria nesta vida,
Que não me deixa vê-la combalida,
E ninguém sabe quanto eu dou valor.
Eu muito me realizo no que faço,
E tenho orgulho de ser um palhaço,
Nesse trabalho eu ponho muito amor.

Já fiz de quase tudo nesse mundo...
Mas ao cair no poço fui bem fundo,
E até pensei não mais me refazer.
Como o navio naufraga em alto mar,
E vê rato por rato mergulhar,
Eu vi perto de mim acontecer.

Amigo que era como meu irmão,
Que eu precisava tanto aquela mão...
Vi Pilatos tomar o seu lugar.
No começo busquei muito a razão,
Porque se rebelava o coração,
Mas no fim foi preciso acreditar.

Minha casa repleta de banquetes,
Sempre cheia, velhos, moços e pivetes,
De repente ficou triste e vazia...
Na rua ninguém me cumprimentava,
E nos lugares por onde eu passava,
Todo mundo ao me ver, se constrangia.

Sem aquele ruído de encher taça,
A churrasqueira com carne e fumaça,
Amigos e parentes debandaram.
Ninguém gosta de estar com perdedor,
Muito menos saber sua grande dor,
Apenas os credores me ficaram...

Eu tinha duas grandes opções,
Para cada uma delas, mil razões,
Precisei pensar um pouco e escolher...
Na primeira o horizonte me acenava,
O mundo é grande e a sorte me esperava.
Minha segunda escolha era morrer...

Como creio mais na vida que na morte,
Tem um único Dono a minha sorte,
Naquela madrugada eu fui embora...
Ninguém sequer pensou me procurar,
Não deixei nenhuma conta a pagar,
Razão pela qual a saudade aflora...

Muitos caminhos no mundo eu trilhei,
Colhi de tudo nas voltas que dei,
Mas algum traço, fiz errado eu creio...
Porque num dia triste de verão,
Eu vi sangrar tão fundo o coração...
Partindo sem recurso bem ao meio.

Vou te poupar, mulher, desse pedaço...
Foi simplesmente adeus sem um abraço,
Porém já está no céu quem me deixou...
E novamente tive as opções...
Que debruçaram sobre as ilusões:
- Chorar ou rir foi só o que me sobrou.

Confesso que chorei, não me envergonho,
Tem vez que o mundo fica tão medonho!
Graças a Deus alguém me levantou...
O ser de luz do qual fui responsável,
Por sua vinda ao mundo, tão louvável!
Depois vi que a procela se acalmou...

E por amar a vida tanto assim,
Fiz a promessa de mim para mim:
- Que quando fazer rir, eu não puder,
Em tempo algum jamais faça chorar!
E se para cumprir, eu precisar,
Palhaço, com orgulho, eu hei de ser!"

Paisagens

Em algum dia eu fui o amanhecer,
Que viu tanta magia acontecer,
De sonhos salpicados no meu céu,
Brindando à vida que ganhei de Deus,
Na doce concessão de amados meus,
Fazendo da alegria um escarcéu...

Depois o tempo fez de mim um raio,
Que é da tempestade o vil ensaio,
E o temporal se fez em minha vida...
Espalhei dores que colhi também,
Ternura nunca tive de ninguém,
E se existiu passou despercebida...

Tornei-me um iceberg poderoso!
Rodeado do escuro tenebroso,
Que marca a ferro aquele que sofreu...
Mesmo com o calor à minha volta,
Muito maior que tudo, era a revolta,
Mas hoje eu sei que o amor me derreteu!

Não mais que de repente eu virei mar...
Que aceita tudo pronto a abraçar,
Serenidade é minha meta agora...
Na dor desatinada vi a lição:
- Brigar, jamais! Sou pura aceitação.
E o que não posso ter me leva embora.

Dos meus naufrágios eu cuido sozinha,
A natureza é mãe mas não só minha,
Do mundo, tenho a parte que me cabe...
Eu não cultivo mágoa de ninguém,
Mas quero perto os que me fazem bem,
E os que não fazem, cada um, já sabe.

Não espero mais do que eu mesma entender,
Que nessa vida esteja a merecer,
Mas menos nunca aceito e está acabado.
Perdôo sempre que alguém me pedir,
Mesmo que assim eu possa denegrir,
O meu conceito ao mundo apregoado.

Às vezes, na mentira, finjo crer,
Até que alguém consiga me entender,
Saber que não sou dona da verdade...
Se acaso achar que pode me enganar,
Mais tempo do que eu mesma tolerar,
Saiba que então já é mediocridade.

O sol empresta a sua luz ao mar,
Que abraça a luz sem medo de acabar...
Eu quero ser, tal qual o mar, assim:
- Não desejar o que não aconteceu,
E não chorar o que ainda não morreu...
Banhar-me em luz sem medo de ter fim.

Para você, que não amo...

Você chegou de mansinho,
Meio arisco, reticente...
Como chega um passarinho,
Que está procurando ninho,
Mas não quer contar pra gente.

Falou tanto, tanto tempo!
Falou quase sem parar.
A prosa sem contratempo,
Virou doce passatempo,
Continuei a esperar...

Sabendo que para ouvir,
Não tinha pressa nenhuma...
Comecei a refletir,
No que eu estava a sentir.
No mar, aumentava a bruma...

Não chamaria de medo,
Mas tampouco de coragem...
Senti ao ver o rochedo
Acenando o meu segredo,
Como quem faz sacanagem.

Naquele exato momento,
Num ato de covardia
Fugia-me o pensamento
Quase gritando o lamento,
De não ter quem eu queria.

E a tarde foi cochilando,
Nos braços daquele mar!
O sol, de leve apagando,
A lua e estrelas chegando,
O dia foi se deitar...

Meu sonho eu vi tropeçar,
Entre as pombas na pracinha...
Querendo se embriagar,
Para esquecer, apagar
Toda a fé que já não tinha.

Se fosse como eu queria,
Como tudo que esperei,
Bem mais tempo esperaria,
Se eu soubesse que teria,
O encanto com que sonhei.

Certeza veio depressa:
- A gente ama a quem ama!
Que razão bandida é essa,
Contra a qual ninguém se estressa?
Dorme no chão tendo cama...

Mas quem manda é o coração!
A vontade é uma mucama,
Que aos caprichos do patrão,
Como o amém de uma oração,
Entrega-se e não reclama.

Eu só pude comprovar,
Tese antiga e pardacenta:
Esse tal de verbo amar,
Que vive-se a procurar...
Amor nasce, não se inventa.

E quem dera a todos nós,
Que se pudesse escolher...
Rio nenhum escolhe a foz,
Que seja lento ou veloz,
Só espera acontecer.

E me dói ter que falar:
- Minha foz não é você...
Por mais que eu ande a rolar,
Sobre as pedras rumo ao mar
Basta olhar, qualquer um vê...

Eu não tenho desejado.
Acontece sem querer...
Meu coração descarado
Gosta de ser desprezado...
O que é que eu posso fazer?

Sonho antigo

Sonhei ontem assim, do nosso jeito,
Que ultrapassou as raias do perfeito,
Na bela sinfonia à natureza...
Ouvia bem o som de passarinhos,
Que alegremente chegam nos seus ninhos,
Como quem nunca viu tanta riqueza!

Ao longe o marulhar de uma cascata,
Arrancava do peito, sem bravata,
Um verso antigo que não quis voar...
Você chegava bem devagarinho,
Beijando meus cabelos de mansinho,
Pedindo que o deixasse duetar.

Mas não nos versos, nesta vida linda,
Que a gente descobriu e foi bem-vinda,
Ocultos nesse abrigo de nós dois...
A tarde vinha então caindo mansa,
Como uma nuvem que no céu balança,
E tudo era tão lindo no depois...

No céu, o azul fazia grande festa,
A lua nos pedindo uma seresta,
E um querubim gritando: - O amor é lindo!
Seu riso misturava-se de leve,
Ao meu, que percebi, ficava breve,
Ao som da noite que já estava vindo.

Nos acordes finais da melodia,
Colhia um pouco mais dessa magia,
No ocaso que deitava sobre a serra...
Mas de repente eu vi que entristeceu,
O seu olhar, que eu sei, nunca foi meu,
E um anjo mau chutou-me para a Terra...

Naquele desespero ainda tentei,
Salvar do triste fim o que sonhei,
Mas não dei conta pois me faltou sorte...
Eu vi tombar meu sonho derrotado,
Tão triste, tão puído e amarrotado...
Quando nasceu pensei que era tão forte!

São tantas peças que a vida nos prega!
Pelas vielas onde se trafega,
E quase tudo morre de repente...
Em qualquer inventário do destino,
Resta-nos sempre o insano desatino,
Da bruxa que parece displicente...

Mas ela que se ocupe de outro alguém,
Porque sem ela eu vivo muito bem,
Dispenso a morte aqui na minha instância...
Volto a dormir sem medo de acordar,
E sei que novamente irei sonhar,
Desse meu jeito, como lá na infância...

Fim de caso

Mais uma vez o show chegou ao fim,
e o fim é sempre triste de se ver,
cansativo, previsível, dolorido...
porém, rigorosamente inevitável!

Siga em paz o seu caminho.
Dessa vez não compro o morto, eu passo...
também não conte com o meu abraço.
Abrace-se ao espelho,
o seu melhor companheiro!
E nem precisa ter medo de se ferir,
nenhum estilhaço pode lhe atingir,
porque você não enxerga nada,
além do seu próprio umbigo...

Vá em frente, moço!
Mas não comigo.

Dispenso o lenço branco,
as lágrimas de crocodilo,
mentiras também, não são bem vindas.
Nessa área fiz mestrado, doutorado
conheço das mais feias às mais lindas,
mas meu tempo é precioso demais,
para gastá-lo com mentiras...

Não precisa de desculpas,
tampouco me acenar...
Vá depressa ou vá devagar,
mas vá! Eu quero paz.
Não olhe para trás!

Na verdade, ouvindo essa música,
foi fácil entender, viajar mais além:
- "Você sabe muito bem...
No nosso caso,
felicidade, começa num adeus..."

E a hora é agora!
É triste porque eu nunca quis,
mas me desculpe, eu tenho pressa,
preciso ser feliz!

Se é por falta de adeus...
Au revoir...
Tschüss
Viszlát
Arrivederci
Adios...
Adiaŭ
bye bye...
...

PÁGINA Nº 16

Clevane Pessoa de Araújo Lopes ©

Encosta-te a mim


Venho de tempos idos e viajo para tempos novos.
Desço a encosta do desejo,
baqueada de sol quente, mas
inebriada pela luz de mel.
Suada,
exalo o cheiro aéreo das borboletas
que visitaram cravos.
Ah, voejei até mesmo em densas florestas
além do nosso jardim
-enquanto, guerreiro do cetro mágico,
guerreavas numa peleja
inútil e convencional, sem mim.
Eu,que agora vou ao teu encontro, para amparar-te,
sarar tuas feridas com minha seiva mágica.
Feiticeira, banhei-me
em pétalas de lírios, cravos e rosas
e minha pele inteira
tornou-se a tua cura.

Encosta-te a mim,
serei o totem onde os signais e os signos
revelarão as fórmulas da doce embriaguez amoROSA.
Mulher, ofereço-te meu graal.
Dentro de mim, alastra-se um fogo eternal,
no alabastro do corpo,mas a pele é morna.
Se tens fome,oferço-te a Poesia
de minha alma em pomar,
que alimenta
com maná e ambrosia.
Se tens sede,dar-te-ei meu leite.
minha saliva,meus humores.
Degusta-me.
Se queres dormir, transformarei
meus braços em rede.
Cantarei uma berceuse
inventada na hora da neblina.

Encosto-me a ti, quando te encostas a mim.
e juntos, seremos uma estela pela PAZ,
uma estrela a mais,
um círio na janela ,
chama votiva a tentar iluminar a harmonia
e simbolizar a quase impossível, mas real
perenidade dessa paixão
que não se acaba, que não desaba,
porque estamos um ao outro encostados
na encosta do desejo, apoiados
pelas costas um do outro.

Degusta-me e te ensinarei
a eternidade dos deuses...

De uma pessoa, para um Pessoa...
(para Fernando Pessoa, que brilha em meu sobrenome, dentro de minha alma)

Tantas pessoa num só Pessoa,
numa pessoa apenas...
para o olho de teu próprio furacão,
converge cada nova persona,
antigas personalidades,
que agora vêm à tona,
uma uma...
Multifacetas tuas faces,
teus aspectos,
qual ímã,atrais a multiplicidade
de tuas inspirações...
E te desdobras,quais tiras de papel,
serpentinas carnavalescas,
que se sobrepõem,sanfonadas,
uma às outras agarradas...
pensas quete multiplicas,
mas te divides,fragmentado
em ti mesmo...

Teu protagonismo é um leque,
unidade feita de varetas...
As facetas têm rasgos
de tua inspiração,
compõem-se no teu imaginário
recameado de estrelas.
És tu próprio, uma constelação
de poetas, mas todos têm apenas um coração...

La mujer y la ventana

El viento traía el murmullo de l'água
.La mujer lloraba
por la misma causa recorriente:
la lucha por la libertad...
De vez en cuando,
por la ventana abierta
la mujer, ardiente pero melancólica
miraba en el espejo del aire
-observaba el vuelo
de los pájaros libres
encima del mar, en el horizonte rojo.
(Creo que con esta imagen
se podría elucidar la realidad
de la mujer ;
limitada en su espacio
en los años que fueren negados
muy arraigada en cuentos de hadas,
pero limitada
en ciertos deseos...
para las mujeres, el amor

non constituye el mismo sentido
que para el hombre...)

Pero parecía aliviada, ahora...
Casi cerró los ojos que le doían...
Cerró las manos...
Pasaron unos minutos...
El hombre, arrastando los pies
se acercó
sussurandole al oído:"Adiós"
_"Adiós", repetió la mujer
-parecía en reposo,
sin la percepción de la dolor
de l'alma padeciente...

Un calor abrasador la invadió.
Las venas de sus manos
sobresalían,azuladas,
como ríos en fuego, todavía...
Las palmas, con los dedos encorvados
llevaban el compas indeleble
de las vibraciones de la furia...
Esperó hasta que la puerta
amarillenta e pesada
se cerró, como para sellar el adiós.
Una vez más,solamente sola,
in soletude
pero renovada...

El calor, la ultima expresion posible
tanto en el comiezo
com en el termino
profundamente sumergido
a las raíces de su cuerpo.
Repentinamente el viento
sibilla en las ventanas...

En la vivencia, el hombre
-objeto amado de deseo
se haya convertido
en su problema...
La pasion
se haya convertido
en distancia e ausencia

A menudo...

Las semillas
del sueño
son la negación
del tiempo...

Las semillas
del amor
son la invención
del posible...

PÁGINA Nº 17

Lêda Selma ©

Soledad


Soledad no es apenas
sentirse solo,
sofocarse en la nada
y apagar las estrellas.

Soledad no es embriagarse
en la soledad del miedo,
quedarse a la margen del sueño
o de lo silêncio del río.

Soledad es, sobre todo,
saberse visceralmente
vacío.

Instante

Siéntate aquí,
bien junto a mí,
escucha atento mis ojos,
pon mi corazón en su regazo
y tu deseo en mi vientre.
Es noche.
Y el tiempo
tiene todo tiempo.

Siente los pasos de mis dedos
sobre tus caminos de fuego,
desata tus miedos todos
y deja el sueño escapar.
Ven.
El tiempo
es madrugada.

En el milagro del instante,
tranquiliza tu desasosiego,
acoge esta voluntad febril,
hace de la entrega una tregua
y deja la verdad huir.
Es día.
Y el tiempo
tiene prisa ahora.

Fui tuya

Fui tuya
hasta cuando soporté
estar sola
y tuve el coraje
de mantener el peso
de tus miedos
y de tu soledad.

Certeza

Es preferible
el silencio
de las dolores guardadas
y la soledad
de las saudades envejecidas,
que el rastro sin dolor
de la nada.

Déjame

...fingir la saudade
que no llegó
ni ha enviado aviso.

Déjame mentir
la ausencia insípida
del sueño muerto.

Déjame sufrir
la verdad
de esta mentira
vacía hasta
de dolor.

Vuela

Sí tu sueño
es mayor que tú,
alarga tus alas,
destroza tus miedos,
amplia tu mundo,
dimensiona el infinito
y parte en busca de la estrella...
Vuela alto. Vuela lejos.
Vuela libre. Vuela.
Y desparrama por el camino
la soledad que te robó
tantas fantasías,
tantos cariños
y tanta vida.

PÁGINA Nº 18

Zinah Alexandrino ©

Anúncio


Procura-se um homem:
Bonito, inteligente,
Sensível, paciente,
Amável e cortês.
Que seja romântico,
Espirituoso e tolerante
Homem normal...
Ah, o mais importante!
Com ótima situação financeira
Pois não suporto a idéia
De viver de brisa
E depois tem um detalhe,
Eu nunca andei de limousine.
Se você não se enquadrar
Neste anúncio
Não liga ta?

Catarse

Meu terno amor insubmisso alcança
As nossas solidões dissimuladas,
Tão igual a folguedos de criança
Com densidade de ânsias indomadas.

Atiçando ainda mais os meus desejos
E tantas inquietações incontidas,
Tu me correspondes com os teus beijos
Dentre os nossos delírios suicidas.

Teu êxtase rasgando um grito mudo,
E nossos corpos explodindo em chamas,
E me sussurras: O amor é tudo...
Tudo é mais belo, porque tu me amas.

Que tempo já faz

Que tempo já faz
Que eu não ouço
A palavra “Amada”
Que tempo já faz
Que não falo a palavra “querido”
são ecos distantes
Que não ouço mais
E eu tenho saudade.
Que tempo já faz
Que não sinto
Uma louca paixão
E por este amor
Cometa algum desatino
Ou um pequeno deslize.
Que tempo já faz
Que não encontro
Um amor que balance
O meu coração

Nepotismo

Um prefeito foi eleito
Na cidadezinha do interior,
E contratou para assessor,
Seu irmão que é professor.
Todo o secretariado,
Ficou por conta dos cunhados.
Sua mulher que é costureira,
Alem de primeira dama
Também virou tesoureira.
Com o tempo,
O prefeito nos lesou
Com o apoio da quadrilha.
Portanto foi deposto
Com toda a sua matilha.
O vice assumiu e substituiu
Família por família.

Poema reduzido

Queria te fazer um poema
Como ninguém
a alguém
Algum dia,
nunca escreveu.
Um poema lindo,
muito lindo...
Só teu!
Imaginei mil versos
Que de ti lembrassem.

Não encontrei no vasto universo
de palavras
Sentido algum
com a idéia que tenho de ti.

Por isto eu fiz um poema pequeno,
Com duas palavras apenas:
Amo-te!

Canção do desejo

Se eu fosse o sol
Só apareceria durante o dia
Pra te despertar.

Se eu fosse a lua
Só iluminaria a Terra
Pra te namorar.

Se eu fosse a bruma
Só chegaria a praia
Pra te esconder.

Se eu fosse as flores
Só exalaria o meu perfume
Pra te extasiar.

Se eu fosse música
Os meus acordes
Só ressonariam para o teu deleite,
Meu amor!

Tribal

Nesta luta moral
Com linguagem cifrada
Defendo meu pão salutar
Não deixo que me tirem
O lugar que galguei
Nas muralhas do tempo
Para do mal me livrar.

Quando fugi do meu ócio
Nas minhas andanças de nômade
Garimpei entre os cascalhos do mundo
As raízes do bem imutável
Caminho agora ao encontro
Dos filhos de Israel
Cansei-me das confusões de Babel.

Aportarei no último milênio
Em uma das doze portas das tribos
Descerei com a Santa Cidade
Cantando o Hino da vitória
Comerei do fruto da árvore da vida
Dormirei no repouso do mestre
E habitarei eternamente nos céus.


PÁGINA Nº 19

Márcia Leite ©

Poema de chuva


amo como à alma da chuva
que sobe no vento até minha janela
como ao arco-íris do céu à montanha
onde mora minha Senhora das promessas

amo como ao sol que nasce
todo dia por trás dos montes
onde a lua brinca de esconde-esconde
com as 3 marias e com as musas que persigo

amo a teoria de deuses astronautas
entre goles da alquimia vermelha
no long drink que me ofereces
me alimentando em doçuras afrodisíacas
quando te incentivo, como quem canta calada
- para que não ouças e rejeite a magia
uma canção para matar teus vampíricos
trágicos desejos obsessivos
antes que eles - agora com inocentes máscaras
te suguem todo o sangue
e [de novo] te matem

amo como o vinho que escorre
pelo céu da boca até o fundo da alma
e me inunda de fogo e saudade
do que [contigo] ainda não vivi sob este céu

amo ouvindo tua estranha teoria de nêutrons e átomos
em conversas que – acredito – só tens comigo
e que incentivo – deliciada –
como mantras para afastar teus trágicos enganos
e reviver tua essência desprezada

amo não como se ao último
não como se eterno
eu te amo simplesmente do agora
até o próximo morrer.

Só no meu, sem despedida

quando a alma se cala e o vento pára nos galhos da palmeira
- que ainda assim balança ao tempo – e da araucária que abriga a teia
que alimenta a aranha que teceu o sonho
o pé de amor[a] amadurece os frutos que me ofereces à boca
(dos beijos onde guardas teus segredos)
e que já não adoçam as palavras que me pensas

tanto desejei noites de inverno no alto de um pequeno monte
coberto de verde, sob um teto de vidro por onde estrelas
nos enfeitariam de eternidade - numa cama macia de simplicidade, entre algodões rústicos tecidos nos teares dos dias cúmplices -
noites do sonho que hoje silencia
ao abrigo da tempestade

o sentimento que trava a língua - e mil vezes mata o coração que ama - esconde a vida que implora: “Acorda, refaça o sonho que foi embora.”

a insanidade da fantasia - que cega e destrói por pura vaidade –
me remetem à sobrevivência, girando a roda sem pressa,
voltando o tempo que diz: “Siga, avance mundo afora.”

resta a estrada desconhecida, os ensinamentos do Buda,
o Amor do avatar que louvo
- e que me guarda sempre que imploro por nova vida e sorrisos livres.

meus pés acostumados à terra nua, sem calçados que os limitem,
sangram a canção que não desisto nas letras das músicas que dedico
a teus olhos sãos (não esses, os de outras vidas),
para dentro deles e do teu coração (quando envelheceres)

por tua alma antiga que conheço
(entre as linhas do teu próprio desconhecimento)
deixarei gravada no meu peito aquilo que poderia ter sido nossa história

só no meu, sem despedida.

Filme Noir

Luar praquê?
Se a lua é quase nada
- nem é minha.
Se a madrugada é insônia
lágrimas filme noir livro de Kafka.
A lua – que teima e brota –
já não prateia a mesma língua
é espelho de maldita
poesia morta.

Filhos

É uma dor crescendo
Um aperto no útero
Um desconsolo no peito
Saudade dos meus meninos
Crianças
Que eu podia ninar

Crianças
As embalamos no colo
Secamos suas lágrimas
Sopramos o remédio
Direto na dor
São nossas as mãos que procuram
Quando tropeçam nas pedras

Crescidos choram escondidos
Rejeitam tua mão
Tuas palavras
São adultos
Não te reconhecem mais

Murcho o olhar sob a chuva
Embaçando a montanha
Que na rigidez de seu prumo
Me acolhe
Nesses dias de Inquisição
Não me condeno à fogueira
Fiz o melhor que conhecia
Retiro da minha farmácia o mercúrio
Que todas as feridas me ardam
Sangrem
Rasguem
Mas imploro cura para as deles.

Passagem
(a José Leite)

quero passar despercebida
entre as pedras e águas
que correm mansas e decididas
a caminho do mar

o olhar perdido no roxo dos ipês
que anunciam a casa de meu pai
registrará apenas para mim mesma
essa passagem de farsas e mutações

as noites de encantamento
visitando galáxias e constelações
olhos atentos às imagens do universo
são saudades de coração antigo
procurando alento para as pequenas tragédias
e continuarão, mesmo além
no espaço que conquistei

as palavras que cresceram comigo
que brotaram e jorraram seguidamente
aguçando o presente
ficarão nas lembranças dos amigos
só deles, mais ninguém

é meu desejo testamento
para os que me amam digo:
quero passar despercebida
me deixem ir embora comigo.

Abismo

Estive a um passo do abismo
e com certeza lá era o limbo
alguns poucos centímetros
antes do inferno
minha alma fraquejou
o corpo acionou o medo
e permaneci no lugar
onde ainda estou:
um exato passo antes do abismo.

Rosas e manacá

Alongo-me entre os galhos da roseira,
arranhando os ânimos amortecidos pelas mentiras.
Mentiras que matam a vontade de rosas.
Mas apenas por um instante.
No seguinte, já me reconheço flor,
e desabrocho com cheiro de manacá.

PÁGINA Nº 20

Tânia Camargo ©

Acerca de ti


Na paisagem, lua, estrelas, um olhar.
Pela fresta pálida luz... pousa em mim
És tu que chegas... Atrevido a me amar
Na pele vibra um cheiro vivo, jasmim.

Afagas meus cabelos, meus seios.
Projetam-se brilhos, tantos desejos.
Toma-me com valentia, sem receios.
Sem pestanejar entrego-me a tais beijos

Do encanto, momento divinal.
Brotam risos em planta nua
Fincam raízes na terra... Sou tua!

E na aurora outra luz magistral
Dissipa o sonho... Tudo desvirtua
Oh! Homem amado, que sina a sua!

II

Tu vives em meus noturnos pensares
Ama-me com se de carne fosse
É fantasma?...Vive algures...
Estar contigo são horas doces

Surges com a escuridão profusa
Por meados de luzes difusas
Deixando-me assim tão confusa
E num toque apenas, me usa, abusa.

Não quero mais para a vida acordar
Dormir... Sonhar...E só amar!
Despertarei quando tu chegar!

Sei dos teus olhos, noite sem luar.
Conheço teu rosto, o gosto... Açúcar
Mas só meus dedos sabem onde te encontrar!

O tempo e o vento!

Ignora-me oh tempo!Não passe por mim!
Deixa-me estar aqui para sempre
Que sempre é um talvez e enfim
Possa ele quedar-se comigo dias á frente

O amor causou-lhe espanto, medo.
Se tu vai, ele fica sem tempo
Para acreditar e sair do degredo
Desvendar o segredo, ficar á contento

Impossibilidade eu não aceito
Ante tua rapidez me deleito
Ao vento de um tempo futuro

Priva-me de sentir o receio
De não viver aos enleios
Pois assim é morte do sentir, te asseguro.

II

Batalhas diárias são travadas
Parte minha definha todo dia
A pele escama, eu não vejo nada.
Mas meu corpo se vai e eu não queria

Sou mortal, mas de alma sentimental.
Tive amores e dores, é meu destino.
Só queria viver mais um pouco, é normal.
Amar assim e mais, ter um desatino.

Tu entendes tudo o que te digo
Já testemunhastes milhões de romances
Se negares, juro que te desdigo.

Cada um tem na vida sua performance
Eu do meu jeito levo a vida em nuances
Romântica, apaixonada e não te mal digo

Liberdade á poesia

Condena-te o íntimo pensamento
Arde o fogo no olhar, desejo incauto.
Deixaste de ter o peito de um arauto
Guerras interiores, os sentimentos.

Nobre seria confessar-te á dama
Expor-te, despir-te da armadura.
Diligente e ávido leva-la á cama.
Livrar-te-ia de tristes amarguras

Escravizado estás por tais alusões
Porque não dar asas as tuas ilusões?
Permita-te alforriar o querer, a poesia.

Inspirado então por versos de amor
Realizarias o teu platônico furor
Ou inda crês que amar a bela é heresia?

Silente despedida

Murmurar silente, a chuva cai
Dos olhos rolam lágrimas
Adeus a um amor que se vai
Prostrada à porta, tarde pálida

Lividez de pele, tudo fere
Que se detenha a fria lua
Para não ofuscar a criatura
Em tanta apatia, interfere

Permita que ali permaneça
Deixe-a enterrar as dores
Na soleira por onde entrou amores

Que se cure ou adoeça
Com a cabeça á chuva, a lavar
A saudade que só faz maltratar!

PÁGINA Nº 21

Patricia Neme ©



De pronto a névoa apaga o sol, e morre o dia,
sombras tristonhas roubam cor ao entardecer...
Quando partiste... (foste o bem que eu mais queria...)
anoiteceu, por sempre, a vida em meu viver.

Restaram dor, que o peito, em fúria, cilicia,
conceitos vagos – mal os pude compreender...
Adormeceu o Tempo, envolto em agonia,
tanta saudade... Tanta dor varou-me o ser.

E muito embora já distante no passado,
sou ré cativa ao jugo desse cruel fado,
luto plangente, dor sem trégua, dor sem dó.

Não há quem dome o Mal que, agudo, me espezinha,
pois ao perder teu doce amor, minha Mãezinha,
eu fiquei só, tão miseravelmente... Só!

Indelicadeza

Perpétuo moto,
já nem sei des’quando...
Filhos – são três;
mas quanta agitação.
Na mesa farta, um indicativo:
sou cozinheira de forno e fogão.
A roupa suja brota das paredes,
que alguém decora com marcas de mão;
eu lavo, passo, dou alguns pontinhos,
faço bainha, reprego botão.
Molhar as plantas,
faxinar janelas,
lavar banheiros,
arear panelas,
na sexta-feira, encerar o chão.
Na correria, pão de cada dia,
num volteado, olho no espelho,
e estranho o rosto, de funda expressão.
Onde o frescor do traço adolescente,
o ar maroto, quase irreverente?...
E o meu cabelo... virou algodão!
Então, sorrio ante tal surpresa:
se foi o Tempo – e que indelicadeza,
nem me falou da sua afobação!

Se...

... fosse aquele beijo, tão somente,
o gesto repentino dum instante,
que, por ser passageiro, não pressente
em si, a eternidade, palpitante...

... fosse aquele beijo, meramente,
a troca do vazio em nós reinante,
no arroubo dum querer inconsistente,
por nada ser – por ser só mais um instante...

Se fosse... Mas não foi – e eu pago caro,
ao contemplar-me em fero desamparo,
perdida num sonhar, que feneceu.

Que fosse assim... Ah! Como eu o quisera,
não mais viver pendente, sempre à espera,
de ter, por outra vez, um beijo teu!

Soneto do amor singelo

A lua... Uma saudade... A folha em branco...
Minh'alma andeja sendas do passado...
No peito, um soluçar... Abafo, estanco...
A brisa... O mar... A dor.. Quão pesa o fado.

Lembranças, em buquê... E a folha, em branco,
à espera de um tracejo, de um recado?
Mas nem leste no olhar, singelo, franco,
meus versos, de um rimar apaixonado.

Melhor, então, calar a voz magoada,
tua inconstância diz, não sabes nada
dos sonhos que o amor plantou em mim:

viver num lar de conchas, na Ribeira,
ser tua amante, amiga, companheira,
contigo, ser poeta... Até meu fim!

Soneto da saudade

O céu desperta triste, em tom cinzento,
qual lhe fora penoso um novo dia;
aos poucos, verte, em gotas, seu lamento...
Um pranto ensimesmado, de agonia.

Um rouco trovejar, pesado, lento,
parece suplicar por alforria,
num rogo já exangue, sem alento...
A chuva... O cinza... A dor... A nostalgia...

O céu despertou triste... O céu sou eu,
perdida num sonhar que feneceu,
sou prisioneira à espera de mercê.

Sonhando conquistar a liberdade
desta prisão, que existe na saudade...
Saudade, tanta, tanta... De você!

A valsa

Ele veio silente, o luar a trazê-lo,
um sorriso fagueiro reinando no olhar.
“Uma valsa? “, propôs. Aceitei seu apelo...
(todo baile eu ousara tal gesto esperar).

Abraçou-me a cintura, com terno desvelo,
tal se eu fora cristal do mais fino vibrar.
Em meu peito a ventura de, enfim, conhecê-lo,
me fez leve qual brisa soprada do mar.

Ante o chão carpetado com gotas de orvalho,
o céu pleno de estrelas, num rútilo pálio...
conivente, o destino o relógio parou.

Entre beijos, promessas... ditosa loucura!,
todo o amor que eu vivi, desde sempre, à procura,
na magia dos sonhos comigo bailou!

Acalanto

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas,
de um povo heróico, o brado retumbante..,

Olhar profundo, tristonho,
rosto sujo de carvão,
como eu quisera, pequeno,
afagar teu coração.

Beijar a face assustada,
da menina sem mãozinha...
Foi magoada, trucidada,
numa casa de farinha.

Embalar todo o cansaço
dos meninos da pedreira...
Uma infância amargurada
por suor, dor e poeira.

Devolver toda a esperança
aos corpos mulher-criança,
que oferecem nas esquinas
seus sonhares de meninas.

Doar ao falcão das drogas,
um vôo de liberdade,
que o conduza à plenitude
de cidadã igualdade.

E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
brilhou no céu da Pátria, neste instante.

Eu quisera, meu Senhor,
ver crianças sem dilema;
e acolher teus santos anjos
em meu colo de alfazema.

E niná-los num cantar
que lhes apague a dureza
de um viver servil, escravo,
sem alegria ou beleza.

Brasil, um sonho intenso, raio vívido,
de amor e de esperança à terra desce...

Que o som do meu acalanto
transforme sua existência
e possam, por fim, meu Deus,
conhecer Tua clemência.

Mas se ergues, da justiça, a clava forte,
verás que um filho teu não foge à luta...,

Ante o político horror,
que esta Nação desgoverna...
Só Teu amor redentor
torna a vida mais fraterna.

Dos filhos deste solo, és mãe gentil...

Enquanto eu nino, Jesus,
esses seres maltratados,
arrebata-lhes a cruz
e transforma-lhes os fados.

Durma, infância brasileira,
descanse em mim seu calvário,
hei de abrigar seus sonhares
na bênção do meu sacrário.

E diga o verde-louro dessa flâmula,
- Paz no futuro e glória no passado...

Súplica

No verso,
destranco a garganta,
vomito a estupefação
que me come e me consome,
ante a volubilidade
dos que hoje nos comandam,
ante ética e moral
de tão metafórica fala
e dúbio, espúrio, sentido.

A lei,
que vale pra todos,
só alcança o mais singelo
e, se chega no castelo...
Vira lei fora-da-lei.
Quem entende o contra-senso...
Ou será que só eu penso?

No verso destranco a alma,
alma tola, que acredita,
que lei é coisa bendita,
coisa que ampara e protege
quem desde cedo trabalha
e não vive se enroscando
em cpi’s de alegria,
em papéis de alegoria.
Ou coisas de pizzaria!

Se eu não escrevesse,
explodia,
qual rojão de são joão,
num réquiem obscurecido
pela ausência de fé na pátria
- que, por certo, eu sempre amo,
mas que de tanto enxovalho
por quem se julga importante
e nem nunca ouviu falar
no que sejam bons costumes,
ou no fio do bigode,
e só faz barbaridade -
hoje é razão de tristeza
pra todo e qualquer cristão.

Não quero essa pátria, não.

Eu quero o chão brasileiro,
povo gentil e brejeiro,
que sabe cantar Trem das Onze,
mesmo lá no Rancho Fundo.

Que diz, e o dito é sagrado
e seu verbo é confirmado
num bom aperto de mão.

Gente que vive da roça,
e rega o chão do sertão
com sangue, suor e esperança,
mesmo a barriga sem pão.

Povo que faz romaria,
que louva Deus, noite e dia,
Deus te guarde, te acompanhe...
Tudo o mais, melhora,
um dia...

Essa Pátria é que a minha.
De gente simples, morena,
que vive a boa vontade,
e traz no olhar a verdade,
de quem só é, o que é,
sem sombras de pretensão,
vendo no outro, um irmão,
que merece amor e respeito.
Essa, é a Pátria do meu jeito.

Cansada de ser explorada,
de ser, por chacais, atacada,
e ter tão pouca defesa,
que ante a corrupção
ainda fica surpresa.

Meu Deus, a coisa tá preta,
não se agüenta tanta treta,
tanta abominação.
Socorre-nos, Pai,
sê por nós,
resgata a ordem e o progresso,
o horror impera, possesso,
no plano alto do congresso....

Êta nós, judiação.

A gente só quer emprego,
mesa farta, teto, escola,
a gente não quer esmola,
só se quer ser cidadão.

Sê por nós, Pai Soberano.
já nos cansou o desmando,
que dura, ano após ano.
Este é o Teu chão do Cruzeiro,
nosso céu tem Teu madeiro.
olha por nós, por inteiro,
olha por nós o ano inteiro!

Porque senão, meu Senhor,
se tanto mal nos abate,
a quem restará o valor
de vencer o bom combate?

PÁGINA Nº 22

María Lasalete Marques ©

Desejo brindar em ti meus desejos...


Desejo brindar em ti meu sentir
vertendo em tua pele todas as ânsias do meu viver
Deixa-me cobrir-te de beijos que germinam em ti
Zurzindo tuas feridas abertas
Quero brindar em ti meu sentir
Esboçando sobre tua pele ao envolver-te com minha essência
Um horizonte de miradas em acople
Quero alçar minha copa sobre tua boca
Y encher-te de meu borbulhar
Sentir-te derramar em meus lábios
Enquanto um mundo se abre ao infinito sentir.
Quero brindar em ti meus desejos
Arremeter-te em afrenta de mãos que tacteiam
As formas de um corpo que se anela por devorar
Quero brindar em ti e tomar de teu ar o meu
De teus lábios a humidade de um beijo
As formas que perfilam sentidas por minha língua
Boca que entreabro lentamente com ela
Para brincar a teu lado um beijo que devora
A decência atordoada transformada em luxúria
Sopor em cada instante que nos inflama
Suores que brotam no meio de uns seios que acaricias
Quero brindar em ti derramando-me o gozo

Fechando meus olhos....

Em cada carícia que ordeno, uma carícia que froto na tua pele
Fecho os olhos e sinto minhas mãos abrindo - se na tela da fantasia
Para roçar teu corpo, num jogo de olhares comprazidos
Sensações que despertam o morbo intenso da luxúria
E a chama que arde sobre o desejo tatuado na pele
Mirada ocultas, dão passo ao correr e aglomerar de imagens esboçadas
Sinto teu peito que arde pelo meu estar,
Enquanto minha língua brinca com tuas salientes
Meus dedos recorrendo o caminho tecido pelas tuas felpas
Descendendo para fartar a sede do agridoce sabor de ti
Brincar em ti com minha boca que guarda sigilosa tua varonilidade
Acariciá-la sentindo tuas mãos contendo-me em ti
Teus dedos enredando-se na minha cabeleira preta instando-me no teu prazer
Sabes que meu jogo é a luxúria e meu prazer o teu
Arcar-me em ti, aforrando-me num ancorar minhas pernas nas tuas
Enraizar-me em ti fazendo-te estremecer uma e outra vez
Seduzir-te jogando meus jogos, sumidos num mar de areias movediças
Em cada leve movimento sentir-nos enterrar mais nas ondeadas
Copulas vertidas em gemidos que murmuram
No prazer do arroubamento no que com prazer é baladro

Tua chegada a casa….

Busco-te cada tarde, detrás do janelão
Que se abre de par em par, para olhar-te aos olhos
Ao encontra-te quando chegas a casa,
sinto-me como si num imenso areal de nuvens
Voara ao infinito sem desejos de tocar solo firme
Observo-te escrevendo-me poemas que dizes não saber fazer
E quando os leio transcritos no papel
A emoção me suspende mais ainda nesse ar que nos envolve
Fecho os olhos e sinto-te na minha pele
Envolves-me cada poro de teu respirar tíbio
Acelerando meus impulsos,
convertendo-me em borbulhas de champanhe
Que descendo no teu peito , embebendo-te teus segredos
Como adoro abrir a porta e saber-te en casa a minha espera
Inventando-me o universo mesmo donde as nuvens são caminho
Que condensaste para mim na fragilidade de poder andar sem fazer barulho
E não despertar jamais deste sonho que desejo perpetuar
Quanto sopor me provoca o sentir-me reflectida nos teus olhos de desejo
Seduzir-te levemente a modo de iniciar-te no ritual de meus anelos
Aplacando minhas urgências de sucumbir em teus braços uma noite mais
Esperando te no acordar do novo dia e murmurar-te este sentir.

Dócil em teus braços

Nos ocres desse Outono sinto o mudar, envolvida em mutações.
Envolta em filo de seda coloco-me frente a ti, para com gestos rosar tua pele
Desnudando - te o desejo silencioso em cada olhar
Removendo - te a roupagem que cobre tua robusta figura de homem
que desejo sentir em cada entrega, em cada afrenta.
Dócil fêmea entre teus braços, desejosa de sentir teus dedos qual pincel
Recriando na minha pele o que ardentemente nela desejas pintar.
Monta - me silencioso e aprazível sobre o cavalete neste instante
Como marco que nos limita em cercania de um espaço
Linho impregnado do odor a pele suada,
argamassa que se fundem numa só trás o derrame de seus umbrais.
Essências que se sorvem com luxúria, exaltando
O mais intenso das emoções em entrega plena sem reparos.
Recose ocorrendo - te com as minha mãos teu ventre,
Deslizando - me sobre o caminho real ao encontro de teu supremo gozo
Numa viagem tântrica elevar - nos sobre o azul do lago sem humedecer - nos nele.
Nos ocres do tempo a copio meus dias
Envolvendo - me em, teus braços para sentir - te na minha pele
Estremecer com vehemencia

Sem lastres...Um só verbo conjugado no presente-

Em cada palpitar dos dias, teus lábios desnudando-me lentamente
Recorrendo a minha dermes, acariciando meus seios minhas ancas
Em leve mordisco arrepias o desejo, despertando-o por inteiro
Eu cada adunar de nossos corpos sinto a proximidade das estrelas
Sentindo-me cometa que ao final explode em policromia de cores
Em teus braços sem vergonha sem pudores desejo ser coberta por ti
Sentir o teu latejar no meu peito, sentir-te respirar acelerado
Ser a copa donde derrames nela o vinho nacarado da tua vide
E ao mesmo tempo sentir as gotas de suor escorrendo-me no peito
Ouvir teus gemidos que se alça no gritar provocado em cada extasie
Nesta proximidade ser uma só verdade, una só razão, um só verbo
Que conjugamos no presente, sem lastres do passado, sem preocupar-nos do amanhã.

Cuando as palabras... dizem menos que os gestos.

Sem dar por ela, as linguagens tornaram-se desnecessárias
Pois só o olhar é capaz de dizer tudo aquilo que levamos na alma
Sem dar por ela, nossas vidas se entrelaçaram, sem razões nem porquês
Sem respostas a final, como musa mil poemas nos dedicamos
Tratando de deixar neles as carícias que nossas mãos desejam entregar
Nesse lugar donde os sonhos se encontram
Com um céu laranja num ocaso próximo
acendem no céu mil estrelas para as nossas noites alumiar
As aguas do mar brincam junto a nossos pés,
unidos de mãos caminhamos a encenada da praia.
Nossos olhares copularam, nossos lábios se unirão infundindo-nos a vida mesma
Perdendo-nos no mar dos olhares e dos anelos, limpos y transparentes como lagos
Donde admiramos a vida que se oferenda a cada instante.
Teu corpo é um compendio de letras sem ordem, que alinhavo com fios de ouro
Peito no peito tuas mãos incendeiam minha pele, me abraçam e sacodem minha essência
Fazendo que em cada entrega, mais que prazer nos damos a vida mesma

No teu mar de lava…

Como te desejo detrás esta porta envidraçada,
donde os sonhos dão começo a um estremecer de pele
Baixo a luz ténue que nos envolve e nos abraça
Nesse ar impregnado de incenso de canela e coco, com velas abrasando-se
Como uma subtil brisa repleta de versos em cada gesto.

Amo tua presença inalterável, licita y grácil
Na melodia duma musica que nos faz dançar levemente
Conduzindo-me nos teus desejos dum modo luxurioso
Fazendo sucumbir qualquer renitência presente.
Entregando-me em pleno em teus braços
Deixando-me ser amante
e mulher que entrega o prazer extremo
nos sonhos de qualquer homem.

Desejo-te desde que senti teus lábios na minha pele sugando-me por inteiro
Levitando-me as galáxias, tocando, fazendo-me tocar o infinito
Não consigo horas para iniciar nada a teu lado,
mais do que estar entre teus braços
O tempo não me importa,
te desejo quando o convite alongas para ser em ti uma só.

Estremecida caio nos teus braços deixando-me cobrir por ti ,tomo tua cintura
O respirar se entrecorta, a alma se expande y descendo lentamente teu corpo
Em quanto tornas minhas fontes em mananciais,
meu corpo mar no que penetram tuas mãos,
teus dedos saciando-se na descoberta
de sentir o latejar das minhas entranhas.

O tempo já não conta, só este instante que se ergue envolvendo-nos,
o brilho de teu olhar convertidos em boca faminta que me morde o desejo,
penetrando-me as fibras do meu Ser.
Já o tempo não é desculpa,
nem a distancia fronteiras que não trespassemos neste sentir,
trespassar essa porta envidraçada y entregar-nos sem olhar o tempo,
só transformando as palavras em gestos


PÁGINA Nº 23

Lucy Salete Bortolini Nazaro ©

O Cósmico canta para nós


A música embala nossos sonhos
Nossa alma dança a lenta magia do futuro
Que guarda nossas realidades vindouras.

O canto encanta almas desencontradas
Que encantadas pela magia da vida
Caminham rumo a um céu de luz

E a voz do silêncio é secreta
Só ouvem os que têm asas no coração
E uma alma iluminada pelo cósmico
Que canta a sua canção!

Te busquei

Te amarei com a eternidade
Quando parares de buscar em veredas vazias
Quando simplesmente lembrares de nós dois, um dia,
E descobrires que eu também:

Te busquei nos sons de meu travesseiro
Na brisa que passava em minha janela
No abraço caliente do sol de meio dia
No sorriso que se avizinhou pedindo abraços

Te busquei nos sonos envenenados pela poção do sonho
Nos sussurros de meu nome outrora em teus lábios
Nos teus olhos que ficaram escondidos de mim
Nas tuas mãos que me seguraram um dia

Te busquei nas nuvens, nas estrelas, no espaço sideral
Te busquei loucamente em braços alheios
Mas fui te encontrar no dia em que a lua resolver brilhar
Para iluminar minha alma nua na descoberta de uma frase tua:
Sinto falta, ainda amo você...

Olhares amantes

O nada invade o ar que povoa um corpo
Caindo silenciosamente no vácuo
Enquanto olha o horizonte morto
À espera da alma desfazendo o pacto.

Uma penumbra invade a mente inquieta,
Sonhos desfeitos lavam esperanças insólitas
Insistindo em começos refazendo-se
À beira de precipícios desnudos

Asas nascem neste vôo feito
Nuvens abraçam o viandante do céu
A lua se esconde para o sol que nasce
E o tudo invade de novo esse mesmo peito.

Naves misteriosas navegam cantantes
Embalando o ar que balança a viagem
Enquanto se faz brisa suave, acarinhando a passagem
E novos olhares se unem amantes.

Tua alma nua

Tua alma deixou de ser mistério, carne crua, lua nua
Peguei-a nas mãos, deixei-a esvair entre dedos insolentes
Perdi-as entre pedras dormentes que se deixam levar pelos rios
Agora as busco no fundo de mares ondulantes...

Quero resgatar o astro cintilante que brilhava me olhando
Toda noite, sorria para mim, me dizia versos
Até que peguei-o em mãos dementes, dormentes
Fúteis, inúteis e arranquei-o dos céus, onde reinava.

Olho no espaço e vejo o furo vazio que fiz pela inconstância
Tua falta está por lá e por cá, em mim mesma
Preciso encontrar entre os grãos perdidos da praia
Levados ao mar, a poesia que descobri ser o meu ar.

Tua alma se foi novamente, Netuno a guarda como semente
A ser semeada em novos tempos, a novas almas.
Esconde-a de minhas buscas freqüentes
Inúteis com os dedos que a deixou se esvair.

Mas sou eterna, da terra ao céu ao fundo do mar, vou encontrar...

Quando...

Quando um abraço quiseres ganhar
Um ombro para chorar
E mãos para teus cabelos afagar
Eu estarei te esperando...

Quando teus olhos precisarem de sol
Teu corpo ... repouso e calor
Tua alma precisar de amor
Estarei te esperando...

Quando o escuro passar...
A amargura deixar de invadir tua alma
E quiseres conversar em busca de calma
Estarei te esperando...

Quando tua carga ficar muito pesada
E não puderes a levar sozinho
Lembre-se, meu amigo, estou na estrada
Esperando... sempre mais um pouquinho.

Quando quiseres sorrir
As portas de teu coração abrir
Ter um amigo para tua vida colorir
Estarei te esperando...

Sempre, quando quiseres, me chama
Porque aqui mora e sempre irá morar
Uma alma que te ama
E que irá te esperar...

Coração fluido

A vida é um rio fluindo borbulhante
águas revoltas, calmas, assustadoras, fascinantes.
Banhados no enxurro que corre nós neles
navegamos, nadamos, ora fluímos por vezes.

vamos de roldão, sem raízes, na maresia perdida da lida
no rio da vida, ora triste, ora alegre colorida
sem parada, sem pensada, imprensados entre beiras
somos carregados viandantes em ladeiras.

Até que... sempre tem um até que grita um coração
chamado pelo olho de ressaca furando uma canção
saltando na alma doida, perdida encontrada pela íris
em par preto brilhando nos chamando à vida...

Então...duplicamos o nós que era uno galgando imensidão
aprendemos o duplo na existência sentida passada em vão
corremos fluindo como rios de água louca
em cachoeira cantamos a vida pouca

E nascemos de novo, fluindo águas fontes...um rio novo.

O dia se adoça na saudade

Uma palavra, uma frase muda
tudo no cotidiano de um dia insólito
trêmulo sorriso conversa dentro de mim
a certeza de um instante é meu

um suspiro vagueia na escuridão
buscando uma lua cúmplice
de encontros feitos de sonhos
em nuvens azuis de lembranças

e o sol tem liberdade para surgir
porque o dia se adoça na saudade
e a chuva pode vir correndo
porque escreve em janelas fechadas

o amor está no ar do sol e da água que cai
o segredo está no coração e na alma
prenhe de ilusões nas horas que passam
silentes denunciando um novo ocaso.

Bocas beijos

Passa o tempo angústia de letras emudecidas
ave canora salta o peito doído - o alfabeto chegou
encantando sonhos ilusões, quimeras amanhecidas
vão-se ranços medos - história sentida.

Antiga canção salta em mente inquieta afogueando sentimentos
renascidos em letras beijos - quentes dormentes
despertos vívidos, trêmulos compromissos do porvir
aquietam novamente alma que se faz sorrir.

Sorriso escondido, desperto sabido, segredo guardado
alfabeto misturado lambuzando futuro alado não ao léu
de mel lavanda levando nova vida por certo desemudecida
na alma que carrega o fio de Ariadne, não se perdeu.

Sabia da força da palavra cantando na alma de sempre
dormente despertada de abraços longínquos beijos atrás de letras
plenas descortinando vontades atravessadas no eixo de verdades
fixas postas no abecê do homem criança.
Salta o tempo e a descoberta desfaz postagens de vida
perde-se criança, jovem velho renasce alma imutável
em painel desejo caminho ânsia incontida
se faz vôos abraços, lábios e pernas destinos grudam laços

O duplo se faz uno traçando novos riscos de bocas grudadas em beijos...

Chave do sonho

Veredas pairam no ar de caminhadas infiéis
Destinos cruzam-se, escolhas ficam atrás do medo
Enganos acobertam mentes inquietas irreais
Vidas esparramam-se, esvaindo entre os dedos.

Céus azuis nublam novamente
Ventanias ferozes assolam mentes
Revolvendo manhãs dispersas, dormentes
No nada, envolvendo qual terra as sementes

Desaparece o sonho, surge a vaga em espiral
Levando, qual enxurrada a areia, a haste, a chave
Deixando a névoa espumante e infernal

Voa a alma em busca de estrelas, novo horizonte
Pulsa o coração, trilhando o caminho não mais sozinho,
Alcançou a chave, o sonho, a descoberta da fonte.

Duplas sensações batem à porta cruel
Do fazer, do ser, sorrir e chorar
Cruza mares insondáveis, navegante fiel
No duplo abraço do ouvir, esperar e amar.

Finda uma caminhada, medos e vozes falam
Ir, ficar, dúvidas...

PÁGINA Nº 24

Neuza Ladeira ©

Na escuridão da noite


Na escuridão daquela noite sem estrelas
Vi teus olhos a brilhar
O brilho dos teus olhos brilharam nos meus
Meus olhos se tornaram os teus
Hoje vejo com seus olhos
que sempre foram os meus.

Este amor maduro

Claro e sincero
foi o despertar
para este amor maduro

Ridicula e obscura
foi a ausência de atenção
para com a sabedoria e delicadeza
deste homem que me ama

Homem que amo e ao mesmo tempo insulto
Abundante vem a ira
que me persegue na ausência de hormônios

Primitivas são as minhas emoções
Como as gaivotas que
no inverno buscam outras paradas
Em tempo de sol retornam
aos seus antigos anseios
Sinto-me adormecer e acordar

Amor oculto
cheio de desejos guardados
nada primaveris
Amor verdadeiro que vem do fundo do peito
E num suspiro profundo
tenta se mostrar

Projeção

Imaginamos nossa vida monótona,
invejamos a daqueles que achamos não ser.
Esquecemos que é a nossa imaginação sonhando
com a não monotonia do outro.
Nas falsas impressões, tentamos destruir no outro o que já
encontra-se destruído em nós.

Os Copiados

Chumbo grosso nos terreiros
Armas soltas sem caminho, com destino
No cotidiano da vida que pouco vale
manadas inteiras arrepiadas, perdidas nos jardins
Rodeadas pelas caras dos ladrões
Crack crack me dizima.
Nada sei nem aonde vou
Coca-cola me fascina sonhar ser o que não sou!

PÁGINA Nº 25

Mônicka Christi ©

Eterna


Começo quando me findo
Num ciclo infinito
De vidas e mortes!...
Sou passado, presente e futuro,
O símbolo perfeito da metamorfose...
Os elementos fundamentais
Que permeiam o mundo,
Sou nada e tudo...
Avatar e ancestral!...
O bem ! O mal!...
A essência que brota,
Vibra e transborda em luz universal.

Anjo

Meu anjo safado
De mãos de veludo,
Lábios macios e beijo molhado...
De corpo caliente,
E olhar de universo encantado...
Possui o que te pertence!
Vem tomar-me por inteira!
Ser a emoção que m'eleva
Ao paraíso na Terra...
Deixa eu mostrar minh'alma,
O meu lado de fera
E minha paixão febril!...
Vem Não demora, meu anjo!
Sou teu porto e descando,
E tua noite sem fim!...

Revelação

Na nudez da matéria
Revelo o amor em minh'alma!...
Essa vontade que não se acaba
De ser tua e ter-te meu...
Esse fogo incessante
Que me toma a todo instante
De paixão além de mim...
Ser teu porto e estrado,
Conforto de carinhos e abraços,
O que quiseres, serei eu...
A metade desse todo,
O caminho e encontro para liberdade de se prender.

Guardo

Guardo comigo uma dor indizível,
Que me abre ao infinito da solidão...
Um amargo me toca a boca,
Uma tristeza invade meu coração...
Passei a vida só
Num silêncio barulhento de palavras,
De tantas feridas e poucos sentidos
No abismo maior que a imensidão...
Vagando entre escombros sem fim
Numa tormenta que irracionaliza
A vida e o caminho
destino anormal...
Guardo comigo o vazio,
sepulcro frio e esmaecido
Esquecido do mundo,
Esquecido por tudo e todos
Sem princípio, passagem ou final.

Suicidante

Subitamente fria brota indisciplinada ânsia
Perseverante se mutila e rasga
drática perspectiva d'existir...
Atribui ao medo futuro
A verdade que não chegou a existir
Numa esquelética existência
Sem amores ou carinhos
relegadas a infernais sentimentos
estarrecido pelo cheiro da morte
Que a cerca e corrói
Em sustos desiguais
propositando desequilíbrio,
Esfarrapando a razão que se vai
Que s'esgota invertidamente
Justificando a dilação dos batimentos crescentes
Divido pelas águas dementes
Qu'enlouquece involuntariamente
Interessante contingente
Possível náufrago que abre precedentes
Pras sombras que rondam seu caminhar
Digerinddo sutilmenete seus argumentos
Levando-o ao precipício do desamparo
Se deixando ausente
No mergulho ao inferno que se põe a frente
Até a oportunidade de se regenerar.

Acaricía-me

Acaricía-me no compasso
Deste desejo desesperado
Cheio de malícia e ardor !...
Acaricía-me entre devaneios
E a perdição de todos os beijos,
Infinitos de amor!...
Acaricía-me com toda essa ânsia,
Que te sufoca e arranha
Explodindo dentro de ti!...
Acaricía-me num movimento cadenciado
Lambendo meus espaços
Como cão no cio sem se reprimir!...
Acaricía-me engatado no meu corpo
Percorrendo com teu toque
Minha pele que te quer!...
Acaricía-me e se aprofunda indecente
Entre sussurros que m'encharcam
De doce tentação!...
Acaricía-me sensualmente molhado
Pra que na entrega
Desfaleça em mil orgasmos
Recomeçando sem ter fim!...
Acaricía-me...Acaricía-me...

Prova-me

Prova minha essência
Com sabor deste amor
Que quer ser teu !...
Prova meu gosto de paixão
Meu delírio e êxtase,
Minha crença e querer!...
Prova meu calor e vida,
Pura e louca ousadia,
Minha boca molhada que sacia
Tua ânsia de se dar!
Prova que sou toda tua,
De corpo e alma nua,
Puramente teu prazer!
Prova meu segredo do oriente
E poliniza com tua semente
Num orgasmo abducente
Que te eleva além do céu!...

Vem

Vem cativar-me com teu beijo,
Deslizar por meus desejos,
se entregar sem mais 'porque'...
Vem ser parte desse todo,
Tomar todo o meu corpo,
Que te espero com paixão,
Completar meu bem querer...
Vem me amar com toda sanha,
Ser paixão e esperança
Completar minha andança,
Me cobrir com teu prazer...
Vem fazer de mim o teu caminho
Repousar tua semente no meu ninho
Ser meu homem-menino,
Pura paixão e alvorecer...
Vem transformar o meu momento
Extravasar o sentimento
Que domina meu querer
Pensamento de amor...
Vem que sou somente tua,
Não há nada, me possua
Por inteiro, toda nua
Em êxtase e frenesi.

Saboreia-me

Meus lábios são a medida exata da tua boca
e a cada beijo ou toque
Ao sabor do corpo entregue
Sinto o corpo estremecer de desejo,
fico louca...
Quando este fogo cresce
E preenche meu sonhos
me torno selvagem
E te devoro aos poucos...
olho nos olhos com contentamento
E molemente m'entrego a este momento
Como quem penetra o céu
Numa eternidade
Que m'engole e sorve suave,
Me percorre deslizando as vontades
Numa troca de prazeres imensurável,
E me encharca com a seiva do amor
Morna, doce, macia...infindável.

Descontentamento

Abstratos enganos enraizados,
Ancestrais despenhadeiros interiores
Que canibalizam o homem
Numa sede sem horizonte...
São labirintos neblinados
esmiuçados escaninhos que o tempo não levou
Corroídos pelo erro persistente,
Pela agonia e pel horror...
Consistente obstáculo insólito
Que passionalmente transforma
Caminho restrito a tentações sem volta,
Imersas trincheiras vulneráveis
Campo de amarhuras e sonhos em desova
Que iludem proteção inexistente
Contra dores e mágoas delinqüentes
Sem permissão de habitar seu consciente,
Ferindo cada espaço presente,
Que causam desespero e revolta,
Que pedem o fim sem demora
E partem sem poder se ver, antes da hora.


PÁGINA Nº 26

Cláudia Gonçalves ©

Poetas


Cismam os poetas
que flores têm sabor
que saudade têm cheiro
que grita o silêncio

ah! nada acompanha
o pensar de um poeta
que beija a boca da noite
salta da ponte do sonho

e até ao relento...
com os sentidos atentos

rende-se à voz
do coração
que galopa
ao encontro do verso.

Mulher

Anoitece
na ante-sala do amor
transborda néctar
frutal
rosa chá

alma desnuda
saindo do prumo
tal fera selvagem

bastam os sentidos
e explode a paixão

nas arenas do corpo
caem folhas de outono
e floresce
...mulher

Utopia

não é nada
é só poeira de sonho
de uma noite de outono

até esqueci
e deitei no vácuo
que ocupou meus ais

é só uma miragem
Pintando a face
de um amor distraído
que tropeçou no silêncio
e amanheceu você.

Mãos de meninos

em esquinas e becos
tem mãos de meninos
que roubam
que matam
que morrem.
na pele, no osso
o medo, o terror
e na noite vazia
tem nas mãos de meninos
pedra, punhal...
ou serão
gotas de sonhos
que não germinaram
com os sentidos bloqueados
entre lama e fantasmas
o que tem no abandono
é o belo em carrancas
que traduz o escuro
o avesso da vida
corroendo a alma
com total dissabor
e nas mãos de meninos:
pedaços de nada
a bandeira da dor.

PÁGINA Nº 27

Rosa Regis ©

Sem lar e sem brio


Lá estão eles!... Tremendo de frio!
Estão sob as marquises e à beira do rio.
Não comem nada. Mas não é por fastio.
Sem qualquer direito a não ser ao cio.

Lágrimas não há. Os olhos secaram.
O descaso sem conta, insensíveis os tornaram.
Já não são mais homens. Animais viraram.
E ao agir como tal, aos “humanos” chocaram.

Banzando

Um sorriso nos lábios.
Um olhar ardente.
Não diz o que pensa.
Não mostra o que sente.
Só finge, sorrindo, com um olhar quente
que queima e derrete o amor ardente
que ela... coitada! por ele ainda sente.

Mas ela precisa desse olhar fingidor
que há tantos anos... foi o que restou.
Tal qual o sorriso belo!
Enganador!...
Para que consiga, em leve torpor,
prosseguir a vida sem seu Grande Amor.

Sentimentos infernais

Imagem fétida!...
negra!...
apodrecida!...
Imagem de vida
cheia de ódio e dor!

É o que me transmite
a tua presença.

O meu corpo estremece...
como se em choque!
Levando à reboque
os sentimentos bons.

E, por segundos
que me parecem eternos,
vejo-me num inferno
de sentimentos maus.

Sorria!

Sorria!
O soriso é de graça, não gasta dinheiro.
Sorria com alegria ao teu companheiro.
Sorria!
Um sorriso dado com carinho e afago, é um presente dos deuses que nunca se esquece.
Sorria!
Sorria com Amor, ao desamparado... ao rico, ao pobre, ao esmolambado.
Sorria!! Não paga nada!
Sorria!
Um sorriso, muitas vezes, cura dores provocadas pelo desamparo... pelo abandono...
Sorria para aqueles que vivem na rua como um "cão-sem-dono".
Sorria!
Se sorrires a alguém que não quer teu sorriso, não te entristeças! Passe o sorriso a outro... e a outro... e a outro...
Espalhe sorrisos!
Não te preocupes em economizá-los, eles não se gastam.
Sorria!
Os sorrisos doados com Amor, reproduzem-se... e espalham-se... espalham-se...
Sorria!!
Sorria com Amor!!!

A mercê do Deus marinho

A senhora dos Navegantes
De cima do seu altar
Lança um olhar distante...
Um belo e dulcíssimo olhar!
Um olhar cheio de amor
Ao seu filho, o pescador,
Que lança a rede no mar.

E a Senhora das águas,
A grande mãe Iemanjá,
Também desnuda de mágoas
Está sempre a observar
Com carinho, com amor,
O seu filho, pescador
E grande amante do mar.

Mas o mar, às vezes tão manso,
Pode, repentinamente,
Transformar-se, pela ação
De um deus inconseqüente,
O Posseidon - deus marinho,
Que não sendo pai, sem carinho
Age. Inconseqüentemente.

E às esposas aflitas
Resta tão somente rezar
À Senhora dos Navegantes,
E à Grande Mãe Iemanjá
Doar presentes e flores,
E esperar que seus amores
Escapem à fúria do mar.

E, assim, vão seguindo a vida
Entre espera e oração,
Onde o mar, dias coopera!
E outros, sem coração
Que é, e sem respeitar
A Virgem... a Iemanjá...
No retorno... lhes trará
Tristeza e desolação.

Só nós duas

Só nós duas...
Só nós duas, Lua!
Só nós duas na rua:
Você lá no alto... e eu cá embaixo...
Mi’alma... flutua...

Carros que passam,
Buzinas que soam,
Gritos que ecoam...
Meu olhar... na lua...

Só nós duas...
Só nós duas, Lua!
Só nós duas na rua:
Você lá no alto...
Eu?... cá embaixo...
Mi’alma... na tua!!

A mae terra está morrendo
(A pedido de Tere Pehabe)

Morrem os peixes em águas poluídas
Desmatamento e queima matam animais
É o homem agindo mal, ceifando vidas
Sem lembrar que a sua vai com as demais.

As espécies animais estão diminuindo
A Mãe Terra, dos seus filhos, a perda chora
E avisa ao homem que está se extingüindo,
De forma galopante, a fauna e a flora.

- O equilíbrio biológico está ameaçado!
"Grita" a Mãe Terra, com "alarmas vermelhos"
Que mostra o perigo que corre a Natureza.

Porém o homem não ouve seus conselhos
E segue em frente, em busca de riqueza,
Matando a si mesmo, como um tresloucado.

PÁGINA Nº 28

Angela Togeiro ©

Podia...


A vida podia ser assim,
imenso jardim florido,
perfumes atraindo
abelhas aflitas para produzir o mel,
a geléia real da rainha;
borboletas voando suaves
a procura do néctar
bailando, bailando
em duplas;
colibris ligeiros,
pousados em pranas,
mirando em que flor
irão desfrutar o doce sustento da vida.

E as flores ansiosas esperando por eles.
Polinização. Sementes. Perpetuação. Morte.

Mas não,
há espinhos,
há predadores,
há agrotóxicos.

Agendas cheias de programas
genéticos transformando-se e se adaptando.

Como nós seres humanos,
talvez flores do Criador fugidas
dos canteiros celestiais em busca
do próprio jardim...

Essa...

Essa que me cuida sempre à noitinha,
Toma e relaxa meu corpo cansado,
Faz tranqüilo o meu sono de soldado,
O que chega ao ninho feito andorinha.

Essa que vai comigo e que me aninha
Se de guerra falam em qualquer lado,
Cura a dor do meu peito desolado,
Põe nele a esperança que a tudo alinha.

Essa por todos é capaz de tudo.
É a que põe luz nas trevas; sobretudo,
Brilha no sonho que mais nos apraz.

Essa vive de amor, toda ternura,
Essa que se augura, que se procura,
É essa que se oferece ao mundo: a Paz.

Luares

Caminhos de lágrimas em noites vadias
de desmandos da lua, mil destinos.
Crescente...
Acrescente minha solidão urbana
gentes na cidade, gentes na casa.
estou só, meu silêncio
sou como a luz oscilante do abajur
que a alma não preenche
como a palavra amiga que satisfaz,
como luz interior que consola o indizível.

A lágrima cai
brilhante rompe como a lua
que se torna cheia.
A plenitude acorda os sentidos,
a força sai em busca de metades,
abraços, garras sufocando a solidão.
Por dias saciando o anoitecer,
satisfazendo pecados.
Plenilúnio em montanhas, em arranha-céus,
deslizantes sobre o mar
para o amanhecer do dia.

Decrescente,
A reflexão dos cúpidos, dos bacos.
Penitências... Revoltas. Conformismo.

A lua nova refazendo esperança,
sombras se curvam em ave-marias. Paz!

Como uma trégua no vazio da vida,
os divinos dormem
embalando os maléficos...

Dia. Companhia. O próprio eu.
À noite, basta acender o abajur...
No transcorrer dos meus humores,
a solidão palmilha meus luares.

A magia das pedras brasileiras

A pedra concentra grande magia,
segredos que não sei como explicar,
mas quem entende a numerologia
diz nove que podem nos ajudar.

A Granada traz força e valentia,
Amazonita, o bom comunicar,
Quartzo Rutilado, a diplomacia,
Quartzo Verde tem o equilíbrio a dar.

Água-marinha, raciocínio e paz,
Quartzo azul, harmonia, à alma apraz,
Ametista ao defeito dá virtude.

Citrino, o sucesso e forte atitude,
Quartzo Rosa, amor, compaixão presentes.
Pedras... são as letras de um nome ausentes!

...esboço de mar

...queria poder pintar
este mar que nos abraça
com ondas calmas a alentar
a dor de amor de algum marinheiro.

...queria poder pintar
este mar que nos abraça
noutras horas a rasgar com furor,
satisfazendo sua sede de avassalar,
as falésias e o rochedos.
...como preciso arrancar
do meu peito dor de amor que me corrói
para novo amor na alma entrar

...queria poder pintar
este mar que nos abraça
nossa terra a rendilhar com espumas alvas,
encher a vida de alegria,
assistir o pular das tainhotas,
pelo azul a verdejar,
e o escandaloso canto das gaivotas,
voando junto às baleias que brincam com golfinhos.

...este mar que nos abraça
Que descansa no zênite quando é poente,
nos mil tons em que ele se traça,
torna este pintor-poeta silente...

Desnudamento

Sou a planta que seca ao relento,
que revive ao sopro
de vento que sabe a chuva
para se abrir em flor perfumada.
Sou o canto não cantado,
a espera do acorde da nota inicial
para encher o ar com minha melodia.
Sou as letras ordenadas do alfabeto,
esperando a fala
para tornar-me palavras
e escrever no âmago das almas um recado de amor.
Sou o riso inocente da criança,
ecoando pela casa, espalhando felicidade
libertando a esperança.
Sou a nudez além da matéria
parte a parte das minhas partes,
de ser um ser complexo e sonhador.

Mas também
Sou a dor de amores inflexíveis, falsos,
dor que não existia, não sentia
despindo de mim meus sentimentos.
Sou a serpe... na relva, vigiando.
Mortes latentes, destruindo a iniqüidade,
protegendo-me das intempéries da vida.

De mim quero ser
o tudo que tenha valido a pena,
mesmo se valer pouco mais que nada.

Si me quisiera

Quería serle una estrella del mar,
la cuna donde a soñar adormece,
olas de espumas para le calmar,
si, muy lejos de mí, el día oscurece.

Quería ser un pájaro y cantar
una canción al día que amanece
serle alegría de su despertar
ser de su vida lo que le placiese.

Quería ser tejedora y me hacer
en estera que a su cuerpo tuviera;
serle el alimento que va a comer.

Quería ser la mitad que pudiera
(pasión acunando un sueño de ser...)
ser su todo inmortal... si me quisiera

Poeta

Ah poeta, dê asas a sua inspiração,
Mostra a todos como você vê nosso mundo,
Com tristeza, bastante alegria e paixão
E muitas vezes com um ódio profundo!

Ah poeta, conta a todos a sua atração
Pela exuberância da mãe natureza,
Pelo firmamento de esplêndida beleza,
Da noite ou do dia que enche o homem de ilusão!

Ah poeta, fale-nos da maior riqueza
Que é o Amor que a gente tem no coração,
Deste Deus que lhe ensinou esta rara lição
Entre a tecnologia, paz, guerra e pobreza!

Ah poeta, que divina missão do bem:
Em versos, lembra ao homem a alma que ele tem!

PÁGINA Nº 29

Elza Aguiar Neves ©

Chuviscos


Meus versos
são chuviscos
da chuva de poemas,
que ainda não caiu.

É como chuva
miúda,
mansinha,
querendo se avolumar,
tentando a terra molhar

É temporal
que ameaça
troveja
escurece o céu
e, passa...

São gotas de água
lançadas ao vento.
Simples palavras,
pensamentos...

Em outro temo

Romance.
Olhares furtivos,
discreto sorriso.
Amor tímido,
Guardado.
Seguidos
caminhos diferentes.
Décadas passadas.
Muitas...
Cabelos brancos
contornam
rostos vividos.
Nos olhos
o mesmo brilho...
O reencontro,
confidências...
Confundem-se
emoções.
Misturam-se
lágrimas.
Uma vida,
um amor!...

Negros olhos

Magoa-me
pensar
no que o tempo
tenha causado
à expressão
de seus negros olhos.
Neles li
as mais belas
frases de amor.
Declarações...
Crianças
que éramos,
deixamo-nos nos escapar.
O tempo
se incumbiu
de transformar...

Sementes

Um jardim
criei.
Flores
não plantei.
Palavras
pequenas e simples
ali deixei.
Cristalinas águas
as regaram.
Brotaram versos,
poemas...

Cântico de novembro

Chora o céu
chuvas finas,
sem força para tempestade.
Escurecido, triste, cheio de saudades.

Lágrimas
no coração derramadas.
Dores,
ausências,
lembranças...

Lágrimas de saudade

Num sol matinal,
só,
ele caminha.
Sem brilho
nos olhos
cansados e tristes.
Olha à volta,
Busca
um rosto amigo,
deseja
uma palavra...
Procura um elo
com o passado.
Lá, bem atrás,
toda uma vida...
Consulta o relógio,
pensa...
que passe o tempo
de
horas mortas.
Espera sempre.
No deliro da saudade,
lágrimas!...

A espera

Não tranques o céu.
Deixe-o assim
sem limitações.
Numa noite dessas,
tomada de desejo
e saudade,
fujo.
Levada
pelo vento forte,
chego até você.
Acaricio sua face,
beijo seus olhos.
Estreito nossos laços.
Não a perdi,
penso.
Serei feliz uma vez...
em sonho!...

Pai

Abre uma porta.
Imagem delicada.
O forte poder
é ternura.
Nos braços paternos,
o bebê.
Pequeno.
Proteção
revestida de carinho.
Faz frio.
O choro
chama sua atenção,
inquieta-o.
Acomoda-o
junto ao peito,
afaga-o.
Suavemente
fecha os olhinhos,
adormece.
Um doce olhar beija
o filho.
Lindo!...
O homem pleno extravasando amor.
Nos braços, a esperança.

Meu Credo

Há muito não rezo
Ave-Maria.
Porém, existe um momento
que me sinto
plena,
num infinito aberto,
em comunhão
com Deus:
quando, escrevendo,
expresso
meus sentimentos,
dou asas
ao meu Credo...

A busca

A noite
Cai
calma e misteriosa.
Os pássaros
buscam companhia.
Em insistente canto,
chamam-se.
De repente,
o silêncio.
Nos galhos das árvores,
se acomodam.
Um pássaro
insiste
num agudo chama.
Só,
num apelo,
madrugada afora...

PÁGINA Nº 30

Maria Helena Sleutjes ©

Presença


No dia que nasce,
No sol que esquenta,
Na morna e calma
Sonolência
Desta manhã de verão;
Nesta rua sem nome
Neste tempo
Que parece inexistente,
Só uma verdade
É permanente
Você.

Pássaro liberto

Da janela
Meu pensamento
Pássaro liberto,
Voa.
Para começar
Saio por aí afora
Ganhando ruas,
Bebendo luas,
Abraçando àrvores,
Sorrindo à toa.

Vianjante do meu próprio espaço
Conheço bem este caminho.
Nada mais sou
Que a transformação
No tempo que esvoaça,
Na vida que passa,
No pensamento que voa.

No tempo
Amarfanhado,
O homem não tem idade;
É sempre o mesmo,
Dono da mesma paisagem.

Avisto no horizonte
Momentos,
nuvens em movimento,
Nômades lentos
que se escoam.

Recolho sobras
Restos de cores,
Recomponho formas,
Restos de amores,
Sofrimentos, alegrias
E descubro a poesia
Embriagada
Vagando à toa.

Então,
Levo-a comigo
E de novo,
Da janela,
Meu pensamento,
Pássaro liberto,
Voa...voa...voa...


PÁGINA Nº 31

Rosalina Herai ©

Palavras


Como são importantes as palavras e que grande efeito elas tem. Um não, um sim gestos e ações para acompanha-las ou talvez não , o silêncio carinhoso e com gestos é maravilhoso. Mas, calar para sempre não é bom. Palavras tem efeito! Até o moribundo se escutar uma palavra de carinho morrerá feliz. A criança sempre precisa de palavras, palavras que eduquem e que trazem amor. O jovem precisa de palavras belas para alegrar a primavera em que sua idade vive; os adultos nunca as dispensam pq sabem o quão são importantes. Os velhos as usam em suas histórias, criam, recordam e amam também, e se tornam jovens. Palavras, ...palavras são manjares, são o deleite de quem as ouve com o ouvido desejoso, é a boca perfumada de quem diz coisas belas e sábias. Palavras não foram feitas para destruir ou para brigar, foram feitas para diálogos, para encantar.Palavras são caminhos, são luzes, porém podem cortar como navalha ou lãmina enferrujada. Palavras revivem e podem matar. Palavras é coisa séria, é alma, é espírito, é registro, é carimbo. Palavras dão medo, dá receio, oprime, comandam, soltam. Palavras tem força e esta força deve ser direcionada. As palavras que saem dos lábios murcham de frente ao terror, a mão fechada, a cara amarrada...ao medo. Palavras fazem milagres são levadas como remédio e curam. Palavras são sementes, perfumes, odores, marcas que completam o dicionário e o diário da vida. Palavras é a alma que passeia dentro do ser que as ouve provocando reboliços, revirando labirintos e levando chaves para abrir ou fechar. Palavras são encantadas e se vivas provocando gestos, cuidado, são motores do coração. Palavras ruins , tape os ouvidos e as deixem cair no chão para serem lavadas e sumirão esquecidas; palavras boas, as conservem, façam para elas um porta jóia maravilhoso e as guardem pq jóias elas são.

PÁGINA Nº 32

Isaura Theodoro ©

Amor verdadeiro


Amor...

É algo que torna gigantesca a vontade de estar ao seu lado.
É a perda da razão.
É o tornar-me indefesa diante de você.
Desnudar-me o corpo e o espírito.
É desejar o infinito para nós.
É aprofundar-me na razão do seu ser.

É tentar ler os seus pensamentos.
Travestir-me de princesa pra você.
Preparar no meu íntimo um mundo perfeito
Onde só existam eu e você.

Amor...
É sentir que a chuva tem o gosto de suas lágrimas
E desejar que a chuva nunca se faça sentir.
É sentir que o sol tem o gosto dos seus beijos,
E expor-me ao sol só pra sentir você.

Mas amor verdadeiro...
É não ter medo de ambivalências, nem de verdades.
É conceder-lhe liberdades e me sentir liberta,
Respeitá-lo me sentindo respeitada.
É não me sentir vulnerável diante desse imenso amor

Tal qual borboleta...

Linda, solta ao vento,
Sem compromissos, sem destino
Momentaneamente feliz!

Tal qual borboleta...
Pousando de flor em flor, inquieta, incompleta,
vou trocando de amores, até quando eu não sei.

Tal qual borboleta...
Sem raízes, sem história, desfrutando do presente
Por pouco tempo eu bem sei.

Tal qual borboleta...
Efêmera, passageira.
Sem um amor verdadeiro, desvinculada de tudo,
Sei que breve partirei.

A vida

Eu sou o mar que espraria na areia
O leite que jorra do seio da mulher
As gotas de orvalho nas folhas e flores
O humos, a fonte, a queda, a paixão.

Sou mais que as estrelas, sou o firmamento,
O desabrochar de uma pequenina flor.
A verve do artista, a sabedoria dos grandes,
O suor fluente do trabalhador.

Sou o choro da criança,
A dor do enlutado,
O sorriso, a fome, tudo que se vê.
O infortúnio dos incautos,
A fé do encaminhado
Sou o tempo que caminha,
O choro do infeliz.

Sou a semente que brota.
O apodrecer de tudo.
A essência do belo,
A desgraça dos maus.
Sou senhora do destino
Eu sou simplesmente a Vida!

Passageiro

Uma porta de que se abre...
Um olhar... Um sorriso...
O prenúncio de um grande amor
Que acabou de chegar.

O desajeitamento seu com as bagagens,
Eu, desajeitada com sua presença.
Você olhando-me de soslaio.
Eu com você já dentro do meu coração,
Aquecendo-o do frio cortante da madrugada.

Você se aproxima e novamente sorri.
Eu, fico acanhada e não sei o que fazer.
Você bobamente pergunta-me se vou partir.
Eu respondo também bobamente: -Sim.

São palavras tolas, medíocres.
Existem as evidências.
São palavras como outras quaisquer para um início de diálogo,
Para o início de um possível grande amor.

E você,
meio irreal por entre as brumas da madrugada,
De malas na mão, saindo de um trem
E tentando com palavras entrar na minha vida.

E eu,
Sonhadora incorrigível,
Parte integrante daquela situação:
O seu sobretudo, os olhos, as brumas, os filmes já vistos
E você ali.
Personagem real dos meus sonhos.

...Foram seis meses de envolvimento,
Prenúncio de um grande amor
Que mingou com o tempo.
Mas ficou algo de positivo:
uma amizade tão bela!

Uma porta que se abre...
Você se volta...
Sorrisos tímidos...
Um grande abraço.
Uma lágrima em seus olhos.
Uma lágrima nos meus.

Ali por entre as brumas, a despedida.
Você, passageiro da minha vida.

Uma porta que se fecha.
A certeza de um grande amor
Que nem chegou.

Intrusa

Quem é esta que às vezes
Sufoca-me, se rebela.
Aborrece-me, se descabela,
Tentando tirar-me do sério,
Tirar proveito de mim?

Quem é esta que volta e meia
Rompe os grilhões que a prendem
E tenta corromper-me,
Dominar meus sentimentos,
Distorcer meus pensamentos,
Levar-me a fazer coisas
Que não são próprias de mim?

Sei bem o que ela pretende:
Sugar-me, devorar-me o âmago,
Corroer-me a consciência.
Comandar meus movimentos,
Controlar-me por inteira.

Mas...Tola! Inquietante e tola,
Com sua maldade sem fim.
Quando ela se manifesta
A “Eu” verdadeira e pura,
Reage, repensa, domina,
Pois “Ela” é a escrava de mim.

Volúpia

Sensação deliciosa,
Inebriante prazer.
Suas mãos... Seus beijos...
O calor de seu corpo,
Sua onipotência.

Eu amedrontada...
Encorajada.
Inexperiente,
Flamejante,
Participante.

Você, doce, mas resoluto.
Fauno comedido.
Anatomia à mostra,
Caçador generoso.
Distribuidor de carinhos
Mordiscando orelha
Fazendo-me feliz.

Eu extasiada,
Inexperiente.
Caça permissiva,
Vendo estrelas
Sentindo-o tão másculo,
Compartilhando desejos,
Compactuando nos atos.

Nós desritmados,
Abraçados,
Caçador e caça em perfeita harmonia.
O caçador revigorado.
A caça, experiente
E tremendamente feliz.

PÁGINA Nº 33

Ieda Abreu ©

Conexões


Me perco em senhas
amo e esqueço números
dou todos os meus dados,
depois sumo.
Me calo aos sons,
me dirijo aos endereços com determinação
o que não impede o erro, o tropeço
cresço por dentro como raiz. (inédito)

Constatação

Estou viva, quem duvida?
Como viva, aos vivos me apresento:
visível aos olhos, sensível ao tato,
diferente só dos animais, pedras e plantas
a quem chamo seres de outra espécie.
Mas eu? Estou viva.
A quem falo? Ao vivo.
Quem me responde igual?
O vivo do alto da vida.
Qualquer som ou movimento revelam minha condição
de viva.
Até a morte me denunciará: era a viva.(Mais um livro de poemas)

Na paisagem

Ali vai a mulher
que espera o primeiro filho.
Não é louça, não é rocha
é apenas a mulher que espera
de dentro de si mesma
o primeiro filho.
Seu ventre cresce
o corpo promete outro corpo,
a vida muito antiga
vai outra vez começar.(A véspera do grito)

Sugestões a um construtor

Uma casa provisória, sem hábitos, sem fantasmas
uma casa com sua verdade de espaço, luz e cor
onde o escuro seja a noite chegando sem pressa, sem artifícios.
Que entradas e saídas tenha a casa;
que quando vazia, sugira pressa em ser habitada
e cheia, sugira silêncios particulares;
que sendo refúgio, não seja vício, mas encontro.
Uma casa que não seja para sempre,
mas para outros, para muitos.
Uma casa que pereça ou se transforme
como o material de que é feita
como a matéria dos que a habitam.
Uma casa provisória, como a vida.(Mais um livro de poemas)

Vontade

No espaço abraço do teu braço manso
quis ficar-me toda, pequena e pouca
em posição de calma e com a alma em descanso
um momento só que fosse.
Aliviada da confusão das ruas, dos carros loucos
do estouro humano em direção nenhuma,
do calor desfigurando rostos, corpos,
restos de doçura possível,
eu quis ficar e te deter um momento só que fosse.
mas não te alcanço nunca, nesta corrida estúpida,
por estradas tortas, ruas nuas,
entre dias quentes e noites quase mortas.
Mas eu queria, juro, do fundo do meu cansaço,
encontrar-te em posição de abraço
e ocupar o espaço desse teu braço manso
um momento só que fosse.(Mais um livro de poemas)

Chat

Gostaria de te conhecer em carne e osso, moço
para quê não sei, nem me pergunte
quem pergunta nem sempre quer saber.
foi esta máquina que me deu vontade, quem há de.

Talvez fique tímida, muda,
talvez nem apareça, esqueça,
ou de repente, sem nenhuma fantasia
fique apenas presente na presença tua.

PÁGINA Nº 34

Terezinha Pereira ©

Cerimônia do chá


Dia desses, a mestramiga convidou suas discípulas
Para, junto a ela, participarem de uma “cerimônia do chá”.
Que fossem de branco e que levassem lápis
de variadas cores e uma xícara desalada.

Seria para dividirem, além do chá, o silêncio das falas,
as notas das melodias, olores e sabores diversos,
a diversidade das cores inventadas pelo deus que habita cada ser,
a partir da trindade primária dos pigmentos.

Além disso, precisariam colocar os pés no chão, pedregoso, áspero,
atapetado e caminhar, passos lentos, à luz do fogo de velas,
em direção a seu eu interior e, nesse ponto, atinar o seu ponto da emoção.
Então, por isso mesmo, ninguém foi meio a esmo.

De primeiro, a mandala, cada uma delineada de um jeito,
em preto no papel branco, foi oferecida às convivas.
Era o momento de se usar as cores, pensar seus desejos,
Dos simples aos mais íntimos, ao som de música criada além mar.

E o tempo, o tempo, o tempo........ Esse se vai, despercebido.
Nem mesmo a mandala estava já coberta de cores.
Chegada era a hora de sentir os pés no chão. Dar os passos. Num silêncio de vozes,
ao som de música branda e pura, vinda de terra distante.

Num repente, voz desconhecida, entremeia a música.
Chega para conduzir as caminheiras, em ajustado compasso,
ao destino daquele ir, meditar.
Singular momento........

Cada ser dentro de seu próprio ser, de seu deus,
criado à sua imagem-semelhança.
Não importa o nome: Deus, Jesus, Flor de Lótus,
Canjerê, Kyrie, Tupã, Javé, Ganesha, Buda........

Imóveis, olhos fechados, o toque de um sino, seguido da voz da mestra.
Chegara a hora do chá, do retornar ao mundo de fora do corpo.
No abrir dos olhos, vê-se o fogo de velas.
Não se pode dizer, se clareia ou penumbra o ambiente. Apazigua.

Cada uma, uma a uma, é convidada a buscar, na mesa posta,
sua xícara desalada e a seu lugar retornar.
A música que sai do aparelho de som , no servir do chá,
chaleira borbulhante, nesse momento é daqui da terra.

“Theotókos”, que para os do além mar é mãe de Deus,
chega ao som de instrumentos de Urbano Medeiros, que lhe deu vida.
Deveras.
Chegou no momento e no lugar perfeito para ser ouvida.

O sabor dos petiscos exigem, antes, o sentir do seu cheiro.
Disseram, as que lá estiveram, nunca haverem
compartilhado de banquete de tamanho apreço.
Nem faltou o sentir dos laços do abraço, da permuta dos ganhos.

Houve risos, lágrimas, ternura e muito mais. Um sentimento de paz.
E cada uma, praticamente sem dizer mesmo quase nada,
no findar da “cerimônia do chá”, saiu de lá, renovada.
E seu entranhado eu não ficou por isso mesmo.


PÁGINA Nº 35

Terezinha Menezes ©

1. acalanto pra não ninar


não durma, anjo meu,
quero você acordado
mesmo que seja noite
e os pássaros não cantem
mesmo que seja madrugada
e as flores no espanto
aguardem o cio do sol.

não durma, anjo meu,
quero você de olhos abertos
para o mundo e para a vida
mesmo que o abismo se faça
e a solidão da descrença
o queira aquecer à tarde
mesmo ilhado pela chuva
no temor do bicho papão
descendo do teto.

não durma, anjo meu.
quero você desperto para a luta
mesmo que minha canção de ninar
respingada de amor e sono
embale sua alma e a acalante
mesmo que minhas mãos temerosas
vacilem querendo adormecê-lo
mesmo que meus olhos opacos
não filtrem o som da madrugada
confundindo manhãs e penumbras.

não durma, anjo meu,
quero você desperto
ouvindo o acalanto pra não ninar
que a vida explode
na guerra de esperanças
fluindo das sombras
no acordar de flores
sacudindo o sol.

2. amo assim

eu te amo
como as correntezas que rompem drenos
ou como o vento que derruba passagens.
e te amo
como o sol que abraça o corpo da vida
ou como a chuva que fecunda valas.
eu te amo
como a planta que abacá a luz
e vive
ou como a pedra que se cala
e guarda a mesma essência de vida.
mas sei te amar também como o beija-flor
que suga o mel
ou como a flor
que se deixa exaurir no amor.

3. ancoradouro

nosso amor é diferente:
nos teus olhos vejo
reflexos meus de procuras e achados.
foi descoberta a ilha
em que nossos sonhos buscam
gotas de orvalho
(folhas-madrugadas).

sulco estradas distantes
ao som de teus gestos
e murmurar de tuas mãos (ancoradouro)
onde repouso certezas
medos, sonhos e pesadelos.

nada aniquila a cor de minha esperança
quando vejo meus gestos nas entranhas
de teus pensamentos
na concretude gêmea das mesmas palavras.

desvendo o amor
quando percebo que teu universo
pode mudar a triste visão
de gente e coisas
em paraíso descoberto.

4. antes

a missão precisa ser cumprida
antes que a noite chegue
haverá canaviais decepados
para que se faça o mel
sementes se abrirão de podres
e o cio das nuvens
germinará primaveras

a missão precisa ser cumprida
antes que se finde a colheita
o mundo verá o ventre da ilusão abrir-se
no parto da esperança
e a centelha do amor
secar ruminações de tédio

a missão precisa ser cumprida
antes que a voz se cale
haverá enxadas rompendo drenos
haverá martelos rasgando portas
haverá foices ceifando prantos

o olhar então saturado
buscará outros caminhos.

5. as palavras são pó

a fonte parece ter secado.
sinto as raízes suspensas
presas na insólita
amplidão do espaço.
quero sair de mim
e estou presa ao próprio arcabouço
as palavras são larvas
esgarças
esbarradas
na grade da boca.
os outros são estranhos
na estrda do olhar
e minha mensagem
é código indecifável.
estou presa
no próprio arcabouço.
meus olhos são espelhos
refletindo
o espaço perdido
no tempo
galgando respostas.
mas as palavras
são pó.
pó de estrada
pó de ventania
pó de sequidão.
murchas esvaziam-se
de mim para mim
sem que ninguém
perceba
seu eco.

6. aventura

vou esquecer que o tempo parou
e navegar em águas turbulentas.
vou duvidar da paz que o povo canta
e conquistar o passe da loucura.
vou desprezar as tardes enxombradas
e procurar o espaço imenso e loiro.
vou desgrudar os pés da terra
e velejar em asas bem gigantes.

e quando tudo for inverso
chamarei as crianças descalças
para brincar de roda.

7. código

a semente brotou idéias e ideais
carregando o código de vida em putrefação
para desabrochar o cálice da esperança

de sóis em campânulas
(que deverão ser quebradas)

de flores em redomas
(que deverão ser extintas)

de sorrisos programados
(que deverão ser libertos)

de gestos medidos
(que deverão ser eternos)

de passos contados
(que deverão ser gigantes)

de falas obtusas
(que deverão ser vontade)

De lágrimas em vidro
(que deverão ser torrente)

a semente será esmagada
e dividida
e sangrada
e partida
até que os pássaros se soltem
e os sonhos tenham forma
de asas abertas.

8. cru

sem sentido
sem sentir
sem ti

sem ouvido
sem ouvir
não vi

sem compasso
sem passo


sem beleza
sem peleja
nu

sem sorriso
sem pedido
nem cor

sem conquista
sem preguiça
cru.

9. de silêncio

engastei rubis em pedestais de samambaias

o vidro e o pó
o hálito e o poente
teceram raízes e tombaram vozes
feitas eco e cansaço e corrida.

a vida
fez-se minério e respirou lagartos
na gravidez absurda do caos.

aprisionei o espanto
no cálice da margarida
e despetalei confetes
na cabeça da esfinge
brincando de mal-me-quer.

o horizonte inundou-se de paz:
o mistério da vida
bafejou o infinito
em radiações de silêncio.

10. derrubada

subiu poeira na caminhada
e o pó tingirá as flores
é necessário que alguém
provoque a chuva
e lave a esperança.

subiu poeira na caminhada
e o pó tingirá corações ausentes:
é necessário que alguém
encurte distâncias
e o elo se funde.

subiu poeira na caminhada
e o pó tingirá os corpos:
é necessário que alguém
desnude espinhos
e deixe cicatrizes à mostra.

subiu poeira na caminhada
e o pó tingirá sorrisos:
é necessário que alguém
derrube muros
e cultive a luz das estrelas.

11. engano

derreteu-se o barro
desmanchou-se a imagem:
tudo virou pó
tudo ao pó retorna.
mas o homem continua
a profissão de escultor:
modela, esculpe, burila
o barro
cultuando a imagem
deusa do engano.
não importa
que pedestais se rompam
e a corrosão mastigue a aparência.
de novo o homem
estátua sobre duas pernas
mira-se no espelho
e continua (julgando-se eterno)
esculpindo
à sua própria imagem e semelhança.

12. espanto

há momentos
em que a flor submerge
e tentáculos
esmagam a esperança.

há momentos
em que a mão é decepada
e foices
mutilam a busca.

há momentos
em que os olhos se derretem
e brasas
diluem
a vontade de ver.

há momentos
em que a boca se espanta
e armadilhas
raptam
palavras precisas.

há momentos
em que o momento se castra
e o tempo
galga
o inexistente.

13. estrelas

não insistas em arrancar água:
o poço é seco
e secou as lágrimas dos homens.
a angústia drenou sentimentos
e a frieza da razão
plantou raízes de germes em conserva.
não conquistes
o coração da esperança:
mãos venenosas
derreteram o verde
e plantaram descrença nos jardins do mundo.
mas a chuva virá
e florescerão estrelas
nos olhos de toda gente.

PÁGINA Nº 36

Nair Gomes de Assumpção ©

O Bem e a Paz


É chegada a hora de construir
Um mundo de amor e fraternidade,
Novos paradigmas inserir com lealdade
Novos olhares a eles dirigir.

Acolher de braços abertos,
Tantos excluídos sem motivação
O tema proposto oferece salutar reflexão.
Os poetas sabem eliminar os desencantos.

Não é utopia este mister voluntário,
Dedicar amor incondicional não é ser otário!
Se não for possível de forma pessoal
A tecnologia é parceira, na comunicação virtual.

Beligerância será extinta, dará lugar à PAZ !
A POESIA não utiliza somente caprichos da imaginação.
O BEM sempre é lembrado, tocando de mão em mão,

O Poeta amigo sempre será capaz !

PÁGINA Nº 37

Marta Rodriguez ©

-É assim que me vejo


Me vejo um animal dominado
Trabalhando acorrentado, por horas forçadas
Que nada me acrescenta no final de cada dia
A não ser um corpo cansado, sofrido e esquecido
Num canto qualquer de uma jaula revestida
Por falsas paredes de concreto sem vigas...

Me vejo longe dos meus sonhos
E iludida descanso despida de esperanças
No leito da minha dor, onde o meu cobertor
É as sandices pecaminosas de uma política falida...

Exausta, desperto no meio da noite
E vejo que o pesadelo não chegou ao fim
Penso que estou enlouquecendo, pois ainda estou
Acorrentada a normas e regras escravas
Que me abrem feridas não cicatrizadas
Que sangram numa hemorragia incontida
A dor do sofrimento assistido pela indiferença
Que os injustos me apresentam...

Me vejo acordando para mais um dia
E ao me deparar com as mesmas injustiças
Cometidas por tolas regras de uma política egoísta
Desperta em mim o sentimento da ira que tanto abomino.
É nesta arena da vida que me vejo
Um animal acuado diante de uma luta injusta
Onde a ganância dos injustos me desarmam
Tirando-me os direitos de defesa...

É impossível viver em paz
Num mundo em que os homens
Deixaram para trás o paraíso
Para viverem num inferno de ganância e egoísmo
Que tornam os meus sonhos em pesadelos
Onde o mal prevalece me deixando em desespero...

São tantos os sofrimentos que me afligem
Que basta olhar em meus olhos para notar
As nítidas marcas do meu descontentamento.
Nele verás o quanto a minha alma sofre
Ao presenciar uma guerrilha insensata de poder
Que destrói o meu sonho de viver na simplicidade...

Me vejo abatida por regras abusivas
E por impostos sobre impostos
Onde a ganância e a arrogância dos injustos
Me levam a ser um animal faminto, e brevemente
Um animal extinto, finalmente liberto das correntes...

-"Alucinação"

O Espaço...
A Terra, o Céu...
Eu, Você e... "Eles"
Numa visão surpreendente!
O Nervosismo e a Apreensão,
A Verdade e a Mentira,
O Inicio ou o Fim de uma Revolução?

A Coragem de uma Aparição,
O Medo e a Desconfiança!
A Confiança e a Intervenção!
Quem estará com a Razão?
No Céu haverá Aves e Naves!
Haja Coração!
Um verdadeiro cenário
Para uma Representação!

O momento é de Decisão,
Invasão, pré-dominação!
Em nome do amor e paz
Ou para desviar a sua atenção?
Autoridades governamentais,
Vídeos, jornais, revistas e televisão!
Todos envolvidos para ludibriar a sua nação!
Corrupção, Crise, Fome, Mortes e Aflição!

Indecisão e Tensão,
Sentimentos de um povo sofrido
Que Atentos observam o céu
Em busca da luz da Esperança
Que trará consigo a Inovação
Sob Orientações extraterrestres.
Pobre povo, serão induzidos
A caminharem contra a luz,
Para não verem as verdades
Que estão bem diante da sua visão!

Atentem-se para o Céu e,
Sofrerão as penalidades da Alucinação!
No chão deixarão de Enxergar a Verdadeira
Situação e a sua Solução!
A Ilusão os levará a uma Perseguição
Que desatará o elo de uma União
Que viria a ser para o Bem em comum!

No Céu,
O Véu do Milagre trará a Luz,
Que antecederá a Escuridão!
Na Terra, a Podridão
De um Amor corrompido pela Enganação,
Trará a Paz, que reinará depois da Destruição.
"Terrenos Alienados"
Ou alienados determinados a tapar a sua visão?

-Quem somos nós?

Às vezes me pergunto
para que viemos ao mundo,
e o que somos nós!?
Será que somos mesmo animais racionais,
ou será que isso não passa de uma lenda?
Será que viemos para desvendar os mistérios
da nossa resistência, desobediência e fraquezas
perante a força da natureza?
Ou será que viemos para destruir
o berço que nos acolhe e nos alimenta?
Alertou-me a mãe natureza que:
Não somos gente,
somos uma praga que destrói mais do que constrói,
quando o que domina é o querer, e o poder!
E mal sabemos que:
Não veremos mais o dia nascer
se um dia parar de chover,
e que o ar que respiramos já é possível ver!
E que se o sol continuar a super aquecer,
iremos morrer sufocados por nossas próprias mãos!
Mãos que se movem ao ritmo da ganância e do desrespeito,
regidas por uma ignorância que não posso crer!
Não iremos sobreviver,
porque quem tudo quer nada tem!
Porém, peço humildemente que alguém
tome uma atitude de gente
e nos ajude a preservar o que Deus criou com tanto amor ...

-Crianças sem Natal é Natal?

Revolta e repulsa é o que sinto
quando olho nos olhos de uma criança pobre
e vejo neles a tristeza que sentem
refletir na incerteza de ter ou não ter um Natal feliz!

A cidade está em festa!
Ruas e casas estão impecavelmente enfeitadas.
Vitrines com cores vibrantes
chamam-lhes a atenção para os diversos objetos à mostra
realçados pelos piscantes multicoloridos!
No silêncio desses pequenos olhos sem brilho
Vê-se uma alma que diz:
- isso tudo não é, nunca foi, e nunca será para mim...

Pobres crianças!
O que elas não sabem é que...
O Natal é o verdadeiro dia das crianças
e que elas como milhares de outras crianças
tem por direito de nesse dia e em todos os outros dias de suas vidas
o direito de ser feliz e ganhar de presente o reconhecimento
digno e justo daqueles que governam o seu país...
Senhores afortunados,
estou triste igualmente triste!
Os senhores parecem ter se esquecido que já foram crianças um dia e que,
Deus é o nosso Pai e que todos nós somos irmãos...
E que como toda boa família todos devemos nos dar as mãos
e dividir em partes iguais os nossos direitos e o nosso pão!
Portanto tenho uma pergunta muito especial aos senhores!
- Quando é que o Natal chegará
para milhares de crianças pobres desse país?

-Pobres e inocentes

No morro da infelicidade, crianças pobres e inocentes
sobem e descem por trilhas implícitas de horrores...

Elas caminham assustadas entres os maus mercadores,
que vendem livremente drogas alucinógenas.
Armados até os dentes,
mais parecem amimais
ferozes em forma de gente.

Irracionais homens do mau,
não têm nenhuma compaixão pelos seus.

Do outro lado, estão os magnânimos chefes
de um tráfico organizado gozando do fausto,
impunes em suas incríveis mansões compradas desonestamente.

Pobres crianças indefesas, que chances elas terão,
de se tornarem amanhã, grandes homens de bem
se vivem sob o medo e sob as constantes ameaças de morte,
estando elas entregues à própria sorte?

Na briga pela disputa de um comércio amaldiçoado,
crescem os inocentes regidos pela força de um fuzil.

Entre a fumaça e as partículas
de fogo que dele se esvai,
elas, acuadas, sob o fogo cruzado
procuram abrigo
em qualquer beco sem saída.

Pobres homens descrentes.
Deixaram-se dominar pelo mau comércio,
onde efetuam vendas proibidas,
usando as nossas crianças como escudo!

Perderam o respeito pela sua gente,
sepultando muitos inocentes
numa guerrilha sem fim,
onde perderam a decência,
enfrentando os homens de farda,
que lutam incansavelmente pela nossa guarda.
Ignorantes homens fora da lei
Ignorando a fé, se esqueceram que é lá
no morro das tristezas que ele está
Ele, o nosso Cristo Redentor,
orando por nós de braços abertos...

-Olhos que não vêem

Enquanto os homens não aprenderem
A olhar os seus semelhantes com os olhos
Da alma, e a ouvir com a voz do coração,
Jamais irão entender os absurdos
Desumanos que cometem...

Enquanto não aprenderem
Que uma pessoa, "mais" um trabalho digno
É "igual", a uma família alimentada e crianças nutridas,
Estarão subtraindo seres inocentes e amedrontados
Na batalha onde a arma mortal é a fome,
A miséria e as condições sub humanas em que vivem...

Enquanto não aprenderem
Que devem abdicar de seus egoísmos
E ambições, não haverá igualdade
De condições humanas para todos...

-Mulheres de coragem

De dia não me acho
De noite me disfarço
Desato os laços das proibições

Abro espaço para a coragem,
E às ruas, de mini saia saio.

Calço um salto alto,
De vermelho pinto os lábios
Solto os cabelos
Nesse momento não sou mais eu
Olho para os lados e disfarço.

Tenho vergonha do que faço.
Quem está de fora logo diz:
Essa é uma pervertida

Está em busca de novas emoções
O que ela quer é ganhar dinheiro fácil.

Faça frio ou faça sol
Lá estou eu de pernas de fora
Por uns míseros trocados.
Nas esquinas me entrego sem pensar
Tenho filhos para sustentar!

Então eu me pergunto:

Que país é esse?

O que ele tem para me dar?
Nada!

A não ser as portas fechadas
Pois uma educação digna,

Quando eu era uma criança,
Ele não me foi capaz de dar...

-Morre lentamente

Morre lentamente quem não se ama
Quem não ama o próximo, e quem
Não tem sonhos, quem não tem planos,
Quem não tem esperanças de um mundo melhor...

Morre lentamente quem não planta
Quem não semeia paz e amor
Quem não se preocupa com o próprio lixo deixado no chão.
Quem bebe das águas turvas, quem respira a poluição
Quem não tem o solo fértil para a plantação...

Morre lentamente quem se fecha dentro de si
Quem esconde os sentimentos, quem fecha os olhos para não ver
Quem não tem Deus no coração, quem não se movimenta
Quem desconhece o que é "Reconstruir, doar e repartir",
Quem desconhece o que é gratidão...

Então, brindemos a vida!
Mexa-se e ajude a reconstruir o que até agora já foi destruído
Plante e comece a colheita ao final de cada eflorescência
Sentindo no ar puro as flagrâncias das flores
Nas águas límpidas o gosto da vida
E jamais se esqueça de agradecer a Deus,
Pois foi ele quem criou o paraíso em que vivemos...

-Cuide bem de mim

Sou criança,
Mereço carinho e respeito
Faço arte, mas isso faz parte
Do meu aprendizado que me abrirá caminhos...

Sou anjinho, mereço beijinhos
Sou ser humano,
Preciso de abrigo, abraços e afagos
Sou frágil e pequenino...

Ao som do meu choro, não se irrite

Não me maltrate, não me levante a mão,
Averigúe se estou com fome, dor ou com frio...

Sou filho de Deus
Aos seus cuidados fui enviado
Trate-me bem, amanhã serei alguém
Que não irá esquecer que cresci bem e feliz
Com todo o amor que me foi dedicado...

PÁGINA Nº 38

Eliane Alcântara ©

-Sutilmente.


Antes que eu desespere tome meus desejos,
engula minhas vontades uma a uma
e aprove a loucura que eu trago presa nos olhos.
Deixe-me úmida, fruta pronta para seus lábios,
desnorteei meus rumos, desoriente meus pensamentos,
quero enlouquecer em sua cama, perder-me em seus abraços.
Capte a delicadeza de minha fome de amar,
lace noites acesas aos nossos corpos candelabros,
alumia-me de dentro para fora com seu gozo.
Imperfeita que sou ouça meu grito de prazer,
musical sentença aos seus ouvidos.
Devore meu querer, dome minha rebeldia,
devagar recomece como bem sabe.
Olhe profundamente meu deslizar no colchão,
toma-me sua brincadeira preferida
e assim serei em suas mãos o dado que acaricia
antes de lançá-lo ao seu destino.
Sabendo manipular-me prazerosamente terá imensa sorte:
Sua mulher, de dama a puta serei por todo o sempre, ternamente.

-Dias meus.

Tem dias que brinco comigo
e busco um sorriso em algum fundo de traço,
talvez um caminho em que me encontre
ou algum outro no qual me perca.
Tem dias que dispo minha alma
e reviro-me criança fera de um não delírio.
Deixo a tristeza pintar um mar
e nuvens filmarem alegria.
Tem dias que cavalgo poesia
e planto palavras nos pés de meus anseios,
outros rasuro malícia e desmancho segredos
tatuados na ponta de alguns prazeres.
Nos dias escritos desencravo dores
destilo amores e afago torrentes.
Tem dias que saio de mim
olho de fora e queimo por dentro.
Tem dias nos dias férteis que viro semente
e de mim broto mulher alucinada
com minhas taras e meus frágeis medos.
Tem dias que esqueço de mim
e sem querer me acho, inteira.

-Fatídica.

Deixa eu descobrir sua pele, morder seus segredos,
guardar o bom de nós dois nus no sentir
e adormecer a saudade em um vento suave.
Pelas novas brotações deixa que eu caminhe seus pêlos
e minha língua molhe suas manhãs tão iguais.
Pretendo ousar o diferente em seu pensar
e em sua carne acostumada a minha criar o novo.
Há um ponto de partida em meus dedos,
jeito de ir e não partir sem o gozo.
Recomece em meus lábios besteiras de nós dois,
só mais uma vez quero ser louca em seu corpo,
perdição de quem já anda sem chão
no avesso das suas manias de ser sem mim (o nada).
Deixa de lado as espirais dos enganos. Vem para a cama.
Se há destino capte o sinal. Tenho direções...
Encontre o final e deixa que eu brinque princípio,
fogo entre chamas no tanto da sua imaginação
se for capaz de andar lado a lado com a minha.
Deixa que eu cuide de nós... Amanhã.
Hoje já o amei demais.

-Sexo.

Estou com sede
E a água não mata
A fome da minha boca.

-Natureza.

Despetalada na consciência
Haverá de enxergar
A oposição em movimento
Aquele que não ouve?

Até quando sentir será
Bicho de jaula no corpo humano
Oculto por peles suadas
No desejo de mais um dia?

O que não morre não vive
E vegetar é síndrome
De vegetal que escorregou
De um reino animal
Para ser nada
Onde tudo... segue vivo.

-Antropofágicos.

Mãos nas paredes, respiração colada, unhas arranham costas,
lábios passeiam nuca, ombros.
Palavras entendem palavrões, saliva quente molha ouvidos.
Macia ela escorre tesão em gemidos.
Nádegas provam er(os)eção. Tecido fino esvoaça, grossa calça proíbe.
Melam roupas varais cabides aguardam luxo pau(Brasil). Tupiniquins.
Sorri escuro, clara intenção, som alto, vozes esmiuçadas lá fora.
Lambe pele olhares. Dedos abrem desejos.
Meninas-lentes-oculares registram. Vestes pendem.
Sexos afoitos deslizam, provam.
Mar de rio deságua. Boca pede flauta sopros calores umidades.
Bicos dos seios roçam tinta. Peito comprime imprime sexo.
Pernas semi-abertas des-ocultam.
Vadia gata cio desdobra. Pétalas tocadas oferecem néctar.
Bebe deus, goza índia puta mulher.
Beijos mordem coxas virilhas pêlos esfregados.
Língua movimenta sentidos, principia caminha lava.
Teso ele coloca tira coloca. Força reforça encosta.
Punhal acarinha carne. Louca geme vida.
Dentro ele presente dentro ela quente sente.
Juntos realizam-se ingerem sugam arrotam tabus compreendidos.
Sublimam-se eróticos versos. Sublimam-se cores formas.
Produzem energias. Ultrapassam. Lado a lado ardem corpos.
Olhos bêbados engolem incesto da língua a comer língua 'pátria'
e comendo-se estas regozijam _caso mãe e filha.
Vós quem sois, sóis de lirismo cultuado/aculturado?
Quem é mãe quem é filha? Estrelas.
Lúcida molha caralho chupa goza morde alisa. In decência e adentro.
Marginalizados cérebros progridem criam fiam raça pura.
Sensuais odores convidam. Sai percorre entra escorrega fica pára recomeça,
prazeres femininos/masculinos escápula sem sangrar gozo (pro) fundo.
ElaEle nisto e disto recriam-se vida e morte.
Nascem ressurgem erótica do fogo ao calor de cada qual.
Liberto desejo voa nova conjunção raízes
corpos almas (contínuo movimento).

-Brasil Brasileiro (?)

entre e apague a luz
esqueceram a chave
no banheiro
e não há meios de tapar
o imenso buraco
deixado na fechadura.

-Índios.

alguém sabe
aonde colocaram
a seção de enlatados?

-Novo dia.

Hoje não pense que algo possa dar errado.
Hoje é um novo dia e existe muito de bom
a espera que alguém acredite e realize.
Não seja você o responsável por um dia
sem marcos ou um dia falido.
Idealize suas metas e alcance-as;
não é tão difícil quando a gente sabe que pode.
Agradeça a Deus pela sua vida
e a vida de todas as criaturas.
Deixe a pureza do seu coração
iluminar tudo ao redor.
E se acontecer das estrelas inundarem seus olhos
divida com os necessitados de fantasia
a sua brilhante realidade.
As mãos daqueles que contribuem para o bem
não ficam vazias.
Faça o seu dia ser diferente...

-Despudorada.

Pernoito a loucura das tuas mãos a acordar os meus sonhos
e enrolo nas estrelas que faíscam dos teus olhos minha paixão.
Sinto que sou tua fruta a saciar-te o paladar
quando brincas com minhas noções de amar
e encaixas meus suspiros em teus jardins de encantos.
Transfiguro a santa em fera e arranho teu peito
com a suavidade de quem quer excitar o alimento;
minha presa e minha vida, atada em pedaços de paraíso.
A febre inunda a cama e teus lábios, portadores de Deus,
pregam beijos proféticos em minha carne incrédula,
porto para prazeres que comem-nos aos poucos.
Tu tens o respirar que aquece minha tara
e sabes os mistérios que imploram meus gemidos,
sons para ocupar tua mente, ternamente.
Corro em passos de amante a janela, e deixo-te entrar,
brisa que refresca a minha intimidade e percorre
neste instante todos os sonhos dos apaixonados.
Converso com a solidão e o contraponto dos dias felizes
anuncia-te manhã a serpentear em minhas entranhas
o envolvimento de um amor leviano...
... puro em todos os sentidos - Quente!
Sinto o peso do sono, dou adeus à insônia e na cama,
teus dedos alisam a indizível pulsação dos meus atos.
Devoro-te, entrego-me, desespero-me, encontro-me.
Teu desaguar molha-me o sexo e crua tempero-nos,
fragmentos de um todo escaldados no berço quieto
dos nossos mergulhos poéticos: súbitos destinos carnais.


PÁGINA Nº 39

Selene Antunes ©

-Mulher


Mulher, depois da rosa és a mais formosa
Sexo frágil que bobagem
Nunca esqueça mulher seu nome é coragem
E por suportar tantas dores na vida
É que fostes escolhida para a missão mais sublime
Povoar este mundo sem fim.
Muitas vezes és desprezada
Outras vezes colocada de lado
Tratada com inferioridade
Como se seu valor fosse nada.
No entanto basta observar
Elas tem mudado o mundo
Lutando por igualdade
Fazendo dupla jornada
Trabalham dentro de casa
E fora de casa também
Somando com seus parceiros
As despesas que convém.
Mulher coragem...
Que batalha todo dia
Seja médica ou lavadeira
Jornalista ou faxineira.
Porém a diferença que existe
Entre todas as mulheres
É a luta pela vida
É o dia-a-dia sofrido
Que muitas precisam enfrentar
Sem salário e sem hora pra parar
E como se não bastasse
Tem mulher que apanha e cala
Tem mulher coragem que fala
Precisamos mostrar ao mundo
Que a mulher tem seu valor
Queremos sim, competir com igualdade
Tomar o lugar dos homens;
Que bobagem
Só queremos com o trabalho
Ajudar nosso País
A buscar melhores condições
E enfim acabar com a discriminação
E com os homens queremos...
Harmonia, paz e muito amor no coração

-Mãe de verdade

Mamãe é com a voz embargada
Que ouso recordar minha infância
Com o coração disparado
Mamãe obrigada por tão belas lembranças

Quantas noites passou acordada mamãe
Quando doente eu mal conseguia respirar
Quantas vezes engoliu o choro
Somente para que eu não a visse chorar.

Mesmo com o coração partido
Mantinha um ar feliz e vivia sempre a sorrir
Me ensinou a amar e a respeitar
Me mostrou como é bom ser humilde e partilhar

Feliz quem tem por perto sua mãe
Mãe que é mãe de verdade tem cheiro de rosa
Educa ensina mostra o melhor caminho
Mãe que é mãe é fera e poderosa.

-Em tempo

Alegres fantasias
Rodeiam a minha mente
Toda noite me torturam
Com o passado e o presente.

Amei uma vida inteira
Eu não sei porque razão
De ninguém senti amor
Destruí meu coração.

Perdi tempo em minha vida
De lutar eu desisti
Fui covarde em bem sei
Só que ainda não caí.

Vou dar a volta por cima
Vou cuidar do coração
Estou amando a mim mesma
Esperando uma paixão.

-Coração

Durante uma vida inteira
Insistentemente meu coração me confundiu.
Todas as vezes que pensei estar amando
Tudo mentira,meu coração sempre me traiu.
Estava amando loucamente o Fernandinho
Sentia arrepios e taquicardias
Porém batia loucamente quando o Roberto chegava
Acelerava e parava quando ele se aproximava
E eu tola já pensava não amo mais o Fernando.
Desde jovem este coração já me dominava
E com minhas emoções sempre brincava.
Tantas vezes namorei
Tantas vezes me apaixonei
Viví cada paixão intensamente
Tive um coracão inconsequente
Sentia paixão por tudo e por todos.
A primeira paixão foi Jesús...
E hoje mesmo cansado
Este pobre coração desvairado
Ainda sente grande paixão
Uma paixão diferente
Por ver o povo abandonado
Por nada ter melhorado
E aos poucos vai parando
Mas que coração danado....
Até a ultima batida, serei enganada

PÁGINA Nº 40

Maria Anjinha ©

01- Sonho de um amor!...


Sonharei com você, dançando entre magias...
Dançarei por entre flores da Primavera.
Vou rodopiar, até sentir o vento sobre meu rosto.
Porta se abre. Por ela entra um raio de Luz,
linda libélula, trazendo bela canção de Amor!...

Estarei sonhando com você, cantando para você bela canção.
Nem que seja só em meus sonhos, mas terei sempre você,
ao meu lado e em meus pensamentos.

Minha veste rosa, da cor do cravo que lhe ofereci,
meus cabelos esvoaçantes...
Em minha mão, uma estrela a brilhar,
para você guardar, dentro do seu coração.
Sonho com você, fecho os olhos, vejo nossos lábios
se unirem, como se fosse nossa primeira vez.
Com você, minhas emoções são tantas,
que fico a bailar, como um beija-flor.

Deito minha cabeça, em meu travesseiro,
vejo você a me olhar.
Imagino carícias de amor...
Encosto meu rosto no seu e sinto o seu cheiro,
de pele banhada, com flores da Primavera...

Sonho com você. Ouço uma musica.
Emocionada, cai uma lágrima. Percebo a falta que me faz.
e fico a vagar, pelo espaço de minha dança,

Sonho com você dia e noite,
vejo seu rosto, seu belo sorriso.
Sinto no ar seu perfume, onde me banho,
com amor e paixão.
Sonharei sempre com você,
não importa aonde estiver...
estarei sempre sonhando com você!...

02 - Sonhando com anjos

Nuvens como algodão, vou passeando por todas elas.
Anjos surgindo, com suas vestes brilhantes, asas brancas e alvas...
Carinho e amor vou oferecer, para todos me protegerem.
Caminhos floridos, irei percorrer, indo em busca do
Amor e da Paz.

Neste sonho com os Anjos, eu me
encontro em plena Glória e Vida.
Um reino de meditação, todos de mãos dadas,
vendo Jesus passar...
Todos a comemorar nossa alegria,
de viver e de estar passeando pelas nuvens de algodão.
Sinto -me flutuando, na proteção de todos os
Anjos de Deus, na Luz do Amor!...

Neste Sonho, vejo lá de cima todo o Planeta,
com seus pontinhos de luz a brilhar,
como estrelas a refletir, em meu olhar...
Estou presente, ao lado de todos esses Anjos,
vindo ao meu encontro, trazendo em suas
mãos, incensos e flores para me perfumar!...

Nessa noite de sonho e magia, sinto-me Plena,
como se fosse o tocar de mãos encandescentes, para me acalentar.
Ouço cantos e canções angelicais,
vozes suaves. num magistral hino de Amor,
para que o meu despertar, seja de Alegria,
para louvar os Anjos de Jesus, com fervor!

03 - Contigo a bailar!...

Em tua face contemplo beleza,
Vejo tanta ternura em teu olhar
Contemplo, em tuas mãos, luzes estelares,
brilhantes, como um raio a nos brindar.

Asas esvoaçantes brancas,como neve, que bailam no céu,
me acarinhando, neste doce voar...
Ó meu anjo de doçura, de brandura,
vem consolar essa alma , que vive a chorar.

Vem, meu doce e eterno Anjo.
Vejo ,em suas asas, o azul do céu a cintilar.
Penas brancas, asas grandes,
bailando suave, ao luar...
Pego, em sua mão, sinto sua vibração.
Voamos, por brancas nuvens,
ao som de mais uma bela melodia de amor!...

Contemplo a magia do seu corpo, livre, solto a voar,
Uma presença, em seu olhar...
Sua luz a irradiar brilho, para nos enamorarmos.
VVem, Anjo Meu, me abrace, em teus braços.
Me leva contigo a bailar!...

04 - Hoje

Hoje é minha realidade...
Hoje!
Minha alegria...
Que sempre foi consagrado, em minha vida.
Meu passado, vou deixar, em meu coração,
as lembranças boas e vividas.
O futuro será sempre um sonho, onde corro
atrás dele, para agarrá-lo, e poder viver
os sonhos que tenho dentro de mim.

Hoje, volto novamente a viver...
como um presente.
Deus, que foi tão perfeito, me colocou,
junto de todos os meus amigos.
Deixo o tempo passar. Vou vivendo
como um Anjo da Esperança e da Paz...
Com prudência, Harmonia e Amor Infinito.

Quero viver uma plena realização,
de sentir o Hoje, em meus dias.
Realizar do Hoje, momentos de alegria,
de Paz incontida, que eu possa dividir ,
com todo o Universo...

Hoje, eu quero apreciar o pôr-do-sol,
abraçar e beijar meus amigos,
oferecendo a todos o meu abraço,
amigo e fraterno.
Sinto o Hoje, como se fosse uma borboleta,
pousando de flor em flor,
beijando todos os amores de minha vida...
Hoje, eu quero contemplar o céu, guardar
dentro de minha memória, um futuro
pleno de Glória...

05 - Encontro com um anjo...

Subi aos céus, com minhas asas brancas,
transpassando o tempo e o Universo...
Bailei, por entre nuvens azuis, como um pássaro,
à procura do meu Anjo de Luz e Paz!...

Queria me mostrar adulta, ignorando todas as
minhas tristezas e dores de paixão...
E, no fulgor da luz, me pus a sonhar, abraçando
meu Anjo e de mãos dadas comecei a olhar o seu
modo de ser e ver!...

Num embalo de uma linda melodia,
caminhamos pelo espaço Sideral, nos adormecemos
estendidos ao relento, apreciando todas as estrelas a brilhar...
Pés descalços, asas abrindo e fechando, linda
melodia num compasso angelical...

Em momentos de terna paixão, balbuciamos um para outro:
"Vamos voar...voar... até encontrar e ver o amanhã de uma
primavera, com flores a salpicar nossos corações.
Vamos encontrar no horizonte, toda a beleza, de um
sol radiante para nos iluminar...
E, brindar nosso encontro de Anjos da Paz"!...

Felicidade desenhando as cores do arco-íris,
em um toque de desejos e encanto, da radiante
vida colorida, cativando nosso voar entre nuvens
passageiras de um eterno sonhar!...

06 - Menina anjo

"Um momento de sonhos sonhados"...

A menina dos cachos dourados...
Parecia um anjo travesso
Rodopiava...rodopiava nas brincadeiras
de menina anjo...
Era um doce favo de mel...
Sua pele rosa da cor da rosa...
" COR DE ROSA" !...
Seus lábios rosados, como um morango adocicado...

Menina que parecia anjo...
Anjo angelical, com um doce sorriso nos lábios...
Vivia a pensar...que um dia seria uma linda mocinha,
a bailar pelas nuvens ao léu!...

Conversava com Jesus, toda manhã e a noite também...
Ela vivia a sonhar, por um mundo melhor...
Um mundo puro, de brincadeiras, e de bondade.
Menina dos cachos dourados...
Venha até o meu coração...

Vamos juntas planar, em nossa galáxia do amor...
Vamos voar...voar... sentindo o vento solto,
acariciando nossos corpos.
Vamos subir até o céu, pegar todas as estrelas
do firmamento, para iluminar o nosso caminhar....

Chegaremos ao topo de uma montanha de cristal,
para poder apreciar o dia amanhecer e o anoitecer,
elevando pensamentos belos, em nossos momentos
de grandes brincadeiras.

Continuaremos nossa grande viagem, por esse céu sem fim...
Cada porta que abrir, colocaremos flores encandescentes,
para encantar quem vier conosco sonhar!...
Vamos colocar nossos desejos, em cada estrela a brilhar.
Venha, menina Anjo...
Desce do céu e venha me acordar!...

07 - Luz do amanhecer!...

Quando estiveres sobre o meu olhar,
serei aquela estrela brilhante e radiante,
como um raio dourado.
Não importa, se todas as janelas irão se abrir.
Serei sempre uma estrela de raios dourados,
para iluminar o seu aconchego, nas noites de lua cheia.

Não importam as barreiras que vamos atravessar,
nem as pedras que surgirão em nossos caminhos.
O que importa é esse amor forte, sentido em
nossos corações, para poder lutar contra todas
as bravuras do tempo, contra nós...
Criaremos Asas, como Anjos, para voar até
o Infinito, onde encontraremos a Paz de toda nossa vida,
para que tudo possa começar a nascer,
e surgir em noites de um amor sem fim.

Seremos uma ponte para o infinito, que irá nos levar,
para junto de todas as estrelas do céu,
onde todas as nuvens de algodão irão nos
aconchegar, onde chegaremos,
como dois Anjos Flutuantes a bailar, por este
invisível mundo de constelações a brilhar...

Chegará até a nós, uma luz a brilhar,
e neste jogo de luzes, juntaremos nossas
almas, onde ficaremos,
na sublime Luz do Amanhecer!...

08 - Almas gêmeas que se encontram...

Me transportei por esse Universo Azul,
procurando chegar ao encontro dos teus olhos.
Olhar bem dentro, bem fundo,
para ver os meigos olhos da paixão,
me fazendo embalar,
nos doces abraços da razão.

Sentir nesta doçura de olhar
toda a certeza do nosso amar.
Neste meu amor, já não existe dimensão.
Em todos os lados, em que me transporto,
vejo sempre o teu vulto a me espreitar.
Viajei noite e dia, neste mundo sem fim,
procurando te encontrar!

Nesta minha paixão incontida,
estás sempre em meus sonhos.
Estou sempre procurando te trazer
para minha realidade,
vida eterna que hoje vive em
outra dimensão.

Uma parte de mim contigo!
E nossos laços
seguindo em vão, para
nosso encontro final.
Seremos, então,
duas Almas Gêmeas:
Eu por ti
E tu por mim!!!!

09 - As flores do meu amanhecer!..

Olhei pela janela do meu quarto.
Por aquela fresta pequena,
passei a observar o sereno cair,
cobrindo todo o encanto,
do meu Mágico Jardim.

Presenciei o encanto da natureza.
Fiquei a mirá-lo.
Eis, que aos poucos,
vem chegando o Sol,
dando vida às flores.
numa Paz contida,
de um canto encantado.

Quero voltar a olhar da minha janela,
apreciar a chegada da nossa primavera,
iluminando todas as flores
que sorriem com tantos amores!
Benvinda a Luz que amanhece,
dando alegria às borboletas e beija-flores
que colhem o néctar
de nosso mágico jardim!...

10 - Hoje eu quero te amar...

Quero essa noite te amar...
Loucamente e apaixodamente,
quero acariciar seus cabelos, te abraçar,
sentir tua pele junta da minha.
Nossas bocas se encontrando, sentindo
o desejo de amar infinitamente.

Quero me entregar de corpo e alma,
sentir nossos desejos plenos.
Quero descobri em seus beijos,
a loucura de amar perdidamente e
apaixonadamente.
Quero estar junto de te, sentir teu
cheiro e o tesão de um amor relizado.
E neste embalo tão delirante, me levo a
te procurar, sentir esse erótico sonho
de amar você, perdidamente...

Hoje eu quero você...
Neste sonho de um amor sem fim...
para tornar nosso sonho realizado!...

PÁGINA Nº 41

Grazi Henriques Ventura ©

-. Sob a luz do luar


Eu já estarei chegando
Pode esperar por mim.
Estaremos nos amando
Em felicidade sem fim.

E sob a luz do luar
Vou me entregar á você
Neste paraiso à beira-mar
Nada e ninguém vai nos ver .

A noite será só nossa
Até o dia amanhecer.
Mais feliz, não sei quem possa
Que nos dois ninguém ha de ser.

Quero adormecer feliz
E em seus braços acordar.
E ao ouvir o que me diz
Para sempre eu vou te amar

Espera que em nossa vida
Seja para sempre assim.
Sem pressa, sem despedida,
E que nosso amor não tenha fim!

-. O crepúsculo do amor

Num lindo banco florido
De um encantado jardim
Juntos estamos nós dois
Recordando este amor sem fim.

Aproveitando o crepúsculo
Que trás as folhas caídas
Lembrando de tudo, enfim
Que houve em nossas vidas.

Qual as folhas caídas ao chão,
Que o vento vai levando.
As páginas passam e então,
De tudo vamos nos recordando.

E com lágrimas de saudade
De tudo que até aqui fizemos.
Vimos que foi bom de verdade.
Valeu este amor que nos dois vivemos.

-. Poeta não morre

Será eterno o poeta
Mesmo se um dia morrer
Lembrado sempre com festa
Por tudo o que ele escrever.

Seu nome, uma nova estrela
No infinito vai brilhar.
E na terra todos ao vê-la,
Vão do poeta lembrar.

Não se esquece a poesia
Qua nasce da inspiração.
Do poeta que um dia,
Expôs o seu coração.

Tem o seu nome gravado
No coração e na mente.
E sempre será lembrado,
Por toda esta sua gente.

Que um dia o viu despontar.
Para os encantos da rima.
E para o seu poetar . . .
Mesmo estando lá em cima!

-. Estações da vida

Não tenho mais o florir da primavera.
Não tenho mais o calor do verão.
Não tenho mais do amor a quimera.
Não tenho que iludir meu coração.

Agora é outono em minha vida,
Minha alma se entristece e quer chorar.
Depois de uma jornada tão comprida,
Ele já não deve mais amar.

Passou a vida inteira procurando
O verdadeiro amor, mas foi sem sorte.
E logo o inverno está chegando.
Com ele o descanso, a paz, a morte!

-. Procura

Procura, procura!
E você vai encontrar
Não o amor, mas o amigo,
Que não vai lhe deixar.

Então escreve o que digo,
Estará sempre a seu lado
Qualquer tempo, qualquer hora
Prestimoso, dedicado,
E sem nada perguntar,
Só querendo ajudar.

Virtual?
Ou real?
É só você chamar,
Quando dele precisar

-. Vem dançar!

Dançar, bailar
Brincar com a vida
Deixar para trás
Mágoas esquecidas.

Dançar, vem dançar,
Transformando em pó,
As coisas sólidas
Que foram construídas!

Amor!
Vem dançar
Vem festejar
Fazer valer
Tudo que foi bom
Em nossa vida!

Meu amor!
Vem dançar
Ser feliz
E não esperar
Pelo adeus
De nossa despedida.

Vem agora
Vem dançar!
Deixa ir embora
Seja o que for
Já está na hora
De desprender, soltar
Ilusões perdidas
Sem pensar na dor
Da hora da partida!

-. Depois da chuva

Ouvi na vidraça
Os pingos da chuva
Começando a cair.
Corri para a janela
Vi através dela
Você partir.

E a chuva não passa
Com trovões e raios
Veio me atingir.
Porque agora
Você vai embora?
E sem se despedir?

Como a tempestade
Volte, que mais tarde
Ela vai passar.
Não me deixe a saudade.
Traga a felicidade
E de novo o sol a brilhar!

-. Prece

Senhor! ...
Eu preciso um caminho
Onde eu possa voltar.

Senhor!...
Eu não posso sozinho,
Vem me ajudar.

Senhor!...
Não demores, me ajude
Eu tentei, mas não pude
Não LHE incomodar .

Senhor!...
Vem, vem agora
Não vejo mais a hora
De parar de chorar!

PÁGINA Nº 42

Rita Velosa ©

Castelo de Areia


Ilusão, tudo ilusão!
A vida é castelo de areia
No quebra mar construído
Cada onda que chega
__ Leva um, leva um!
Meus sonhos, meus amores
Onde estão?
__ Leva um, leva um!
Meus bens, que herdei
Ou que conquistei, onde estão?
__ Leva um, leva um!
Sonhei...trabalhei...
O tempo veio e levou tudo.
Tudo poeira de estrelas!
Só lembranças
Poeira de sonhos
Tudo sonhos!
__ Leva um, leva um!
Onde estão?
Aqueles a quem tanto amei
Onde estão?
__ Leva um, leva um!
Onde estão?
Ilusão, tudo ilusão!
Castelo de areia!
Sina maldita!
Vida maldita!
__ Leva um, leva um!
Ilusão, pura ilusão!
Onde a vida?
Onde a saúde?
Onde a certeza?
Onde a segurança?
Onde a paz? Onde a alegria?
Onde, onde estão?
__ Leva um, leva um!
Ilusão, tudo ilusão!
Pura ilusão!
__ Leva um!
__ Leva um!
__ Leva um!


PÁGINA Nº 43

Jania Souza ©

-Recado ao Jovem Poeta


I

Talvez, quando minha nau
estiver a declinar (no horizonte)
eu sinta a necessidade
de imortalizar meu nome.
Mas, por enquanto, meu jovem poeta
que não guardo o nome
não posso esconder essa ânsia
rio caudaloso que se esvai de mim
como chama ardente (queima minhas entranhas)
e usa meu corpo apaixonadamente.
Sem esperar meu gozo
sai repentinamente em busca das luzes
que lhe são devidas no picadeiro da vida.
Palco circundado por árvores inertes
(na indiferença do dia a dia).

II

Seus questionamentos foram meus questionamentos.
Sua resistência cai como rochedo frio
sob o milenar assédio do mar bravio
a dançar a sensual e devoradora
valsa das ondas, engolindo num abraço fatal
a agonizante terra a se entregar servil.
No seu brilho de condor alça vôo
deusa sublime!

III

Essa luz que abrigo
nessa tapera de sapé batido
coberta com frágeis palhas de coqueiro...
Teimo a pensar ser só minha.
Há tempo apercebo-me
ser apenas fiel guardador
da efêmera chama divina
que se desmancha na mais fina dama
logo após o despertar da inocente donzela
a seduzir com seu cheiro quente
pupilos que se quedam em êxtase
ao receber seus buquês de estrelas.

IV

Senhora Poesia no seu corcel alado
faz trotar diáfanos e afiados cascos
sob colchas fofas acetinadas
onde desajeitados vaga-lumes bailam.
Feito relâmpago cobra meu pensar
e usa seu corpo, meu jovem poeta
para seguir o rastro da humanidade.
Com pequenos diamantes semeia palavras
no ventre da terra por onde passa
imortalizando seu ofício
ao apoderar-se com seu feitiço
da su’alma deslumbrada!

-Despedida na noite de São João

Escuridão! Envolve em teias corações.
Clarão! Ilumina carícias furtivas.
Rojões! Rompem no céu como trovões
e explodem numa alegria festiva!

Em mãos de crianças estrelinhas brilham!
Punhados de minúsculas faíscas de luz
piscam e escondem-se numa farra feliz!

Bandeirinhas multicores enfeitam barracas.
Balões coloridos sobrevoam o céu estrelado
alertam: “- Perigo dorme no seio da mata!”

Traques “papocam” sob latas esburacadas
relembram à inocente criançada:
“- canhões adormecidos das batalhas!”

Música. Som. Passos. Dança. Algazarra.
Risadas felizes e cantos de cigarra.
A multidão comprime-se no São João
na comemoração do milho e do verde feijão.

Frio cortante envolve a montanha
penetra a flanela do abrigo de lã
e machuca o tristonho coração
que foge a esconder-se da solidão
em plena noite de São João!

-Retrato de Mulher

Catedral de fé e esperança (...) Mulher!
Sois coração superior à razão
Sois das batalhas estandarte da paz
Semeeira do jardim da tolerância
Sois andorinha serva do amor
Águia esplendorosa em defesa do ninho
Sois renda miçanga pão alecrim
Mágico mister de ternura e paixão
Cheiro de tarde, porta aberta aos sentidos
Aurora na canção de bom dia.
Eis frasco com preciosa fragrância
Sábias mãos na ordenha do mundo
Incenso ímpar de aromas mil
Secretos noturnos paridos no amor
Lábios em vestes de cetim e mel...
Sois rio manso, córrego, alicerce
Sois cria - criadouro; sois essência
Peito farto em aconchego, sois Mulher!

-Natal no Século XXI

Acordo com as luzes a colorir a cidade
nas praças, nas avenidas, nas lojas e nas catedrais
os sinos repicam amém
coros entoam mensagens celestes
Papai Noel navega na rena do shopping (...)
O bum das compras recorda-me, é Natal no século vinte e um
os sinais, as esquinas enchem-se de pedintes
muitos sentem fome realmente, outros
aproveitam a oportunidade do momento.
As promessas são repetidas como se fossem novas
foram esquecidas mau o ano deu as costas.
No coração, calo a súplica da esperança
em um Menino que trouxe mudanças
mudança de pensamento para um mundo mais humano
cuja lembrança deve tocar realmente o coração de cada homem (...)
Peço que a cidade se ilumine e mergulhe na comemoração
do nascimento desse Menino de Luz
e a estrela guia lembre o presente de amor, respeito, fraternidade e paz
no íntimo mais profundo de cada ser humano
onde só ele sabe que é parte real desse Divino Homem
com seus ideais de igualdade, compreensão, solidariedade e união.

PÁGINA Nº 44

Thais S Francisco ©

01- Quando eu te amo


Quando eu te amo
respiro rendas
bordo com fios de carinho
neblinas do amanhecer,
teço manto da cor do céu, salpicado
de estrelas, para teu corpo aquecer

Quando eu te amo,
a Lua se faz cúmplice,
as estrelas, jurados,
os anjos, testemunhas
as nuvens, advogadas
o Sol, o juiz,
que no amanhecer
promulga a sentença

Mil anos
acorrentados tu e eu,
com elos de carinho,
cadeado de sonhos e chaves de emoções
para que, nas nuvens, possamos
viver e consumar o
ato de Amar!..

02- És...

O raiar de um novo dia
em minha vida, que ora
desperta, para te Amar..

....És o Metrônomo
que determina o compasso
da melodia de amor,
que rege meu coração..

....És o Diapasão
que me dá o tom adequado,
quando canto meu querer
te amar!..

....És a Partitura
que me faz entender, onde
e como entoar a canção
que nos inspira a
Amar!..

....És a Clave de Sol
que me mostra o início
da mais linda melodia
deste nosso viver,
unos, e apaixonadamente
uma história
de Amor!..

....És o Adágio
que nos incita a querer
mais uma vez, e outras mais,
a misturar nossa essência,
que em forma de mel,
adocica e vicia
nosso ato de
Amor!..

03- Poeta...um dia fui!

Meu Amor por ti,
de mim,
fez poeta!

Para ti, poetei meu Amor,
rabisquei meus sonhos,
ilusões e desejos,
libertando da alma,
a paixão..

Poetei,
deitei em verso e prosa,
o desejo de viver cada momento,
no encantamento de estar junto a ti,
sem qualquer impedimento..

Em folha branca,
poetei as noites infindas,
insonia, cama vazia,
lençois frios, amarrotados,
pelas vezes que rolei, de lá para cá,
de cá para lá, buscando teu
corpo encontrar..

Poetei,
na madrugada, meus soluços.
Pontuei meu poema, com as lágrimas,
que a solidão, a saudade,
e tua ausência, fizeram
verter de meu olhar..

Poetei,
a simplicidade de minh'alma,
que liberta, permitia meu corpo,
gingar na sensualidade de
te amar de verdade..

Por ti,
me fiz poeta,
um poeta sonhador..
Dos versos de amor,
apenas, ilusões,
sonhos e fantasias,
eu pude compor..!!

04- Te esperei...

Ontem, para o findar de
mais um Ano, te esperei...
Vestida de sedas cintilantes,
leve fragrância do perfume preferido,
cabelos soltos, a cobrir os ombros desnudos, e,
coração em descompasso, na doce
ansiedade da espera...

Os ponteiros do relógio,
que na cadência do seu tic taqueado,
já quase unindo-se na hora certa,
em que o Ano se despede,
e outro chega, trazem, do Amor, a Esperança!!

Deixei a porta entreaberta,
mesa posta, velas acesas,
as chamas tremelicando,
ao sabor da brisa, que na sala de jantar
percorria como a conferir,
se tudo estava a contento..

Dois lugares à mesa!
O meu, vestido com a Esperança,
o teu, na sutileza do Amor, apenas a espera..

Acordes de violino, deixando no ar,
o romantismo da musica escolhida,
abrem do sonho, a realidade..
Ouvi passos, senti teu perfume,
ouvi tua voz me dizendo
baixinho:
_ " Sou eu Amor, vim de longe, nos braços deste
desejo que me faz te Amar, cada vez mais,
na Esperança ,de que teu amor ainda seja o meu..
Vem, abraça-me, quero-te como nunca, nos meus
carinhos, nos meus braços, no meu Amar..!!"

Neste momento,
do Sonho, fiz a Realidade,
da esperança, o findar da longa espera,
do Amor, o Amor mais bonito,
do jantar.... a mesa, as flores e copos vazios,
ficaram todos para o ano seguinte, pois
neste badalar da meia noite,
os fogos que espoucaram no céu,
foram os do nosso
Amor amado e consumado..!!

A Esperança e o Amor,
felizes, se Amaram,
findando a longa e dorida espera,
trazendo do ato,
o Amor mais bonito..!!

05- São tuas todas as estrelas

Amor..
são tuas todas as estrelas,
para que elas salpiquem nosso leito de amor
nas nuvens esfumaçantes, onde
nossos corpos, ávidos de carinhos
se entregarão aos desejos
desta paixão que nos
avassala os sentidos,
tornando-nos unos
neste ato de Amor..!!!

São tuas as gotas de orvalho
que de meus olhos respingam
na emoção desta da entrega;
São tuas as gotas de mel
que brotam dos desejos meus;
São teus meus gemidos
lânguindos de teu mel
a misturar-se ao meu;
São teus todo o estremecer
deste meu corpo no
gozo pleno deste ato de Amor..!!

São tuas as estrelas .. todas elas..!!

06- Azul!...

Vestida de Azul, chego em silêncio.
Pétala por pétala me desnudo,
permitindo transparecer quem sou.
Venho enfeitar a tua Primavera,
trazendo no perfume, a suave fragrância
do reflorescer de uma nova esperança!..
Trago nesta esperança, que,
renasce após longo Inverno,
o momento em que eu possa te receber, e,
docemente, oferecer o néctar do amor e da vida
neste teu beijo de formoso Beija-flor!..
Sou Flor Azul,
enfeitando Mágico Jardim
onde borboletas voejam ao meu redor
enciumadas de ti, meu Beija-flor,
que buscas em mim, o mel do meu Amor!..
Sou Flor Azul,
enfeitiçada pelo teu chilrear
que canta lindas canções de amor,
enquanto sugas do mel, que,
extasiada pelo teu encanto
deixo de mim...transbordar!..
És meu Beija-flor!..
Sou tua Flor Azul!..
Não importando quantas outras estações
entremeiem nossas Primaveras,
pois seremos sempre,
O Amor a reflorescer
A cada nova Primavera!..

07- Momentos mágicos

Momentos mágicos,
são aqueles, em que
meu olhar se depara
com o teu, e,
silenciosamente
gritamos ao mundo,
a grandeza
deste nosso
AMOR ..!!!
Momentos mágicos
são aqueles, em que
meus lábios tocam
os teus, e,
deliciosamente
beijas os meus,..!!
Momentos mágicos
são aqueles, em que,
despem-me das
inseguranças,
deitam-me em teus carinhos
e me amas com
ardor…!!
Momentos mágicos,
são aqueles, em que
nossos corpos, suados,
exalam o doce perfume do amor,
e descansam em sonhos,
nos alvos lençóis de cetim..!!
Momentos mágicos,
são aqueles, em que
o Sol, pelas frestas da janela
ilumina e aquece nosso leito,
convidando nossos corpos
ao doce bailado do
Amor Amante,
Querido,
Desejado,
Aceito e
Consumado..!!
Momentos mágicos,
são aqueles.
onde meus desejos
encontram os teus,
na sublime entrega
de nossos
Amores..!!

08- Abraça-me

Abraça-me,
Tira de mim, o temor
de perder-te, amor!...

Abraça-me,
dá-me teu calor,
agasalha este meu amor
com teus carinhos,
cobre meus lábios com os teus,
derrama em minha boca
teu gosto de mel...

Abraça-me amor,
cola teu peito ao meu,
sente o bater deste coração
que pulsa ansioso, querendo te amar...
Deita-me em teus carinhos,
faze-me tua, agora, sem demora...

Abraça-me no ato,
sente o calor da seiva
que brota, e, como um rio,
corre de encontro ao teu mar
que borbulha como ondas
espumantes, cobrindo
de rendas meu corpo nu...

Abraça-me agora,
sem demora, pois contigo
comungo o inebriante êxtase
do estemecer de corpos
que se entregam, e, no
gemido do gozo pleno,
sussurro ao teu ouvido
sou tua,
és meu...
sou amor,
és paixão...
somos unos,
somos Amor!...

09-Devaneio de amor!...

Meu bem,
deixe que seu amor
seja como as gotas do orvalho
que umedecem o solo, permitindo
o florescer...

Deixe que seu amor,
orvalhe este meu coração,
que quer florir, quer florescer
em exuberantes momentos
só para nós dois...

Deixe que as gotas de orvalho,
que brotam do meu Eu,
cubram seu corpo, com gotículas de mel
será...minha essência... minha vida...
querendo misturar-se a sua...

Deixe que estas minhas palavras ,
escritas em forma de poesia,
sejam meu canto de Amor
por Você...para Você!..

Um canto que não quer ficar preso
na garganta...e sim, cantar
lânguidos sussurros ,
em nosso ato de Amar!..

Deixe que eu seja sua canção...
que eu seja sua flor...desabrochando...
e, que meu perfume
mostre o meu florescer...
para então, comungarmos e
conjugarmos nossos
momentos de Amor!...

Hoje, agora, e, sempre
que o desejo assim pedir...

Sempre...
Amando você, mais do que ontem,
muito menos do que amanhã!..

10-Símbolo...

Entre as notas que juntas,
entoam a maviosa Sinfonia, denominada VIDA,
composta por DEUS e regida com maestria,
pelo Universo, flutuo eu, como um símbolo musical,
um dó, ré ou mi... talvez um fá, sol, lá, si!..

Em alguns momentos, sou clave de sol,
mostrando o início da melodia, que me envolve ,em harmonia
de paz e amor, para te buscar aonde estiveres..
Em outros, sinto-me um diapasão,
querendo dar o tom adequado para nosso encontrar,
neste infinito espaço sideral, onde busco te alcançar
mesmo sendo pequeninas, as minhas asas!..
Momentos há, em que me transformo, em
Partitura, onde me coloco como símbolos
musicais, compondo a canção, que,
canta por ti, meu coração!..
E neste meu flutuar, nesta Sinfonia,
espero te encontrar, como o Adágio, que,
nos embalará ,no encontro de almas
que se buscam no espaço infinito,
para vivermos e consumarmos
este amor maior,
que nos incita a amar,
misturando nossa essência de vida,
em forma de mel,
adocicando a troca,
no Ato vivido,
desejado
e consumado,
nesta linda melodia que,
entre todos os símbolos
apenas quer dizer que:

És tu, o meu destino!..

PÁGINA Nº 45

Dorcila Garcia ©

-Noturno


Se uma noite destas sentires
um leve frescor sobre teu corpo
e te cobrires, ainda adormecido,
não terá sido o vento
que entrou pela tua janela
sem pedir licença,
mas o cetim das minhas vestes
lançadas sobre ti,
infiltrando na tua pele
a fragrância do meu corpo.

Se quase despertares
sentindo um leve roçar nos lábios,
não terá sido a brisa noturna,
mas um beijo meu que,
viajando pela Via Láctea,
chegou até teu leito,
deixando na tua boca
um gosto úmido
de sensualidade.

Se sentires um sobressalto,
coração acelerado,
ao ouvires um forte bater de asas,
não terá sido um pesadelo,
mas as minhas asas de fada,
agitadas pela alegria
de poder te contemplar.
E, para não te acordar,
desvaneço-me inteira, e levo comigo
tuas carícias, teu perfume, teu amor.

-Que amor é esse

Que estranho amor é esse,
que a tudo resiste, teimoso,
que se alimenta de sonhos
em um disfarce ardiloso?

Que insano amor é esse,
que vive na eterna espera
de ti, que iscas me lanças,
a me prender feito hera?

Que triste ilusão é essa,
que não me deixa viver;
leva-me a amar-te, ausente,
já que nem te posso ter?

Que louca armadilha é essa
em que a vida me lançou;
de ti, usando a vaidade,
de mim, carência de amor?

-Quando

Quando te vejo, meu coração desperta.
Não um despertar tristonho, cansado da lida,
mas um despertar desperto, esperto,
a se espreguiçar por entre os lençóis

Quando te ouço, meu coração canta.
Que importa se desafina? Contigo ele só se afina.
Canta, cantarola, dança, encanta.
Rodopia enlouquecido, beijando notas musicais

Quando te olho, tudo se tinge de cores,
feito pincel de poeta a desenhar amores,
o sol, azul, a lua, vermelha, as nuvens, róseas,
cores sem lógica transformando a alma.

Quando penso em ti, meu rosto se ilumina.
Sorriso enlevado, maroto, cheio de mistério.
Um sorrir de quem tem tanto a reviver,
que às vezes se esquece de viver.

Quando estou contigo, estou comigo também.
Entre cálidas carícias, abraços aquecidos,
vêm os beijos ávidos, um desejar profundo.
E brincamos de amor eterno, perfeito, feliz.

-Névoas

Olhar sombrio de dores escondidas
Lágrimas borradas a marcar-me o rosto
hipnotizo incautos que me subestimam
respeito a morte que a vida valoriza

Pincel em breu a tingir-me as vestes
me faço bela, mágica e poderosa
lábios em negro, eu seduzo a noite
em brilhos e cetins faço minhas preces

Meu céu é ébano sem estrelas
Na lua me banho em sais de orvalho
Por lúgubres jardins deslizo sem medo
extraindo forças das minhas tristezas

Sou a coragem que enfrenta as sombras
uivos distantes me embalam o sono
Sou névoa densa a embaçar caminhos
alma que vagueia entre os escombros

Este açoitar do espírito me faz algoz
do meu próprio ser em fortes chibatadas
na contramão da alva luz que irradio
meu peito aninha um sofrer atroz!

-Espantalhos

Quisera ter mil espantalhos
dentro de mim,
que assustassem meus
turvos sentimentos
e os lançassem
para fora do meu ser!

Há muito tento expulsá-los,
mas eles me sabem frágil.
Ilusórias pílulas de última geração!
Fluoxetinas, paroxetinas, sertralinas.
Uma sucessão de "inas", que apenas
camuflam corvos esfaimados.

Desafiados, voltam ainda mais vorazes,
extraindo de mim, grão por grão,
a força, o ânimo, a alegria, o brilho.
Como numa revoada histérica,
grasnam e zombam das sucessivas quedas
da minha pobre serotonina.

-Medusa

Meus pensamentos
são como áspides devoradoras
a infiltrar em meu sangue
o veneno do medo.

Mórbido pavor
que me contamina a alma.
Sou como um mar de tristezas
em dolorosos sangramentos.

A morte
ronda-me feito lobo faminto,
apontando seu aguilhão
para minha alegria "in extremis".

-Enclausurada

Já nem me lembro mais
há quanto tempo estou neste castelo,
dentro de uma armadura de aço.

Um dia já fui livre.
Corri por campos de flores.
Banhei-me em águas de chuva.

Ganhei beijos do vento.
Colhi flores nas estradas.
Reguei plantas orvalhadas.

Cantei louvores ao entardecer.
Ao balanço da rede, adormeci.
Com a luz da lua cheia, acordei.

Mas um dia eles vieram.
Em vestes negras e capuzes,
destruíram meu mundo encantado.

Reviraram tudo.
Em seus olhos, ódio e revolta.
Levaram até meus sonhos mais belos.

Nunca mais fui a mesma.
Minh´alma ficou dilacerada,
minhas esperanças se estilhaçaram.

Construí este castelo
com pedras de medos e tristezas
e me isolei de tudo que um dia amei.

Sequer me esqueci
da intransponível ponte levadiça
sobre um rio de jacarés famintos.

-Feitiços de amor

Procuro um amor mágico,
que consiga enfeitiçar-me
sem poções ou sortilégios.
Que seja pleno de encantos,
à flor da pele, um cheiro de incenso.
Que me conduza nas teias do amor,
que lance aos ares meu chapéu de estrelas,
que me faça resplandecer inteira,
à luz de perfumadas velas.

-Teias da paixão

Em tuas teias me envolves.
Enredo-me em teus braços.
Beijos molhados tu colhes.
És visgo em meus abraços.

Sinto tuas mãos de veludo,
a desnudar meus segredos.
Corpo e alma, me descubro
lânguida em teus enredos.

Em ânsias, quero-te liberto
de tuas aracnídeas vestes.
Conhecer-te bem de perto.

Sei qu'outros vedos escalas...
mas quando ejetas teus fios,
eu me rendo em tuas malhas.

-Soneto do amor correspondido

Quero-te como me queres.
Amo-te como me amas.
Sorvo tudo o que disseres
no crepitar desta chama.

Do mel, és o meu favo.
Sou a tua melindrosa.
É teu o cheiro do cravo.
É meu o cheiro da rosa.

Afago-te com carinho.
Agradas-me com afeto.
Teus desejos, adivinho.

Queres-me como te quero.
E em carícias, nos perdemos,
feito letra de bolero.

PÁGINA Nº 46

Tereza Neumann ©

1 - Caminho sem pernas e vôo sem asas


Sou poeta,
Caminho sem pernas
E vôo sem asas,
Alegro-me com o abstrato,
Entristeço-me com o concreto,
Escrevo sobre o feio e o bonito,
Sobre mazelas e sobre festas...
O mundo é assim,
É choro e riso,
É sonho e real,
É circo e teatro,
É diferente e é igual.
Sou poeta,
Registro a imagem,
Pinto a tristeza,
Como o outono
Desfolha as árvores.

2 - ...sobre as dores do mundo...

Escrevo para dizer o que vejo
Não sou cega, nem sossego,
Escrevo, o que ninguém
Quer escrever.
Vejo o mundo sangrando,
A massa mimosa delirando,
O poder só viajando,
Fechando os olhos pra não ver.
É comovente, é sombrio
A fome no prato vazio,
A miséria sem estio,
Dorme na rua, enfrenta o frio,
Excesso de descaso,
Cresce a miséria
De dez para mil,
Quando isso vai acabar?
A vaidade, a ambição,
Sem alma, sem coração,
Faz o egoísmo sobreviver.
Miséria é mera tolice,
Os poderosos é que dizem,
Fazem questão disso manter.
Pra ter o pobre subserviente,
Só o seu voto fazem valer.
É preciso dar um basta,
Na maldade que maltrata,
De homens insensatos,
Alguns novatos,
Outros a séculos no poder.
A miséria não tem riso,
De tanto chorar,
Secou as lágrimas,
Dizer não é preciso,
É só observar.
Nada vai bem com o pobre
Seu consolo é catar o lixo
Para a vida continuar.

3 - Veneno pra alma - Alerta aos jovens

Como é feio
Alguém ser engolido pela droga,
Maconha, crack e coca,
Drogas que fazem morrer.
Pra vê um céu tão bonito,
Não é preciso artifício,
O natural faz valer.
Crianças e jovens tão lindos,
Aqui vai um recado,
O mundo é tão delicado,
Não vale à pena sofrer.
Pense quem ganha com isso,
Quem perde, morrendo é você.
Temos o céu e as estrelas,
O mar, o luar são belezas,
Que qualquer um pode ver.
Reflita, gente bonita,
Coloque no coração:
A liberdade de cara limpa,
É uma grande conquista,
Pra sua alma afeição.
A liberdade de cara suja,
É de quem quer vegetar ou morrer.

4 - A vida sangra

A vida sangra,
Violenta a alma,
A saudade arrebenta,
Invertidos valores, maltratam.
Ah, saudade...
Dos tempos que os valores
Eram outros...
Tudo correto,
Nada era errado.
A vida,
No mundo globalizado,
Coleciona horrores,
Perigo, maldade,
Máxima crueldade.
O tempo sem freio,
Em alta velocidade,
Desfaz os anseios,
De quem vive de bondade.
A tristeza toma conta,
Do estado de horrores.
Os horrores tomam conta,
De falsos valores...

5 - A face de minh’alma

A face de minh'alma
Não é escura,
É um carneirinho
Com pele de algodão,
Doando ternura.
Minh'alma
Não produz amargura,
É fábrica de docinhos,
Formando corações,
Com gosto de candura.
Cálida alma,
Se todas fossem assim,
A doce paz,
Mostrava à violencia,
O inicio do seu fim.

6 - Paz, barulho de silêncio

Balança o berço
Inquieto da terra,
Estanca os ânimos
Dos homens de guerra,
Aplaina a grama
De tanto sofrimento,
Rompa as lágrimas,
Iniba os lamentos...
Para não colidir
Tristeza e contentamento.
Paz, brancura de alma
Sem risco, sem rasgo,
Lampejos de beijos,
Laços de abraços,
Que em mãos sensatas,
Nunca desata.
Paz, barulho de silêncio...

7 - Meninos da rua Brasil

meninos de rua
atrozes por escolha
ou impostos pra ser ferozes?
pequenos de inocência perdida
sem vestígios de ternura
espalhadores do medo
predadores da esperança
o que de bom
que eles tinham, perderam
não têem mais o que perder
pobres meninos pobres
sem estado e sem estudo
olham para o passado, o presente
e não vêem o seu futuro
seria tão bom de verdade
se ainda tivesse tempo
de salvar esses meninos
antes do seu crescimento
pra quem sabe, mais tarde
não ser tão tarde
pra inverter esse papel
de ter um estudante exemplar
ou um marginal cruel

8 - Pária da dor

tristeza, dor e solidão
incongruências determinantes
de infelicidade na vida desses bufões
o vazio que toca a alma
empalidece a face
deixa o corpo imperfeito
que se arrasta na escuridão
mísero corpo, pobre carcaça
mendigo, que mendiga
um mundo sem exclusão
carrega consigo
uma vasta mala de humilhação
sua casa é a calçada
sua cama é um papelão
vida indigna
desses indigentes sociais
nao são narcisos
pois a beleza foi carcomida
pela passagem de infortunada vida
sem direção, sem ideais
viva os pobres mendigos
nem o olhar da esperança
vigia o seu destino
dorme, esquece os desatinos, se for capaz
reanima seus sonhos
mande a agonia ir embora
e tenha um sono de paz

9 - Pulha da aflição

eta, tresloucada vida insana
o outro lado marginal
interrogo em desabafo
sou interlocutor do que o povo questiona
quem foi o inventor de armas?
fabricantes de engrenagens bélicas?
que só poupa a bandidagem
e destroi as coisas belas
quem foi esse inventor do caos?
que transforma a vida em lágrimas?
mães, homens do povo
inocentes alvo dos maus
ah! população desassistida
polícia sem proteção
precisamos descobriro dono dessa invenção
nessa vida em que vivemos
invertemos pra viver
o homem de bem fica atrás de janelas com grades
e os bandidos, facínoras, malfeitores
ficam armados em liberdade
essa agrura a gente passa
graças a figura nefasta
do inventor desse vilão
quem foi esse degradado, pulha da aflição?

10 - Pedaços de Deus

"À guerra Líbano/Israel- A Terra de Jesus Cristo, cortada em pedaços e o seu solo derramando lágrimas assistindo a devastação desumana!"

dorme, enquanto puderes dormir,
ouça o rouxinol antes dele partir,
não tem mais céu azul,
só réstias de luz...
oh, deus!
quanta mortandade,
tropas da crueldade,
destruíndo a região...
não respeitam velhos nem crianças,
metralham a esperança,
esses animais!
é incoerente,
salvaguardam uma terra,
e destroem tanta gente...
líbano e israel,
não quero acreditar,
que o amor também morreu,
o céu sem azul,
a natureza morta,
crianças torturadas e sem vida,
tristeza tomando forma,
em pedaços de deus!


PÁGINA Nº 47

Ana Paim ©

-Amai


Em amém
A mente omite
A mensagem:
- Amem!

-Propriedade e tratamento

Toda senhora é Dona
Enquanto que o homem é Seu
Se a cultura ignora,
A língua não esqueceu

-Racional¬

Admito incompetência,
proclamo:

do amor, a desistência:

não amo ...
... mais

,a não ser,

os animais...

!

-Hino

Orgulhosos cantam hino
Que é canto de qualquer canto
Do mesmo canto do universo

-Fatal idade

Quando imaturos, descuidados,
Quais calmos oceanos cristalinos
Seus profundos olhos claros
Esbarram nos meus assustados,
No mais cume alto da terra,
Violenta tempestade desaba,
E inunda minha alma donzela,
Nua e crua,
Aprisionada nos porões em ruínas
Desta casca de velha senhora
E pergunto ao tempo que tudo devora
Que outra vida haveria
Que compensasse os desencontros de agora?

-Sem coração

Eu certamente nunca o amei
Era um bichinho que batia à minha porta
E choramingava com frio, lá fora
Deixei-o entrar e entrou na minha alma
E comeu meu coração, estava faminto
E digerindo soltou um arroto fétido
E se afastou dizendo-se envenenado

Eu certamente nunca o amei
E se tentasse odiar, também já não poderia.

-Terra

Vista do cosmos
bela e serena
flutua gigante,
pedra preciosa
Édem amado,
palácio adâmico
morada silente,
sublime, majestosa,

Próxima,
Ouvem-se gritos,
sangue respinga
Baleias, vacas,
casacos de pele,
Animais selvagens,
matadouros, granjas,
Bósnias, Iraques
Gaudinos, Candelárias
Torturas, massacres
Quem ouve? Quem socorre?
Instintos, pecados,
Egos inflados,
Desejos desmedidos,
Abusos, desmandos
Monstruosas distorções do humano
Direito à busca do sentido da vida

Jóia serena paira no espaço
Beleza mórbida, jaula sangrenta
É azul?
É verde?
É vermelha
Paradisíaca Terra,
cárcere de Caetano,
que o que encanta também aprisiona
e o encanto é refém do que o condiciona

PÁGINA Nº 48

Elza Fraga ©

1-Relaxa


Para com isso moça
a vida é poça
que se pula
e num segundo
...
acaba o mundo!

2-Corto?

Ao cortar um poema,
desceu-me
uma tristeza
de ausência
de descriação
garganta abaixo,
olhei os pulsos...
E...
Por que não?!

3-Econômica

Sou de palavras poucas
Falo com o olho,
economizo boca.

4-Enigma

Um último beijo,
a garrafa vazia
ao pé da cama,
lençóis em desalinho,
sua roupa
espalhada pelo chão,
meu coração sentado
na beiradinha do colchão
fita,
pela vez derradeira,
seu jeito
no torpor do sono
e diz um adeus sem palavras,
só de pranto.
...
Até quanto de dor
suporta um ser humano?

5-Só

Eu sou eu
e só
o mais é a verdade
que o resto vira pó

mais tarde!

6-Surpresa!...

Numa estranha cadeia alimentar
você, meu predador,
se alimenta
das minhas entranhas
vorazmente!

Rumina cada pedacinho
e depois,
recostado no ninho,
candidamente,
palita os dentes...

O dia há de chegar
em que os papeis se invertam
e vou ser bem mais esperta
do que pensa ou deixa...
Vou começar meu festim pela cabeça
onde esconde seus tolos miolos,
como um tesouro .

E aí não haverá retrocedência.
Só anuência,
submissão, obediência...

Terei o predador domado enfim
dentro de mim,
que sempre fui a presa.

Devo gritar
-Eureka!
ou
-Surpresa?!...

7-Partida

Quando eu me for
não rasgue a poesia
que saiu da minha mão
porque ela guarda
um muito da minha vida,
pedaços intensos
do meu coração...

E se lhe perguntarem,
afinal,
de que me fui,
responda só isso:

Meu coração não aguentou
tanta mistura
-Beleza com cinismo,
sorriso com maldade.
E sentiu saudade
de uma outra vida,
não vivida,
diferente, iluminada,
se rendeu por fim
indo buscar outras estradas,

além de mim!

8-Rumo ao nada

Respiro a escuridão!
Sorvo dela cada gole
trazido pelo vento.

Olho pra frente
e só vejo
o intransponível muro,
parede imensa
feita de escuro.

Não há mais tempo.
Não há mais sorte.
Não há mais nada
nem mesmo morte!

Perdi - à toa -
a chave do futuro!

Não há mais uma condução
um trem, um bonde, um avião
que me transporte
só esta corrente negra
que me arrasta
quando passa
pro nunca mais.

Estaco exangue!

E ainda assim
não há uma só gota
de ódio
no meu sangue.

9-Dona liberdade

Liberdade me dê asas
me ensine a voar
me espante desta toca
que minha alma prisioneira
moribunda se sufoca
Me dê suas asas, senhora,
que preciso voejar
minha alma sente ânsias
de viagem
de fugir deste meu corpo
e ter as rédeas da vida
tomada e domada enfim.

Me dê asas, liberdade,
que quero fugir de mim.

10-Para não morrer

Eu escrevo pra não morrer implodida,
com tudo preso na garganta!
Eu escrevo como quem canta!
Eu escrevo pra dar sabor a vida,
porque as vezes ela fica tão vazia!
Eu escrevo pra não debruçar no choro
até o amanhecer
e adormecer de pura exaustão,
ao clarear o dia!

Eu escrevo como uma vadia!
Eu escrevo pra não perder a sanidade,
o equilibrio, o tino ,
a lucidez e a paciência!
Eu escrevo como quem faz penitência!
Eu escrevo pra apagar as burradas
que vou cometendo pela vida a fora!
Eu escrevo porque a solidão,
a dois, me apavora!

Eu escrevo para não me perder
nas esquinas da vida,
nas horas mortas!
Eu escrevo por oficio,
profissão ou apatia.
Eu escrevo por pura mania!
Eu escrevo como quem socorre,
como quem pede socorro...

Eu escrevo como quem morre!

PÁGINA Nº 49

Carmen Regina Dias ©

-Paradoxo


Os panos se dissolvem no ar,
Sinto-me só, identidade e paradoxos,
Rompe-se o cordão umbilical da Grande alma dançante...
E não estás mais aqui
E tua ausência me dói.
Saio te procurando
Aflição anda sem rumo no coração...
Então choro ...
E espero que, de novo, a lavadeira do eterno
Estenda os lençóis brancos no vento...
E que o pássaro de fogo não se atrase,
Que chegue a tempo aos meus pulsares,
Ao dia maior que uma vida inteira .

-Poço

A todos vós
que me cingistes a fronte
com a tiara de poeta,
com voz clara e nítida vos digo:
Não sou poeta.
Sou um poço.
Poeta é toda essa gente que cava
ao meu redor.
De mim mesma, apenas a promessa
do veio cristalino,
que ainda jorra manso,
goteja, a bem dizer.
Poetas são eles,
Os espíritos cavadores das profundezas,
poetas na alma, joalheiros do céu.
De mim apenas a promessa do poço
Tratado, limpo e cuidado
com que se irá saciar a sede das futuras gerações.
A todos vós,
que cavais com tal amor esta cisterna,
e revestis com vosso mel minhas paredes internas,
dedico os poemas da posteridade.
A vós entrego todos os versos
que retirais com a vossa pá de fraternidade.

-Tomara

Tomara que não demore
a hora de poder contemplar
Límpida como um cristal
minha imagem refletida em teu olhar.

Tomara não me encantem teus encantos,
não mais do que já vivo encantada...
Tomara tua leveza me contagie e alivie
esse cansaço da caminhada.

Que a beleza da alma, dardo certeiro,
atinja o centro da página,
meu peito de poeta

E que no meio do braseiro
eu possa cantar por inteira
tua música predileta.

-Um dia...

Vi meu coração na correria, que agonia!
Alucinado por dentro, tranqüilo por fora,
Coração fora do tempo e do espaço,
me desnorteia esse compasso.
Um dia ainda acerto a hora

Chego mansa,
pacotes de sonhos nos braços,
Finjo-me serena e, como quem quer nada
Entrego, de boca fechada,
meu coração num poema.

Faço que nem sei
Mas, num zás, fui! E busquei
E te entreguei
O arco-iris do firmamento.
Um dia ainda faço uma bela melodia,
transmuto em pura poesia
O meu próprio desalento.

Um dia
ainda estreito esse laço,
Um dia
Ainda te alcança, esse beijo, esse abraço.
Mas por enquanto vou indo
Dia a dia, passo a passo...

-Súplica

Ó vós, que me entregais pura essência,
cujos olhos não percebem as impurezas
que se dissimulam no abismo profundo
e incandescente das minhas correntezas...!

Lanço-me a vossos pés, rogo, suplico,
imploro, ó! não repousai vosso manso
olhar sobre nódoas e manchas de barro
impregnadas nas vestes de humanidade.

Sou vossa, enquanto houverem palavras
enquanto a poesia se fizer alma exaltada,
e, de mim restar apenas ela,mais nada.

Ó alma da natureza, me dei, sou vossa,
vestida de paixão, em orgulho e vaidade,
dei-me a vós e,agora, morro de saudade...

-Viagens

Corro atrás do sol.
Ele brinca, quer folguedos...
despista, se esconde na nuvem cinzenta
- e hoje eu nem queria brinquedo,
tanto frio, - quem agüenta?
Agora nem tanto, mas,
quando ele se cansar
da correria do dia,
vai se deitar no quentinho e,
sabe, é tanto velhinho...
... tão friorentos por dentro...
Sim, que agasalhos, eles têm!
O bom velhinho, ah ...
se ele fosse meu vizinho
não ficaria sozinho,
inda mais agora que ele tem também
....a neta esperando neném,
- e já não cabe em lã tão rala,
mas não reclama, não fala,
não revela seu querer;
reza pra criança nascer
num dia ensolarado.
Pudera estar do seu lado,
(- licença, estou subindo...)
inventar um novo dia,
a gente riria um bocado
e as agruras, passado.

-Era assim

E todo amanhecer era a mesma coisa,
o que mudava eram os tons de dourado;
beijaflores... sempre os mesmos,
mesmo orvalho acariciando o prado.

Amanhecer de sol! que maravilha!
Era passarinhos por todo lado,
algazarra, razantes a mil milhas;
e a cantoria? Nesse dia é tudo dobrado.

Minha alma nem precisava tanto
pra se levantar e se por a dançar,
bastava esse azul, esse encanto,

Era muito o rubro desta flor
Pra me lembrar esse amor
Poesia que me enxuga o pranto.

-Tua Imagem

Tem um mundo inteiro dentro de mim,
fora de mim tem o mar...
O mais vou pintando dia após dia.

Vida na ponta do pincel ...

Mexo em todo cenário,
altero o curso dos rios,
troco os versos da poesia
movo as montanhas do lugar.

Mas a tua imagem no porta-retrato não troco.

E todas as manhãs
vejo um amor infinito no brilho dos olhos teus
quando o sol entra pela janela
para te beijar...

E toda vez imagino ser ele...

-Sinos e silêncios

Ouço o vento nos sinos da janela.
Serão presságios? O vento virá?
Talvez fosse melhor me recolher,
me deitar, me entregar ao sono...
Por quem espero?
Nem há fumaça no horizonte,
nem telegrama, nem carta,
nem aceno, nem zumbido no ouvido,
nada! silêncio.///
Breve breve tudo vai parar,
acenderei as luminárias da floresta,
e tu colocarás o colar de estrelas
no pescoço do infinito.
E novamente, o silêncio.
A janela deixa entrar o perfume
de maresia... é o mar chegando.

-Poetiza dos petis

Das marés, espuma e sal,
dos ninhos, essa gente deitada na areia,
aqueles meninos lá diante, como riem...
não tem janta hoje? não faz mal,
a gente escreve um poema e imagina
cobertura de marshmallow
sonhos de caramelo
garrafas de tubaina...
Bem gelada, desce mais
que a gente acende a fogueira
e tu vens, poesia na mão, toda faceira,
não sabe o bem que nos faz,
tanta doçura...
a fome ficou pra trás.

-Tesouro

Eleva-se minha alma
Rasgando o chão
Da humanidade
Ascendo
Subo pelo leito da tua seiva
À procura do Mar
Quanta saudade!...
Abro meus braços
Te abraço
E me revelas
A calmaria da tua espera,
Velas...
Por mim velas...
Tão brancas tuas nuvens,
Tão azul teu céu
Quanta ternura no teu abraço
Quanta doçura nesse pedaço de mar...

PÁGINA Nº 50

Helen Drumond ©

1.Farrapos


Meu coração, em larvas se queima
Ventos cortantes desfraldam a bandeira
Do meu peito ferido.
E qual árvore fatigada, vergada pelo vendaval
Curvo-me às sacudidas, contorcida,
Colando-me ao visgo de ser eu mesma.
Eu só queria falar, poder gritar,
Libertar-me pela palavra
Quem sabe tocar um outro coração,
Mostrar que sou....
Mas que sou eu?
Farrapo de outros tempos
Restos de uma história antiga, varrida,
Tocada sob o tapete dos sentidos.
Eu, que de mim dei tudo
Só me restam as mãos vazias estendidas
Enquanto os felizes passam rápido
Para não verem o perdido
Para sempre perdido....

2.Mata-me

Mata-me de amores
Não do amor comum
Mas mata-me de amores
Que alma compreende
Mata, o que não sou

Mata-me
Revela o que sou

Mata-me
De amores sons e cores

Ressuscita-me!

3.Beta de lágrimas

eu me derramo feito água
pelas pedras del Rei
choro, um choro de amor
tombado
Heliodora
eu mesma
de outros tempos
outras pedras
de hoje
sou lágrimas
águas pelas pedras del Rei
tombada
erguida
pelo pranto
que as pedras não detém
e escorrem
sugadas pelo seio da terra
que há de existir sempre
e guardadas
em labirintos de ouro
que foram lágrimas
betas de lágrimas
no seio subterrâneo
sob as pedras del Rei

4.Olhos noturnos

A luz do cigarro no escuro não mostra o caminho
Mas denuncia o viajante solitário na noite.
A luz caminha na escuridão, janelas a espreita.
Acomodar o chapéu não aquece, mas dá ilusão de aconchego
É tudo ilusão...a luz do fumo, o pó da estrada.
É tudo ilusão de chegar.
Caminhar é a realidade. Ir em frente.
Janelas a espreita. Aonde irá o homem da estrada?
Seguir varando a solidão da noite, seu destino.
Sem um cão que o confortasse.
Sem estrelas, sem lua, sem amanhecer jamais.
Janelas a espreita. Não se vê mais a luz.
Olhos no escuro advinham as costas do caminhante.
Ele se foi, passos espremendo a terra batida do caminho.
Seguir. Ir em frente. Varar o vazio do negrume.
Janelas a espreita. Testemunha noturna do ir.
Ou do regresso.

5.

O poema nasce nu.
Tento vesti-lo com palavras.
O que escrevo nada mais é do que vestimenta rudimentar
que minhas mãos conseguem compor para o poema de minha alma.
Creio que nunca conseguirei mostrar a poesia em seu estado original.
Talvez porque não seja capaz de senti-la essencialmente.
Que versos escreverei que possa encantar,
se nada em minha alma rima com o que vejo?
Vejo? Sim, com olhos da alma, vejo.
É tudo tão novo e denso. Tão antigo e sutil. Tão vibrante e calmo.
Que poema surgirá de onde não há rimas,
de onde ainda não nasceram palavras?
Palavras são pedras que tateio a esculpir um poema.
Mas o poema não está nas pedras, que são poemas de Deus.
Poemas são colheitas da alma.
Colho a poesia na noite. A noite mata-me as horas.
O poema vive, nu.
Eu, a morrer de poesia.

6.

Lês,
Como se eu sussurrasse em teus ouvidos a poesia de minha alma.
O teu momento comigo é agora.
Podes sentir-me o hálito poético, advinhar-me, saber-me.
Porém eu digo,
muito mais poesia está oculta,
Absorvida no silêncio que adormece entre o
momento em que escrevo e o instante em que me lês.

7.

Gosto de estar, como se não pensasse, naquele estágio que antecede a idéia
Onde não há tempo, só o infinito aguardar pelo poema.
É o momento em que a poesia habita o que em mim é vivo.
Desperto, as letras caem das mãos em busca da forma, do poema.
Morro, cada vez que escrevo e mais nada é meu.
Espero pelo momento de viver de novo a poesia e morrer em versos.

8.

embebedei-me na luz do luar
cheirei o pó das estrelas
vi caudas cintilantes de cometas
senti o azul da terra
o som, do movimento dos astros
pela imensidão do desconhecido,
tornou-se música a embalar-me
no mágico destino de deslizar
em plena sintonia com a matéria celestial
na direção que me atrai

o universo é suficientemente pequeno para caber em mim
e suficientemente grande para conter-me com ele
sentir-me parte do todo é
a lição de humildade que vem da estrela mais brilhante
e da menor de todas, que não desiste de brilhar.

9.

Tenho medo!
E quando tenho medo, o que me assusta não é o que me amedronta.
Assusta-me o gosto pelo medo. Assusta-me, a coragem que nasce do medo.
O desafio, o escuro, o desconhecido exercem em mim o fascínio do brilho das estrelas em noites sem lua.
Não há vida fora do medo. Não há vida fora do desconhecido.
Não quero morrer envolta na segurança daquilo que não me move.
Quero buscar o outro lado da noite, ir onde está o sol.
Perseguir rastros de estrelas e beber do luar.
Embriagar-me de brisa e conhecer o que nunca vi.
Quero tocar a pele da noite, envolver-me em doces melodias
E suavemente amar o medo que me atrai.

10.

Segura minha mão, amor, que tenho medo e estou só.
Cansei, amor, de fingir coragem, sou frágil. Segura minha mão.
A noite engole meu riso e as lágrimas podem correr livres,
É tão mansa a noite, tão amável e companheira.
Vem comigo, amor, que estou só, mas vem agora,
No instante em que a noite me permite confessar meus medos.
Vem antes que o riso volte á minha boca e ela finja ser o que não sou e a todos engane.
Vem, amor, segura minha mão e fita-me nos olhos que, eu de ti, não fugirei agora.
Mas nada posso prometer, amor, depois que o sol engolir a lua
E eu for novamente aquela que todos vêem, a que tem as mãos vazias das tuas.


PÁGINA Nº 51

Lu Dias ©

- A parideir


Sinuosos rios azuis percorrem a sua
carnadura inchada e brilhante, desde
as coxas deformadas até os pés roliços,
que mal sustentam o corpo vacilante.
A barriga pontuda e estriada já desceu,
o rebento toma posição para eclodir,
o fogo crepita no fogão de barro, onde
a água no velho pote, entra em ebulição.
A mulher se apronta pra parir,
sozinha, no casebre de taipa,
não há ninguém pra assistir,
a chegada do fruto, na raça.
Passou por duas outras parições,
uma, com a presença da parteira,
a segunda, ela e seu velho cão,
agora, geme sozinha na esteira.
As dores já se fazem presentes,
trinca os dentes pra não gritar,
e assustar as duas menininhas,
que brincam debaixo do pé de juá.
De lado, a lata com água quente,
pedaços de lençol velho e tesoura,
pra desligar da placenta o novo ser,
que vai brotar de seu ventre agora.
O sangue quente escorre pelos quartos,
e uma cabecinha acompanha o fluxo,
a dona dobra o corpo e acaba de tirar
um pequeno ser já desfalecido,
mal acabara de chegar ao mundo.
A dor maior do sofrimento é a ausência
do companheiro, antes junto, no amor
fortuito do catre, depois distante, tanto
no desabrochar do botão plantado a dois,
quanto no maturar do franzino fruto.
Sem choro ou alarido, a mulher
enrola o corpinho no lençol,
aceita a vida tal como julga que é,
“pois tudo sempre acontece
do jeito como o bom Deus quer”.

- Adorável serzinho

De onde vem esta mocinha
leve, ligeira e sestrosa,
sempre que me vê com um livro,
vai se achegando toda prosa.

Nem se preocupa a danadinha,
com o teor da prosa ou do verso,
volteando nas entrelinhas, sendo
o assunto simples ou complexo.

É realmente uma gracinha,
lê da direita para a esquerda,
nas paralelas ou transversais,
em cima, abaixo e em círculos espirais.

O interessante nesta infatigável baila,
é que a moleca acaba impondo o ritmo,
lê, relê, “trilê” ... sem permitir que
eu possa virar logo a página.

E lá sou eu doida de massacrar
a minha amiguinha generosa,
companheira de todas as noites,
com sua visita terna e silenciosa?

A minha visitante mágica e solitária,
aparece e desaparece como por encanto,
nunca diz de onde veio ou pra onde vai,
mas nos encontramos sempre no mesmo ponto.

Muitos estarão curiosos, para saber se
o meu serzinho é uma fada-madrinha,
claro que não... essa coisinha linda, terna
sestrosa e ligeira é uma formiguinha.

- A morte e a imortalidade

Não me calem o grito que jaz no
meu peito enraivecido, deixem as
minhas palavras tomarem forma,
se lastimo o fato de ter nascido.

Encontro a humanidade em mim,
quando assumo a certeza de morrer,
essa perda irrevogável do que sou
e do que jamais voltarei a ser.

A morte dos que amei nada mais é,
que ensaios ou aperitivos da minha;
antepasto sem gosto deste ser que amo,
com amor-próprio, mas se definha.

E por mais que tais perdas me previnam,
ainda não compreendi o que é morrer,
apenas vislumbro, imagino, fantasio
aquilo, que um dia há de suceder.

Por mais que saiba da finitude humana,
o meu ego perde a noção do coletivo,
para se fixar na individualidade do eu,
pois apenas parte, aquele que morreu.

O meu instinto de conservação é patético,
conservar é sobreviver desesperadamente,
é vencer o mal inexorável da aniquilação,
exposto na morte, permanentemente.

Cada dia a mais é um dia a menos,
ela sempre marcha a meu encontro,
indiferente às barreiras e precauções,
nesta luta sou miserável e impotente.

Do nada vim e a ele me agregarei,
de um momento para outro, eu bem sei;
nada me transforma num ser excludente,
nem pode me blindar contra essa lei.

A vida é um bem perecível e escasso,
e o meu ódio é a certeza do porvir
daquilo que me entristece e desilude,
do que jamais conseguirei assentir.

O desespero não é forte o suficiente,
para me fazer sentir plenamente viva,
pois ele descuida do próprio existir,
e lhe nega a bela experiência da vida.

Apesar do balanço negativo da existência,
no que tange as suas dores e alegrias,
meu corpo recusa em desistir, pois
a vontade cisma em permanecer viva.

E pra existir, tenho que pagar ainda o
preço da dor, da frustração e da injustiça,
na espera da própria morte que é aquilo,
que mais me pesa durante a lida.

Sei que o conhecimento é mortal, se nele me
detenho, mas a razão é vital, cheia de alegria
incontida, pois alegrar-se consiste em afirmar,
e aceitar, aliviando assim a perenidade da vida.

A minha poesia é um mero artifício, pra
desviar a atenção da cupidez da morte,
tornando-me, aparentemente, mais segura,
como se fosse a dona da própria sorte.

Imortalidade – eis minha atitude ética,
estratégia banal, mas necessária pra
sustentar o desespero, que sempre me
acompanha, em cada despedida.

Sustentar-se na alegria é um trabalho
árduo, mas necessário; o único capaz de
conseguir que todas as agruras humanas
valham, de fato, a pena de as ter vivido.

A ética da morte é penar alegremente,
ser uma semente com data definida, pra
germinar, crescer, reproduzir e tombar,
quando a terra não lhe der mais vida.

- Aos não seletos...

Eu me promiscuo com os desesperados
Eu me insiro na humildade acanhada
Eu me uno aos dolorosamente enxotados
Eu me mesclo com os abandonados.

Eu me incinero com os sem esperança
Eu me retalho com os desvalidos
Eu me compadeço com os miseráveis
Eu me diminuo com os desprezados.

Eu me retalho com os arrogantes
Eu me condôo dos prepotentes
Eu me machuco com os supra-sumos
Eu me avilto com os indiferentes.

Eu me arrepio com os “especiais”
Eu me aproximo dos ditos “desiguais”
Eu me entristeço com certos tais
Eu me esfacelo com os “normais”...

Eu abomino as leis especiais
Pra proteger os etc e tais
Eu desprezo certas autoridades
Tão mesquinhas e imorais.

PÁGINA Nº 52

Helena Borges ©

-Paixão


Quando...a paixão está no ar,
já não dá mais para disfarçar;
Tanta energia...apenas num olhar;
A vida, tem suas surpresas;
Arrasta a paixão como sua
companheira;

Paixão...não tem preconceito, nem idade;
Fazendo vítimas...enche-se de vaidade;
Apenas com gestos e palavras irradia felicidade;
Com atitudes, quer deixar clara suas verdades;

Paixão...faz seu jogo pouco a pouco;
Faz o pensamento ficar conectado ao outro;
Mil vezes lembrando o ser amado;
Que, da noite para o dia, torna-se um ser idolatrado;
E...intensamente desejado;

Da tenra idade à velhice...ela é
parceira fiel do amor;
Ele, quando não corresponde...sobra espaço para
muita solidão e dor;

Paixão...que escraviza o coração,
independente de origem, dinheiro e religião;
Como mágica, pode curar uma alma de tristeza e desilusão;

A intensidade de uma paixão é que determina se o final será infeliz ou positivo;
Mas...a decisão final sempre estará nas mãos do senhor Destino;

Sábio...sabe que tudo tem uma razão;
Que nada é em vão;
E, nessa vida, sem paixão...
tudo perde a emoção;
Seja inverno ou verão.

-Flor de lótus

Segura a minha mão;
Não tenha medo não;
Deixa se levar pela paixão...

Preste atenção na mudança da estação;
Não me encontre na contramão;
Tenha cuidado com meu coração...

Deixe a emoção fluir;
Por favor, não me deixe partir;
Quero ficar pra sempre aqui...

Vamos juntos caminhar;
Nossos sonhos realizar;
Foram vidas para te reencontrar...

O destino é sempre muito coerente;
Reúne almas carentes;
Escrevendo histórias diferentes...

O sentimento chegou mansinho;
E agora estamos tão envolvidos;
Viver sem você se tornou impossível...

O amor cresce aos poucos;
Uma flor de lótus;
Um tesouro...

A vida nos dando o troco;
Agora sentimos a felicidade
de viver um para o outro;

O amor em paz...unindo nossas vidas;
Iluminando nosso dia a dia;
Provando, que nunca é tarde demais...
quando não se duvida.

-Anjo da meia noite

Chegou, acelerando meu coração...
Sentimento intenso como uma chuva de verão;

Tão de repente...tão sutilmente;
Sua imagem não sai da minha mente;
Mesmo tão longe...está tão presente;

Nem parece um ser humano de verdade;
Me trouxe paz...serenidade;
Confiança e cumplicidade;

Muita esperança;
Lindas lembranças;
E ânimo de criança;

Brilho no olhar...
Só de imaginar, como faz bem, de ti...
gostar;

Mesmo sem você saber...
Mesmo sem me conhecer;
Você faz parte de mim sem eu perceber;

Em paz... caminho tranqüila;
Foram curadas as feridas;
E hoje, meu coração sorri
...de alegria;

E, nas minhas noites, que antes eram
tão solitárias...
No silêncio da madrugada...
Tantas emoções são sentidas e guardadas;

Não me sinto mais sozinha...
Agora existe um anjo da meia
noite... em minha vida.

-Essencial

Cada novo aprendizado é uma fonte...
Por isso cada detalhe se torna relevante;

Os sonhos somente ganham vida...
Quando realmente se acredita;

A esperança, nunca se cansa...
Sempre estampada no olhar de uma criança...
É preciso ter cuidado para não se tornar apenas lembrança;

Cada dia, parece rotineiro...
Mas, a grande verdade é que tudo nessa vida é passageiro;
Por isso, é preciso sempre aprender com os erros;

O amor, não apenas satisfaz...
Ele, em sua plenitude, nos traz paz;

Multiplicar a família...
Essa é a grande mágica da vida;

E sermos melhor com o passar dos anos...
Esse é o grande desafio do ser humano...
Que tantas vezes comete enganos;

Mas, nada mais especial do que um novo amanhecer...
Vivenciar o verbo vencer...
E valorizar sempre o verbo ser, mais do que ter...

Fazer cada dia ser especial...
Alto astral...
Deixar o rio seguir ser percurso natural;

Tentando sempre vencer os desafios do caminho...
Nos fazendo pensar que cada dia vale a pena ser vivido...
Acompanhado ou mesmo sozinho...
Triste ou feliz, sempre em busca de um sorriso...

O essencial é que cada um realmente cumpra...
seu destino...
Para no fim da jornada, depois de tudo, ficar
realmente um saldo positivo.

-Gratificante

Em cada olhar de uma criança...
Uma esperança;

Em cada aula, uma nova experiência...
Exercício de amor e paciência;

Através da minha dedicação, com
outro olhar enxergam o futuro;
E essa gratificação vale tudo;

Porque a cada aula, melhoram sua visão de mundo;
Que será refletido... quando forem adultos;

Sinto uma imensa alegria, por passar meus conhecimentos...
Independente dos desafios ou do pouco tempo;

Sinto felicidade, por saber, que anos mais tarde,
independente da idade...
Muitos ainda se lembrarão das minha verdades;
Numa mistura de conhecimento com saudade;

E, quando minha jornada chegar ao fim...
Sentirei orgulho de ter feito valer meu existir;
Hoje, me sinto imensamente feliz, pelo destino que sorri;
Em cada aula... fica um pedaço de mim;

Soma de aprendizados;
Nada fica perdido, ao acaso;
E a cada ano que passa, sinto a felicidade de
ver um sonho realizado;
Quando leciono, sinto um anjo ao meu lado...
Dando a direção, o caminho;
Enchendo de luz tudo o que ensino;
Que me faz ter em cada final do dia...
a sensação do dever cumprido;

Refletido...
Em cada abraço...
Em cada sorriso;

E em cada despedida...
Fica a expectativa de um novo dia...
O aprendizado de lições que farão pra sempre...
parte de suas vidas.

-A chegada de um novo dia

O ano velho já começa a se esconder...
dando espaço para um novo amanhecer;

E a cada hora que está passando, o novo ano está se aproximando...
Como um bebê, nasce lindo, cheio de expectativas e sonhos;
Novos desafios e planos;

Chega, iluminando os céus do mundo inteiro;
Um espetáculo democrático...pra quem tem ou não, dinheiro.

Precioso como um tesouro...
que cada ser humano terá que descobrir pouco a pouco;
Seja habitante de mansões, palácios ou morros;

Chega, trazendo consigo oportunidades de novos aprendizados...
Novas oportunidades;
Novos trabalhos;

Para alguns...
reencontros inesperados;
Realização de um casamento há muito desejado;
Um filho... muito esperado;
A conquista de um diploma tão batalhado;

Vivenciar a emoção de uma viagem realizar;
No chão da nova casa pisar;
Escolher um novo curso para se aperfeiçoar;
A saúde, de alguma forma melhorar;

Chega... nos relembrando que sempre haverá espaço para um recomeço;
Sempre uma chance de corrigirmos nossos erros;
Vencermos nossas inseguranças e medos;

Sempre haverá pessoas do bem para se conhecer;
Com os mais experientes aprender;
Novas paixões para se viver;

A cada instante, o ano velho já começa a se distanciar;
E, no horizonte, um novo futuro...
começa a despontar.

-Meninas da China

Abandonadas sem dó nem piedade;
Sem terem nem o que por direito...
teria uma criança da sua idade;

Por nascerem meninas, parece que cometeram o pior
crime de suas vidas...
esse é o drama das meninas da China;
O olhar procurando desesperadamente um carinho...
um sorriso;

Um rosto conhecido;
Por suas mães são deixadas como lixo...
em orfanatos que mais parecem matadouros clandestinos;

Indefesas, pela maioria discriminadas...
mal cuidadas;
Vivem sem os cuidados necessários...
à deriva de maus tratos;

Abandonadas à própria sorte...
entregues à própria morte;
Continua sendo um problema, que ninguém resolve;

E nos seus últimos momentos, não conseguem nem
sussurrar um choro, um grito...
até a chegada do último suspiro;

Em que seu olhar parece dizer :
- Não sou menino, mas também sou um ser humano,
...eu existo!

-Rastro

Um dia, vai querer ler os mesmos livros que você leu;
Vai querer evitar os erros que você cometeu;

Vai cobrar algo que você prometeu;
Vai retribuir em dobro o amor que lhe deu;
Se tornará seu melhor amigo;
Sem vergonha de revelar pensamentos escondidos;

Irá relembrar as brincadeiras e também as broncas;
Também vai ficar inseguro quando descobrir que ama;

Vai querer pôr em prática tudo o que você o ensinou ao longo
do caminho;
Ficará, fisicamente cada vez mais parecido contigo;
Irá descobrir com o passar dos anos a dimensão dessa palavra...
filho;

E, com a maturidade...
Irá entender o por quê...de seus problemas e ansiedades;

Irá ter seus próprios sonhos...
Mas, com certeza não irá deixar os seus no abandono;

O grande ensinamento da vida é a cada geração...
nos aperfeiçoar;
Temos uma vida toda para tentar melhorar;
No fim...ficará o rastro que nossas pegadas vão deixar;
e registrado no livro da vida...muitas histórias pra contar.

-Soma

Onde está você agora?
Vamos escrever juntos nossa historia;

O tempo passa como um cometa...
Não espere, se atreva...

O rio e o mar sempre se encontram...
Então, por que ficar adiando?

Venha cicatrizar as feridas...
Quero que você faça parte
definitivamente... da minha vida.

Não importa quanto tempo...
O que importa é a intensidade do sentimento;

Nem idade nem maturidade...
Ou se você mora do outro lado da cidade;

Não te procurei...
Mas... te encontrei;
Quando menos esperei;

Mas te reconheci no primeiro olhar...
Porque o destino sabia onde te achar;

E quando penso em nós dois...
Meu coração não acha problemas...
Soma o amor e iguala as diferenças...
E me diz que quando se ama...
Tudo, tudo vale a pena.

PÁGINA Nº 53

Regina Sant'Anna ©

-Fome de liberdade


Há uma voz que jamais será calada
uma voz que clama pela vida
porque a vida nada é sem ela.

É preciso tê-la para progredir,
para tentar novos rumos,
impedir que a humanidade pereça.

Há quem está a lutar por esta voz
que preenche o coração e a alma,
que nos faz ser uma raça distinta,

Há quem não a queira escutar,
que a enterra em buracos profundos
para que não seja sentida ou ouvida.

Esquecem esta voz em cárceres,
voz que já os libertou da opressão
e agora, em um canto, está adormecida.

Voz que clama no peito
de homens que conhecem seu valor,
que pela pena a fizeram viver,

Que por ela estão a morrer
em greve de fome do corpo,
que por ela sempre hão de sobreviver

Porque é fome que não se cala,
Gritando forte na alma:
Liberdade, liberdade, liberdade!

-Janela virtual

Nas janelas da virtualidade
num rio distante sonhei navegar,
vislumbrei um menino tímido
querendo o medo latente afugentar.
Misturei-me as constelações
procurando encontrar Eros,
senhor das minhas emoções;

O amor usa uma venda,
seus olhos são seus instintos,
se é eterno, quem sabe?
Mesmo assim segue em contenda...
Melhor ouvir uma bela canção
tendo, a cada acorde efêmero,
o sabor da paixão vibrante
a ser mais um barco
num mar de solidão

E a felicidade, se "o vento levou",
"Muito além dos Jardins"
brilha na esperança,
a força que nunca perece,
presente nos moinhos de Cervantes,
lutando contra moinhos em gigantes,
salvando a bela Dulcinéa,
levando a triste e traída Ariadne
até Dionísio, seu eterno amante.

Portas se fecham, janelas se abrem,
realidades sufocam o ânimo...
Os sonhos não possuem trancas,
vencem "Odisséias", vão "Além da Vida",
Seguem como "Uma Noite de Verão"
para aquecer com versos,
do poeta, o coração.

Nas janelas da virtualidade
A felicidade está em polegadas
a vida floresce bela e jovial,
e sua árvore genealógica
descende de um só ideal... o amor!

-Mujeres poetas

Allá, en otra tierra lejos de mi cielo
pátrio, llegué,
anduve por carreteras, tan lejos
vi un volcán cubierto de blanco
con la nieve a cubrir sus deseos
inmersos en calor y pasión,
un águila en el cielo, imponente,
deslizando en las alas de la libertad,
símbolo de este pueblo valiente.

Niños y niñas, hombres y mujeres
tatuados en mi corazón,
nacidos de la tierra mixteca
oyendo las tristezas y alegrías
que traigo en mis poesías
como también en las poéticas líneas
de sensibles mujeres
dejándose brotar
flores en un jardín de papel.

Mujeres de muchos en un único cielo,
mujeres hechas de carne,
mujeres hechas de sangre,
mujeres que son madres,
mujeres que son hijas,
mujeres llenas de sol y luna,
de voces que incendian
con la palabra en verso
que sobre la alma danza.

Mujeres de los cuatro cantos
en un canto del mundo
donde la historia es magia,
el manantial a fluir cristalino,
en las ruinas y calles de antiguas piedras
gritando la voz de un pueblo
donde vida y muerte retumban en armonía.

-Sereno madrugador

Desceu suave e sutil...
Como sedoso véu
ao tocar a pele,
cobriu a vida,
agora, silenciosa,
de forma generosa e gentil,
molhando-a de frescor
com beijo quase morno,
beijo quase frio,
deitando-se sobre ela,
e sobre esquálida relva
da urbana e agitada selva,
pousa na flor delicada
e faz-se em falsa lágrima,
deita-se em outros campos
que um dia ou que jamais verei,
despede-se à chegada do astro-rei
inundando a vida de cor.
Sereno madrugador, serenando me serenou.

PÁGINA Nº 54

Fátima Soares Rodrigues ©

-Velhice


O que restará na nossa velhice?
Entre agulhas de tricô, jornais e baralhos,
Vejo imperando, maior que tudo,
O silêncio!

O futuro já feito, dispersado.
O passado ressuscitado
Me faz companhia
E o presente,
Esta ausência do diálogo...

É o conviver constante com o tempo
Que ocupa todos os espaços
E decide não mais sair do lugar
Prolongando o tic-tac do relógio.

Ah! O que me assusta
Não são as rugas,
O corpo arqueado
E o espelho denunciando
Uma terceira pessoa em mim.

O que me inflama
É a eterna busca
Do aconchego,
Do murmúrio de palavras
Que trazem o eco do outro,
Do estalo das risadas
Ferindo o ar.

É o estar só em meio ao povo
É cada um buscando um lugar
Longe
Para não ter que dividir palavras
E deixar os ouvidos de plantão.

O que me assusta na velhice
É o isolamento,
A falta de acasalamento,
É o ensaio para a solidão derradeira!

-Mãe - uma escola de vida

Mãe
Reunião de todas as disciplinas na escola da vida.

Mãe em Português
Palavra que não tem sinônimo, porque é única e insubstituível.

Mãe em Matemática
Vinte e quatro horas de dedicação e 100% de doação.

Mãe em Biologia
Cérebro e coração caminhando juntos; é todo o corpo humano que se integra na missão de acolher, compreender e direcionar.

Mãe em Química
União harmoniosa de elementos químicos num seio materno, nos fornecendo todas as vitaminas e proteínas necessárias à nossa subsistência.

Mãe em Física
Velocidade e ação em sincronia com o cotidiano; é o corpo que se move em direção ao infinito.

Mãe em Geografia
Um imenso território de bondade repleto de relevos de emoções.

Mãe em Educação Física
Difícil missão de arbitrar, nos ensinando a ganhar e a perder em todos os jogos da vida.

Mãe em Línguas
Todas as palavras que nos soam estranhas, mas que têm profundo significado indicando-nos o caminho do bem.

Mãe em História
Uma reunião de sabedoria desde a pré-história até os tempos modernos.

Mãe em Desenho
Uma obra de arte englobando todas as figuras geométricas desenhadas pela mão do Criador.

Mãe é tudo isso. É, sobretudo, o amor de Deus num corpo de mulher para se dar, amar e perdoar.

-Sou mulher

Porque sou mulher,
Sou semente que brota
Ao ser regada com amor

Porque sou mulher,
Sou seiva que alimenta
Um tronco de criança

Porque sou mulher,
Sou raiz que sustenta
O corpo e dá abrigo

Porque sou mulher,
Sou água que sacia
A sede de justiça

Porque sou mulher,
Sou sombra que protege,
Do perigo, a espécie

Porque sou mulher,
Sou ramos que apontam
A luz no infinito

Porque sou mulher,
Sou folha que verdeja
Esperanças todo dia

Porque sou mulher,
Sou flor que ornamenta
E irradia alegria

Porque sou mulher,
Sou oxigênio, gás carbônico,
Em perfeita harmonia

Porque sou mulher,
Sou árvore em cujo cerne
Habita uma menina

Porque sou mulher,
Sou terra, sou vento,
Sou fogo, sou gente!

-Ser só

Sofia sofria solidão.
Sozinha,
Sonhava ser seduzida.
Suplicava ao santo
Serenar sua sede.
Silente,
Suportava o selo
Do sofrimento,
Sentenciando-se
Sovas semanalmente.
Sangrando,
Soluçava sorridente,
Sanando
Supostas solicitações
Dos sentidos.
Soava o sino.
Sentada, segura,
Sobraçando-se à saudade
Saudava a sorte
De servir sempre:
Salvação suprema.

-Sutileza feminina

Pés descalços
Sorvendo a terra
Nas entranhas
Do estranho
Embrenhando
Caminhos.

Desejo abissal
De extrair do solo
O alimento
Para o homem,
Para o mundo.

Cavar a terra,
Arar a terra
E plantar
A humildade
Para a humanidade!

-Nós, mulheres

Nome: Maria
Aparecida
Da Consolação
Da Purificação
Das Dores

Idade: De anjo
De Eva

Cor: Todas do mundo

Olhos: De alegria
De dor

Altura: Abaixo do homem
Acima dele

Estado civil: Subalterna
Corajosa

Escolaridade: Analfabeta por condição
Formada por obstinação

Planta: Comigo-ninguém-pode

Flor: Amor-perfeito

Esporte favorito: Arremesso de peso (quando se joga por inteiro naquilo que
almeja)
Esportes que detesta:- Arremesso de dardo (quando se torna o alvo)
- Quando pode ser jogadora, mas nunca juíza

Cantor: Aquele que não só sabe “cantar” bem, como sabe “escutar” também

Experiência: - com a solidão: trocada por outra mais jovem
- com o sofrimento: objeto de cama-e-mesa
- com a sociedade: considerada sexo frágil

Pretensão: ser reconhecida por merecimento e apenas ser
feliz!

-Santas marias

Pobre Maria!
Cheia de mágoas.
De horror é composto
O seu dia-a-dia e de outras mulheres,
De pedidos brutos de ossos e ventres – pesos.

Outra Maria!
Mãe dos teus.
Olhai por estes sofredores que,
Outrora, suportaram essa sorte também!

-Maternidade

Dos sonhos que tive desde menina
Nem todos se tornaram realidade,
Mas um estava escrito em minha sina,
Revelando-me a real felicidade.

Ter a graça de gerar uma criança
E poder alimentá-la em meu seio,
Foi o alcance do sonho e a esperança
Num mundo mais humano que anseio.

A criança que tem um lar e o afeto
Da família, e o aconchego materno
Não se perde na marginalidade

Pois, do berço, herdou o amor repleto
De compreensão, e o perdão fraterno
Que ela há de levar pra eternidade!

-Mãe

_ Mãe, estou chorando!
_ Cessa o pranto, meu filho,
eu te acalanto.

_ Mãe, estou com frio!
_ Vem cá, meu filho,
sou teu abrigo.

_ Mãe, estou com medo!
_ Fica aqui, meu filho,
eu te rodeio.

_ Mãe, estou sozinho!
_ Nunca, meu filho,
tens meu carinho.

_ Mãe, estou triste!
_ Te alegra, meu filho,
Deus existe.

_ Mãe, estou doente!
- Acredita, meu filho,
ainda és semente.

_ Mãe, o mundo é insano!
_ Não ligues, meu filho,
sê feliz, eu te amo!

-Mãe negra e escrava

Escurece todos os dias na senzala
A mulher negra exibe com temor
O ventre não-livre e o horror
À luz de mais um dia se exala...

É o tempo que subtrai a liberdade
Que inibe a arbitrariedade
O escuro passa a ser tão importante:
Sinônimo de proteção naquele instante.

Nascer para o mundo
É morrer para a família
É pertencer a “outro dono”
É ver a paz ser consumida.

E ela sofre ao imaginar que aquele filho
Gerado com amor no ventre-abrigo
Escuro como a pele, mas seguro
Partirá, um dia, sem saber seu rumo.

E, embora negra e escrava, é mãe e sente
As mesmas dores da mãe branca-dona
Que quer o filho forte, livre e presente
Ciente de que a mãe nunca o abandona!

-Espólio

Mais que a revelação do espelho
Percebo que envelheci.

Envelheci
Na forma de encarar
O mundo,
O amor,
Os homens.

Antes,
Minha paciência me permitia:
Perdoar mais,
Discordar menos,
Igualar valores;

E a minha impaciência:
Correr atrás da felicidade
E não adiar a alegria.

Hoje,
Contento-me com as migalhas,
A mim, ofertadas
De carinho,
De presença,
De partilha...

De tudo
Restou-me a sabedoria
Do silêncio!


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